Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Agronegócio de noz-macadâmia

Cenário de oportunidade

Junho de 2017

A NOZ-MACADÂMIA, produzida por uma árvore de origem australiana, tem promovido expressivos resultados produtivos e financeiros para os agricultores que investem no agronegócio. Muito apreciada no mercado internacional, a cada ano a macadâmia tem conquistado o paladar dos brasileiros, por se tratar de uma noz com características especiais de textura e com sabor amanteigado, bem distinto do de outras castanhas e nozes.

A produção da macadâmia não é uma grande novidade, mas, agora, a sua produção está sendo mais estudada. Trata-se de uma cultura de alto investimento inicial, longo prazo de retorno, mas de altíssima Taxa Interna de Retorno (TIR).

Cerca de 60% da produção nacional têm como destino o mercado internacional, como Estados Unidos, países europeus, Japão, China, entre outros. Os plantios estão estabelecidos, principalmente, no Sudeste, sendo São Paulo o grande produtor nacional.

Mundialmente, os maiores produtores são a Austrália, a África do Sul e o Havaí (nos Estados Unidos). O Brasil ocupa a oitava posição em termos de volume produzido, possuindo em torno de 1,2 milhão de árvores, com cerca de 5.000 hectares cultivados.

Os plantios comerciais estão estabelecidos com densidades médias de 250 plantas por hectare, mas novos projetos já consideram entre 278 e 500 plantas por hectare. São vários os tipos de cultivares disponíveis no mercado, cada qual recomendada para diferentes situações de solo, clima e densidade de plantio. Todas as mudas devem ser enxertadas e oriundas de viveiros reconhecidos. As árvores iniciam suas produções com quatro a cinco anos de idade, com acréscimos de produção conforme a planta se desenvolve, atingindo sua maturidade produtiva após doze anos de idade e prosperando por cinquenta anos de vida.

Apesar de ser uma planta exótica, a macadâmia adaptou-se muito bem às condições de clima e solo do País. Não é muito exigente em questão de tipo de solo, crescendo bem em solos arenosos e argilosos. Precisa apenas que estes solos sejam bem drenados.

Agronegócio de noz-macadâmia

Em questões climáticas, adaptou-se às condições da região Sudeste. Desenvolve-se muito bem em regiões com temperaturas médias anuais em torno de 25 ºC. No inverno, exige temperaturas médias abaixo de 15 ºC para o estímulo floral. Em termos pluviométricos, necessita de, no mínimo, 1.000 a 1.200 mm de chuvas anuais bem distribuídas. Regiões que não possuem estas condições podem ser supridas via irrigação, sendo esta alternativa uma ótima estratégia para minimizar os riscos climáticos.

A despeito de ser um cultivo pouco explorado em termos de área quando comparado a outros agronegócios, toda a tecnologia e o conhecimento para produzir macadâmias já estão consolidados no País, com todos os manejos operacionalizados mecanicamente, inclusive podas e colheita.

A produção média é de 15 quilos a 20 quilos por planta, o que resulta em 4 toneladas a 5 toneladas por hectare. Atualmente, o valor da noz em casca é de R$ 10,00 por quilo, com o valor recebido pelo produtor rural acrescido conforme a qualidade do seu produto. A qualidade é determinada pela quantidade de amêndoas boas comercializáveis excluindo-se a casca e as nozes com defeitos, como imaturas, mofadas, entre outras.

A cadeia de macadâmia está bem estabelecida no Brasil, com cerca de vinte processadoras de noz. Três delas são grandes empresas, localizadas em São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, e processam 80% da produção nacional.

É um produto de comercialização garantida, com grande demanda nos mercados internacional e nacional. Considerando a comercialização global de nozes e castanhas, a noz-macadâmia representa apenas 2% deste mercado, sendo a segunda de maior valor.

O grande desafio é produzir mais macadâmia para auferir as vastas oportunidades comerciais. Sem dúvida, é um produto excepcional em termos nutricionais e funcionais e que agrega grandes benefícios à saúde de quem dele se alimenta e o utiliza para fins cosméticos.

Para os produtores que ingressam no cultivo, existe a certeza de que estão investindo em um alimento com mercado consumidor garantido e excelentes preços. O Brasil possui condições de solo e clima para avançar na produção da noz e, por que não, se tornar um grande produtor e exportador de macadâmia.

CARACTERÍSTICAS DA NOZ-MACADÂMIA

A cultura chegou ao País na década de 1940, com plantios comerciais estabelecidos principalmente na década de 1980.

A árvore pode atingir até 15 metros de altura e produz durante cinquenta anos. Um fato que destaca ainda mais a sua condição de planta exótica é o surgimento de sua florada bem no inverno, entre junho e agosto. É nesse momento que os pomares de macadâmia se tornam únicos e exalam o perfume característico de suas flores. Seu fruto é composto de duas camadas: a primeira, mais interna, é denominada de carpelo; e a segunda, mais dura, é a casca, onde internamente se encontra a amêndoa. A colheita é efetuada sobre o solo, pois espera-se que as nozes caiam no chão, para, então, serem recolhidas.

A noz é consumida de várias formas: ao natural; como aperitivo, torrada e salgada, em composição com outras nozes e castanhas; recoberta com chocolate; em sorvetes; em biscoitos; em barras de cereais; em pães; em bolos, entre muitas outras utilidades na culinária. É utilizada, também, em cosméticos, como cremes, óleos corporais, perfumes, sabonetes, entre outros usos.

Possui ômega-3 e ômega-6 e é livre de colesterol e rica em gorduras monoinsaturadas, que diminuem o colesterol ruim (LDL) e aumentam o bom (HDL). Atua muito bem no controle da pressão arterial, além de reduzir os níveis de triglicerídeos. Por possuir alto nível de flavonoides, protege as células das ações dos radicais livres, atuando como antioxidante e anti-inflamatório, o que torna o seu óleo incomparável no controle do envelhecimento da pele e dos órgãos.



OPORTUNIDADES DE NEGÓCIO

Da redação da Agroanalysis

Para esta edição da Agroanalysis, a partir do presente artigo, criamos uma seção chamada “Oportunidades", que aparecerá sempre que houver conteúdo pertinente. O agronegócio pode contemplar muitas oportunidades, mais simples ou mais complexas.

Como exemplo, vale lembrar o início dos anos 80 do século passado, quando o plantio de feijão irrigado em São Paulo, para desova em agosto (época de entressafra), possibilitava ganhos extravagantes.

Também nos anos 70 e 80, outras três culturas entraram no radar dos produtores em São Paulo: a seringueira, o cacau e o urucum. A seringueira foi um sucesso, e São Paulo é, hoje, o maior produtor do Brasil. Já o cacau foi um fracasso. E o urucum, por sua vez, mostrou-se um sucesso temporário.

Atualmente, produtores de milho do MATOPIBA podem ter preços 60% mais altos do que os dos produtores do Sul e do Centro-Oeste, devido às peculiaridades do mercado local. Os custos são praticamente iguais.

Ainda, em algumas regiões de terra fraca e barata onde há fabricantes de farinha, o arrendamento da tradicional mandioca (para mesa ou indústria) pode render quase R$ 2.000 por hectare/ano.

Algumas lições ficam. Antes de tomar a decisão de investir em novas oportunidades, o produtor deve estudar bem a parte técnica e o mercado, além de ouvir mais de uma opinião. O cacau, nas décadas de 1970 e 1980, foi um fracasso porque alguns técnicos mais açodados e, talvez, inescrupulosos incentivaram plantios em locais e com cultivares inapropriadas. No caso da própria macadâmia, discutida neste artigo, é possível encontrar exemplos de sucesso e de fracasso no estado de São Paulo. Nos casos de fracasso, muitas vezes, a recomendação técnica e/ou as cultivares utilizadas foram equivocadas.

São fundamentais extremo cuidado e muito estudo. E, mais uma vez, há a necessidade de se evitarem técnicos açodados ou inescrupulosos.

Alta Rentabilidade Da Macadâmia

Os números apresentados são conservadores e foram levantados por sondagem junto a produtores do estado de São Paulo

A produção de macadâmia exige um investimento inicial alto, o que representa uma importante barreira à entrada de produtores em seu mercado. Sem considerar a terra, a formação do pomar – que vai até o sexto ou o sétimo ano – exige um investimento total de R$ 40.000 por hectare, para o sistema sem irrigação. Se a área for irrigada, o investimento por hectare sobe para R$ 60.000.

Considerando uma produtividade de 5 toneladas por hectare e um preço de R$ 10 por quilo, o tempo de retorno do investimento pode estender-se de nove a onze anos. A necessidade de caixa vai até o sexto ou o sétimo ano.

Agronegócio de noz-macadâmia

O investimento é de longo prazo, mas trata-se de um produto não perecível, destinado, principalmente, à exportação e com demanda crescente.