Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Agrodrops

Agosto de 2016

Nota de falecimento

A Revista Agroanalysis lamenta o falecimento do seu colaborador jornalista Paulo Sérgio Roque, ocorrido no dia 22 de julho, aos 64 anos. Natural da pequena cidade de Bicas, próximo a Juiz de Fora, no interior mineiro, formou-se em Comunicação Social – Jornalismo, pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

Paulo Roque iniciou sua carreira de jornalista na cidade do Rio de Janeiro, no jornal Última Hora. Foi redator e repórter da revista Agricultura de Hoje (Bloch Editores). Retornou ao jornalismo diário na editoria internacional do jornal Tribuna da Imprensa. Depois, assumiu o cargo de editor da revista Agricultura de Hoje, quando criou o projeto editorial da revista Manchete Rural, da qual foi diretor de redação.

No final de 1998, veio para São Paulo e criou o projeto editorial da revista Panorama Rural, veículo oficial do Sistema Agrishow, uma das maiores feiras de tecnologia agropecuária do mundo. Também editou a revista Terraviva.

Fez o projeto editorial e, junto com uma equipe de mais dois jornalistas, escreveu o livro “20 Anos de Agrishow". Também escreveu o livro “A Colonização do Cerrado – Savanas e Celeiro do Mundo".

De 2011 a 2012, Paulo também emprestou sua expertise ao Grupo Publique, participando das revistas Gir Leiteiro, AgroRevenda e Agro Guia da Folha de São Paulo.

Recentemente, Paulo Roque era colaborador da revista Agroanalysis, além das publicações da Sociedade Nacional de Agricultura – SNA (revistas Animal Business Brasil, A Lavoura e Boletim SNA News).

Em quarenta anos dedicados ao agronegócio, tornou-se um dos jornalistas mais conhecidos e respeitados do setor. Querido por muitos profissionais, Paulo Roque fez uma legião de amigos e cativou a todos com seu jeito mineiro de ser. Sempre muito atencioso, foi o mentor de muitos jornalistas que hoje atuam em publicações do agronegócio.

Deixamos nossas condolências à família e aos amigos pela perda de Paulo Roque.

Comércio mundial do agro

Com um conjunto de mudanças e melhoramentos nas transações internacionais, a União Europeia (UE) deu um salto significativo nas suas importações e exportações do agro. Ao longo de uma década, conseguiu duplicar de valor. A aplicação de políticas comerciais, como a execução de novos acordos bilaterais e as eliminações de barreiras sanitárias e comerciais, abriu novas oportunidades aos europeus. Em 2015, as exportações dos 28 países do bloco somaram US$ 142 bilhões, com superávit de US$ 18 bilhões. Com isso, os europeus assumiram a liderança mundial nas vendas de produtos agropecuários, passando os Estados Unidos.

Esse setor movimenta US$ 451 bilhões e emprega 7,5% da mão de obra no bloco.

Pecuária sustentável

Levantamento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) mostra que, de 2005 a 2009, o Brasil registrou uma queda de 36% na taxa de desflorestamento da porção nacional da Amazônia. Apesar deste progresso, de 1990 a 2015, houve uma redução de quase 55 mil hectares no tamanho de suas florestas; daí a necessidade de fomentar a produção sustentável. Em mercados onde a importação de carne bovina brasileira está consolidada, a sustentabilidade na produção não é mais custo, mas sim atributo comercial para vender. Para Fernando Sampaio, diretor executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), “desvincular as questões de desmatamento e trabalho escravo é uma ferramenta importante para ganho de market share”.

Mais biodiesel no diesel

A Lei nº 13.263, sancionada em 23 de março de 2016, elevou a mistura de biodiesel ao diesel vendido ao consumidor para 8% em 2017, 9% em 2018, 10% em 2019 e 15% nos anos seguintes. Mais recentemente, o Ministério de Minas e Energia (MME) criou um Grupo de Trabalho (GT), composto pelo governo e por representantes do setor privado, para desenvolver as ações necessárias para fazer os testes e validar a mudança na mistura. O GT tem até 23 de março de 2017 para concluir os testes relacionados ao aumento do percentual para 10% e até 23 de março de 2019 para os estudos relativos à adição de 15% de biodiesel no diesel.

Sobrevivência do seguro rural

As apólices subvencionadas para 2016 do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) estão previstas em até R$ 400 milhões, beneficiando 80 mil produtores. Em 2015, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) comprometeu-se com o equivalente a R$ 577,4 milhões em subvenção. Deste valor, cerca de R$ 200 milhões que haviam sido inscritos em restos a pagar foram quitados com as seguradoras em julho passado. Agora, as pressões dos produtores voltam-se para a execução do Programa em 2016, com o recebimento das operações já contratadas, principalmente as da safra de inverno, como trigo e milho. O MAPA criou um Grupo de Trabalho para desenvolver propostas de ajustes ao atual modelo de seguro rural.

Impacto do BREXIT para o agronegócio

A separação do Reino Unido da União Europeia mexe com o agronegócio brasileiro. Com pequena produção nesse setor, a posição dos ingleses é mais liberal nas importações de alimentos do que a dos demais países do bloco. Em 2015, as exportações brasileiras para o mercado inglês alcançaram US$ 2,9 bilhões, um quarto a menos do apresentado em 2014.

Já a exportação do agronegócio nacional para o Reino Unido somou US$ 975 milhões no ano passado, 8% a menos do que o US$ 1,06 bilhão de 2014.

Os principais itens da balança comercial brasileira com o Reino Unido são carnes, soja, café e frutas. A carne representa 40% das exportações, enquanto a soja e derivados ficam com 15%. Como o Reino Unido, na condição de não membro da União Europeia, terá de pagar taxas maiores nas importações, o produto brasileiro ganha competitividade.

Cresce uso de energia renovável

A oferta interna de energia brasileira – energia necessária para movimentar a economia – deverá ficar, no ano de 2016, em mais de 293 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (tep), contra 299,2, em 2015. Nestes dois anos, a participação da energia renovável cresceu de 41,2% para 43,5%. Este indicador faz da matriz energética brasileira uma das mais limpas do mundo. Os dados são do Ministério de Minas e Energia (MME).

Cresce uso de energia renovável

Acesso ao Cadastro Ambiental Rural (CAR)

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, conversou com os integrantes do Projeto Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura – um movimento multissetorial da sociedade civil brasileira. Na pauta das negociações, a discussão foca, em particular, o Código Florestal e a agricultura de baixo carbono.

O grupo solicita ao ministro maior acesso aos dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) para estimular os agricultores em dia com a legislação a preservarem e recuperarem a vegetação nativa.

Promoção mundial do agronegócio

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, autorizou a publicação do acordo de cooperação técnica com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Com três eixos de atuação – eventos de promoção comercial e imagem, atração de investimentos e inteligência comercial –, o plano está orçado em R$ 12,4 milhões, sendo 30% do MAPA e 70% da Apex-Brasil, com prazo de execução de dois anos. A meta é aumentar a participação do agronegócio brasileiro de 7% para 10% no comércio mundial, estimado no valor de US$ 1,17 trilhão em 2015.

Pulverização em áreas urbanas

A Lei nº 13.301/16 autorizou a pulverização aérea de inseticidas para o controle do mosquito Aedes aegypti em áreas urbanas. A iniciativa é resultado de sugestão do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) como medida de controle do inseto vetor de doenças como dengue, chicungunya e zika. O texto aprovado permite a incorporação de mecanismos de controle vetorial por meio de dispersão por aeronaves mediante aprovação das autoridades sanitárias e da comprovação científica da eficácia da medida. A medida autoriza outras ações de combate ao mosquito transmissor, como, por exemplo, a entrada “forçada” em imóveis para a eliminação de focos em três casos: quando há sinais visíveis de abandono; após duas visitas sem a possibilidade de localizar um responsável que conceda a entrada no local; ou quando houver uma recusa expressa em permitir a vistoria do agente público.

Apoio aos biocombustíveis renováveis

A proposta da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em inglês) prevê uma quantidade de consumo de 750 milhões de etanol avançado para 2017. Nos últimos quatro anos, cerca de 4,5 bilhões de litros de etanol brasileiro encheram os tanques dos carros norte-americanos: a média anual foi de 1,125 bilhão de litros. Como o etanol de cana é considerado combustível avançado, a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (UNICA) solicita à EPA medidas para aumentar a importação de biocombustíveis renováveis de baixo carbono.