Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Reflexão

Liderança e protagonismo

Agosto de 2016

LUIZ CARLOS CORRÊA CARVALHO - Colunista

LUIZ CARLOS CORRÊA CARVALHO, Presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG)

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AS ESTRATÉGIAS brasileiras aplicadas a partir da década de 1970 levaram a produção nacional de alimentos, fibras e energia renovável a galgar as primeiras colocações no ranking mundial. No curto período de uma geração, nos tornamos o único país tropical com este privilegiado status. Revertemos uma situação crônica de importador de alimentos para um ciclo de exuberância. O Brasil passou a ser admirado como grande e consolidado provedor global de alimentos e energia renovável.

Hoje, o mundo vive uma escassez de líderes com visão global e de futuro. No agronegócio, temos peso para atuarmos com protagonismo. Esse resultado foi fruto de fortes lideranças, pessoas brilhantes e corajosas que conseguiram propiciar um ambiente de crescimento e empreendimento. As cadeias produtivas brasileiras ficaram competitivas e modernas. Desenvolvemos tecnologias próprias para enfrentar os inéditos desafios do clima tropical.

Nada disso, portanto, ocorreu da noite para o dia ou por mero acaso. Essas conquistas no universo do agro envolveram esforços em pesquisa, seja em biotecnologia, defesa sanitária, inovação em máquinas e equipamentos agrícolas, tecnologia da informação ou ações institucionais, entre outros. Ganhamos uma posição de proeminência que marcará o destino do Brasil. Hoje, o mundo conta com a oferta brasileira.

Exportamos produtos agrícolas para mais de 160 países, mas ainda há timidez na capacidade de negociação brasileira. Enquanto os acordos multilaterais da Organização Mundial do Comércio (OMC) falharam desde o começo deste século, perdemos tempo sem fazer acordos bilaterais. Agora, a introdução das questões ambientais é chave nesses acordos, em função dos compromissos assumidos pelo Brasil perante a comunidade internacional.

Como a grande moeda de troca brasileira no comércio mundial, o agronegócio pesa na construção e na execução de um plano nacional. Soma-se a isso o desafio de agregar valor para inserirmos nossos produtos com maiores margens nas cadeias produtivas globais do agro. Hoje, os consumidores anseiam por alimentos que ofereçam qualidade e permitam melhor nível de vida e de bem-estar.

O momento é complexo no mundo e confuso e tenso no Brasil. Convivemos com uma dramática crise econômica, social e política. A ética dá segurança a um desenvolvimento equilibrado, que abraça as pessoas. Essa é uma reforma essencial para um país que necessita de várias outras reformas nos campos da economia e da política. Em função de seu peso na atividade econômica e de sua predominância na grande maioria dos municípios nacionais, o agronegócio pode contribuir para o aprimoramento das práticas de valores e princípios éticos da sociedade. Para seguir seu rumo de protagonista nesse campo essencial de segurança alimentar e energia renovável, é preciso liderar em ideias e ações.

O 15º Congresso Brasileiro do Agronegócio (CBA), a ser realizado neste mês pela ABAG, com o tema “Liderança e Protagonismo”, deverá aflorar e colocar em discussão todas essas questões importantes. Como nos eventos anteriores, esperamos contribuir positivamente na formação da opinião do agronegócio e da sociedade brasileira.