Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

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A união do setor produtivo no combate à crise da pecuária

Agosto de 2017

Teresa Vendramini - Colunista

Teresa Vendramini, Pecuarista e diretora do Departamento de Pecuária da Sociedade Rural Brasileira (SRB)

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EM MARÇO deste ano, passei a comandar o Departamento de Pecuária da SRB, missão suficientemente desafiadora pela complexidade do setor e pelo peso de estar à frente de uma entidade quase centenária. Nascida em Adamantina, pequena cidade do interior de São Paulo, faço parte da terceira geração de uma família há oitenta anos atuante no agronegócio. Minha caminhada como pecuarista foi marcada pela capacidade de inovar e me reinventar, características essenciais para ganhar espaço em um mercado cada vez mais competitivo. Cheguei à SRB junto com a nova Diretoria, empossada em março de 2017, num ano bastante desafiador para o setor.

Estruturar ações de pecuária no Brasil é tarefa árdua e requer planejamento e responsabilidade. São 165 milhões de hectares de ocupação para um rebanho de 220,6 milhões de cabeças, além de um potencial de mercado para ser reconhecida pelo mundo como modelo de atividade produtiva e sustentável. Entretanto, observamos, nos últimos meses, nossa pecuária envolvida em sérias denúncias, como o escândalo da JBS, a operação Carne Fraca e o embargo norte-americano. O setor mergulhou em uma crise que não afeta a qualidade do produto brasileiro, mas compromete a credibilidade de nossas instituições nos mercados internacionais.

O momento delicado expõe a necessidade de unir as lideranças da cadeia produtiva em prol da retomada da confiança e da força da pecuária. No mês passado, abrimos as portas da SRB para representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) responsáveis pelo Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PNEFA). Entendemos que o futuro da pecuária deve ser livre de vacinação, mas encaramos o plano como ambicioso. Para a SRB, os integrantes da cadeia produtiva vão precisar superar grandes desafios para colocarem em prática a principal meta do Programa: fazer do Brasil um país livre de febre aftosa e eliminar a vacinação até 2023. Levantamos questões cruciais, como o custo para implementação das propostas e a infraestrutura sanitária do Brasil em caso de novo foco da doença. Mais importante do que marcar o posicionamento da SRB é propor um ambiente aberto para que o produtor rural interaja, questione e compartilhe sua realidade com o Governo.

A SRB propôs, também, ao governo federal e ao ministro da Agricultura, Blairo Maggi, promover alterações imediatas na estrutura de fiscalização sanitária em todo o Brasil. Algumas soluções passam por alternativas como a mudança no modelo de inspeção, além da criação de uma Corregedoria para prevenir, inibir e investigar os funcionários que cometam irregularidades.

Seguiremos liderando ações efetivas em nome da SRB e do seu Departamento de Pecuária, privilegiando sempre o diálogo e o respeito a opiniões conflitantes. Os próximos meses serão marcados por reuniões com lideranças de associações, conselheiros, produtores rurais, acadêmicos e especialistas, a fim de debatermos soluções para a retomada da credibilidade da pecuária brasileira.