Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Pecuária

Confinamento não fecha a conta

Julho de 2017

A ANÁLISE dos principais itens de custo do confinamento (preço do boi magro e da alimentação) parece apontar para uma situação melhor para o pecuarista neste ano. No entanto, as recentes quedas nos preços da arroba do boi gordo achataram as margens da atividade. Em muitos casos, o resultado está negativo para o confinador.

Na B3 – antiga BM&FBOVESPA –, os contratos futuros de boi gordo com vencimentos em outubro e novembro de 2017 ficaram cotados entre R$ 128,00 e R$ 129,00 por arroba na primeira quinzena de junho. Estes valores estão próximos dos preços vigentes no mercado físico em São Paulo em junho, cuja cotação foi de R$ 128,50 por arroba.

A alimentação representa entre 20% a 25% dos custos operacionais do sistema de confinamento bovino, enquanto a aquisição do boi magro corresponde a aproximadamente 70% dos custos.

Pecuária

Do lado da alimentação concentrada, o cenário para o confinador é positivo, diante das quedas registradas nos preços de milho e farelo de soja. Na comparação entre a primeira quinzena de junho de 2016 e o mesmo período de 2017, pôde-se constatar que, na região de Campinas, no estado de São Paulo:

- O milho fechou em R$ 26,50 por saca de 60 kg, contra R$ 48,29 praticados em 2016. Houve uma queda de 45,1%. A maior disponibilidade do cereal na safra 2016/17 e a baixa liquidez pressionaram para baixo as cotações no mercado brasileiro.

- O farelo de soja, comercializado a R$ 1.140,00 por tonelada, teve uma redução de 11,6% em relação a 2016. Os preços acompanharam as quedas verificadas para a cotação da soja em grãos, com reflexo da maior oferta mundial.

Com relação ao boi magro, além do movimento fraco nos negócios em função das incertezas conjunturais sob o ponto de vista macroeconômico (renda, emprego, consumo etc.) e da própria cadeia produtiva de carne bovina, as cotações foram influenciadas pelos recuos verificados no mercado de boi gordo. Também em São Paulo, a referência em junho para o boi magro ficou em R$ 1.720,00 por cabeça (12 @, anelorado), frente à cotação média de R$ 2.014,00 por cabeça em igual período do ano passado – um recuo de 14,6%.

O custo da diária de um bovino em confinamento – que inclui, além da dieta, outros custos operacionais e administrativos – pode apresentar uma variação enorme dependendo dos ingredientes utilizados, da forma de manejo utilizada, dos equipamentos empregados, dentre outros. Uma pesquisa com agentes-chave no estado de São Paulo aponta custo da diária entre R$ 7,00 e R$ 7,50 neste ano, frente aos R$ 10,00 a R$ 11,00 de 2016.

RESULTADOS ECONÔMICOS

Tomando por base o valor do boi magro, cotado em R$ 1.720,00 por cabeça, ainda existe espaço para quedas nas cotações, devido à demanda patinando e à queda no preço da arroba do boi gordo. Desta forma, para efeito de cálculo, foi estimado um preço médio de R$ 1.650,00 por cabeça de boi magro a ser adquirido no começo de agosto próximo – uma queda de 4,0% frente aos valores de junho.

Pressupondo a venda do bovino para abate em outubro (período de engorda em confinamento de noventa dias) e o ganho de peso médio de 1,5 quilo por dia, o custo do confinador será de R$ 2.325,00 por cabeça no período. O bovino entrará no cocho com 360 kg (12,0 @), com peso de abate correspondente a 495 kg (16,5 @).

Se o rendimento médio de carcaça for de 55%, entregaremos 272,25 kg de carcaça (18,15 @) por cabeça. Com isso, a receita com a venda está estimada em R$ 2.323,20. Subtraindo os custos (R$ 2.325,00) da receita (R$ 2.323,00), o prejuízo estimado é de R$ 1,80 por cabeça confinada. A Taxa Interna de Retorno (TIR) da atividade será de -0,03% ao mês.

A expectativa de prejuízo poderá afetar a quantidade de cabeças confinadas em 2017, em especial no segundo ciclo ou rodada do confinamento. Uma melhoria dos resultados econômicos estaria atrelada a uma reação dos preços futuros da arroba do boi gordo.