Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Reflexão

O Brasil antes!

Julho de 2017

LUIZ CARLOS CORRÊA CARVALHO - Colunista

LUIZ CARLOS CORRÊA CARVALHO, Presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG)

Outros textos do colunista

De hoje em diante, uma nova visão vai governar nosso país. Será apenas América em primeiro lugar.
Donald Trump, presidente dos EUA


EM PLENO caos político, é lançado o Plano Agrícola e Pecuário (PAP) da safra 2017/18 pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), sob os aplausos do setor privado. Enquanto isso, as delações premiadas atordoam a todos, embaralham as perspectivas e trazem a sensação de paralisia certa, de interrupção daquilo antes programado pelo governo federal.

São duas faces do mesmo momento vivido pelo agronegócio brasileiro, exposto aos riscos climáticos, dos preços e, agora, com ênfase, da política brasileira.

Enquanto se elogia a ação do MAPA, os olhos voltam-se para a tentativa de enxergar além do horizonte enevoado das incertezas do encaminhamento das soluções políticas em 2017 e das perspectivas das eleições gerais de 2018.

Após as delações da JBS, com o julgamento da chapa Dilma e Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a denúncia de Rodrigo Janot, da Procuradoria-Geral da República (PGR), contra Temer e as próximas delações, o presidente sobrevive, as reformas são adiadas e as eleições de 2018 podem ficar entre o atraso e o reformismo. O Brasil tem pressa! É preciso fazer as reformas e limpar os malfeitos, ao mesmo tempo. Enquanto o agronegócio segura as pontas da economia, é preciso agir com rapidez no campo das reformas essenciais ao País e ao agronegócio.

Da safra à safrinha, de grãos; do canavial em colheita à safra do café; da carne forte recém-saída dos deslizes das críticas; do papel e da celulose, passando pelo cacau, até as frutas e as flores, a agroindústria segue o seu caminho olhando, de um lado, a queda dos juros e da inflação e, de outro, os riscos do câmbio e a reação das instituições.

Há uma significativa surpresa geral sobre a normalidade nos índices macroeconômicos, em meio às incertezas do dia a dia desde abril deste ano.

Também vale acentuar o fato de que há alguns indicadores de barreiras à produção ampliada em 2017, como o crédito extremamente seletivo. Esta situação não foi suficiente para segurar um novo recorde na produção de grãos. O modelo brasileiro do agronegócio é, de fato, resiliente e criativo; não é oportunista nem protecionista. É competitivo e luta pelo mercado externo em meio à falta absoluta de acordos comerciais do Brasil com terceiros países.

A expectativa do setor produtivo brasileiro, mesmo consciente do processo lento de recuperação da economia brasileira, seria a do “Brasil em primeiro lugar", para os efeitos ou as reações dos políticos, do Executivo e do Judiciário ao complexo momento vivido. Isso significa dizer que temos claras manifestações das entidades de classe e a esperança de não se perder o foco do “Brasil em primeiro lugar", mas sem o viés protecionista desse mesmo slogan usado por Trump, nos EUA, e pelos defensores do Brexit, na Inglaterra.

Sem isso, o retrocesso será certo e terrível. Com isso, estarão alimentadas as esperanças pelo que vem à frente.

Independentemente das questões políticas, são muito relevantes ao País as reformas trabalhista e previdenciária, para que o retrocesso não ocorra ainda em 2017. Sua aprovação é simplesmente o estancamento da sangria que fragiliza o Brasil de uma forma não antes verificada.

O fundamental é seguir em frente, mesmo que sem pressa, mas sem perder tempo!