Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Balanço da produção

Milho e soja com as maiores altas

Agosto de 2016

NO BALANÇO do primeiro semestre de 2016, os grãos brilharam dentre os principais produtos agrícolas e pecuários. O milho teve a maior valorização no mercado brasileiro. Foi um resultado inusitado. Considerando a região de Campinas, em São Paulo, o preço da saca de 60 quilos subiu 91,8%, frente ao mesmo período do ano passado. Logo na sequência, apareceu a soja, com alta de 25,2% no semestre.

Além de pesarem nos custos de produção da pecuária, o milho e a soja valorizados puxaram para cima os preços dos alimentos alternativos, como o sorgo e a polpa cítrica, entre os energéticos, e o farelo e o caroço de algodão, entre as fontes proteicas.

MILHO

Balanço da produção

A menor disponibilidade na temporada 2015/16 foi o principal motivo da alta de preços do cereal no mercado interno. As causas foram as exportações brasileiras aquecidas a partir do segundo semestre do ano passado e a menor produção na primeira e na segunda safras.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que, ao final da safra 2015/16, os estoques no Brasil sejam de 4,47 milhões de toneladas de milho, frente aos 10,51 milhões de toneladas estocadas na safra passada. O estoque atual é o menor desde 2011/12.

Desde o final do primeiro semestre, a pressão de alta perdeu força no mercado interno, com o avanço da colheita da segunda safra no País. Do lado comprador, também diminuiu a pressão. Para o curto e o médio prazos, espera-se o desaquecimento do mercado, mas o patamar médio de preço em 2016 deverá ficar bem acima do registrado em 2015.

SOJA

As revisões para baixo da produção na América do Sul (2015/16) e a demanda mundial firme tanto por soja grão como por farelo de soja deram sustentação às cotações na primeira metade do ano. O dólar em alta ao longo do primeiro semestre – e que, a partir de junho, recuou em relação ao real – colaborou para a valorização dos preços em reais.

Para os próximos meses, a demanda mundial e as questões climáticas, com seus impactos no desenvolvimento da safra norte-americana, devem ditar o rumo do mercado. Do lado da oferta, a disponibilidade está pequena, tanto nos Estados Unidos, que estão com as lavouras em desenvolvimento, como no Brasil, que se prepara para o plantio da safra seguinte. Esse é um fator limitante para quedas nos preços.

BOI GORDO

Balanço da produção

A baixa disponibilidade de boiadas, com a consequente dificuldade de alongamento das escalas de abate dos frigoríficos, vem sendo o principal fator que colabora com a sustentação do mercado. Isso ainda é consequência da elevada participação de fêmeas nos abates de 2011 a 2013. Por outro lado, a situação econômica vigente no País vem sendo um fator limitante para a valorização dos preços da carne ao consumidor.

Com a alta da arroba do boi gordo e a queda no preço da carne, a margem de comercialização dos frigoríficos permaneceu, a maior parte do tempo do primeiro semestre, abaixo da média histórica.

A margem de 12,3%, dos frigoríficos que desossam, está 8% abaixo da média histórica, que gira em torno de 20,5%. Para a indústria que vende a carne com osso, a situação está pior: a margem está em 2,9%, ou 12% abaixo da média. A oferta de bovinos terminados deverá continuar baixa, sustentando o preço da arroba neste segundo semestre.

LEITE

A produção nacional em queda e a forte concorrência entre os laticínios foram os principais fatores de alta do preço do leite ao produtor no primeiro semestre de 2016. Esse quadro é resultado do menor investimento por parte do produtor na atividade, por causa dos altos custos de produção e da redução das margens da atividade desde meados de 2015. Problemas climáticos em algumas regiões produtoras agravaram o cenário de queda da produção neste ano.

A preocupação, no segundo semestre, é com relação à retomada da produção a partir do bimestre setembro-outubro, que deve pressionar os preços ao produtor para baixo. Pelo lado dos custos de produção, espera-se um alívio para a alimentação concentrada, mas ainda com os insumos cotados em patamares acima dos do ano passado. As margens para o produtor de leite devem seguir apertadas. As importações brasileiras de lácteos em alta também preocupam, já que os produtos importados competem diretamente com os nacionais.