Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

ANDEF

Fórum Inovação para Sustentabilidade na Defesa Vegetal

Agosto de 2017

Mário Von Zuben, Diretor Executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef)

Recém-criada na Andef, a área de Inovação e Sustentabilidade atua em prol do estímulo às ações sustentáveis na defesa vegetal e à aplicação de ciência. Isso auxilia na criação de uma agenda estratégica de combate às pragas e às doenças, com soluções antecipadas em relação à ocorrência de problemas, de forma coordenada entre órgãos governamentais e a sociedade. Os desafios são grandes. O primeiro passo foi montar este fórum.

Teremos inicialmente duas apresentações de produtores rurais sobre o tema “Como as novas tecnologias impactaram minha vida", e, a seguir, o jornalista William Waack coordena os debates com os nossos convidados.

Alexandre Seitz, Agricultor em Guarapuava, no Estado do Paraná

Os nossos principais cultivos são: milho e soja, no verão; trigo, cevada, aveia e trigo-mourisco, no inverno; e alguma safrinha de feijão, após o milho. Refugiada da Segunda Guerra Mundial, a minha família veio para o Brasil na década de 1950. Iniciamos a atividade em 1986, numa área de 50 hectares cedida pelo meu avô. Hoje, cultivamos em torno de 2.100 hectares entre as safras de inverno e verão. Com trabalho intensivo e investimento pesado em fertilizantes, fazemos sempre rotação de culturas sem pousio. Nesse período, a produção por hectare passou de 3,6 mil toneladas para 7,2 mil, no milho, e de 2,5 mil para 4,5 mil, na soja. Nos cereais de inverno, seguimos no mesmo ritmo.

Na área de inovação tecnológica, temos como gargalo a morosidade e a demora de registro das novas moléculas. Então, com o aparecimento de outras pragas e doenças, os controles não são aqueles que buscamos. Como trabalhamos em clima tropical, com produção e controle sanitário durante o ano todo, precisamos de mais agilidade e rapidez.

Podemos citar como modelos da inovação essas novas misturas triplas de produtos fungicidas e inseticidas. A aplicação de insumos em taxa variável, junto com a subsolagem para a descompactação do solo e a manutenção da palha na cobertura do solo, faz parte dos nossos desafios.

Como um ser vivo que bebe e não come, a planta precisa absorver essa solução de solo com água e nutriente, sem escorrimento e erosão. Junto com as correções, calagem e gessagem, montamos um sistema técnico bem-sucedido. Temos de colocar a semente em cada lugar para conseguirmos melhores arranjos e espaçamentos das plantas. O sistema de plantio direto trouxe muitos benefícios para os agricultores, enquanto a rotação de culturas produz a palha e controla o avanço e a resistência das plantas daninhas.

Se nós dobrarmos a produtividade das lavouras na nossa propriedade, devemos prosseguir na tentativa de produzir mais com menos. No futuro, a disponibilidade das terras férteis estará cada vez mais perto do limite.

José Eduardo Soares Junior, Agricultor em Lucas do Rio Verde, no Estado de Mato Grosso

Participamos das primeiras culturas de soja em Mato Grosso. Foi uma história difícil, com falta de estrutura em todos os sentidos. A persistência e a vontade de vencer transformaram aquele estado no maior sojicultor do Brasil. Surgiram cidades que fazem parte da lista dos melhores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) deste País.

Nos primeiros vinte anos, o crescimento na produtividade da soja em Mato Grosso foi de 132%. Estimávamos estar, agora, com uma produtividade de 70 sacas por hectare, mas estagnamos próximo de 50 sacas por hectare. Enquanto isso, os resultados do concurso do Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB) mostram números acima do dobro disso.

Técnicos, consultores e produtores discutem sobre essa situação. Mas, entre as várias respostas formuladas, podemos garantir a produção de grãos baseada na monocultura. Pragas migraram de outras culturas para a soja, enquanto outras, consideradas secundárias, tornam-se as principais razões da perda de produtividade.

Nesses últimos quinze anos, surgiram diversas tecnologias, com as máquinas e os implementos mais modernos, além de novas cultivares mais precoces e produtivas. Entre os químicos, apareceram os inseticidas de maior eficiência, enquanto as misturas de fungicidas ajudaram muito no controle da ferrugem na soja.

De um modo geral, os custos totais de produção, em sacas de soja, ficaram muito próximos da receita com a média colhida, quando consideramos o arrendamento da terra, a prestação de serviços mecanizados e o custo de oportunidade do capital investido na terra, dentre outros fatores. Isso é preocupante.

Adquirimos a fazenda Capuaba em 1981, de 1.800 hectares, sendo 1.200 hectares de culturas anuais, considerada uma propriedade média para Mato Grosso. No final da década de 1990, começaram os prejuízos, com a ocorrência de nematoides. Mudamos o sistema de rotação de culturas, com o aporte de plantas de cobertura. Hoje, plantamos dezesseis culturas na propriedade.

Dividimos a propriedade em grandes talhões. Saímos de um sistema com pouca diversidade para outro com o máximo de plantas possível. Fomos para raízes pivotantes, fasciculadas e rasas, capazes de explorar um perfil maior do solo, de até 2,5 metros de profundidade. Reciclamos nutrientes, como nitrogênio, potássio, cálcio e magnésio. Esse complexo de raízes aumenta a diversidade de substâncias orgânicas excretadas pelos sistemas radiculares, com melhoria da atividade biológica.

Imitamos a natureza e levamos em consideração as características do solo e do clima de um país tropical. Isso trouxe um grande salto em produtividade e rentabilidade, com sustentabilidade.

Apesar de ser a principal cultura da propriedade, deixamos de plantar a soja todo o ano, para introduzir o feijão-carioca irrigado em pivô central e, agora, o feijão-caupi. Trabalhamos com as famílias leguminosas, gramíneas, crucíferas, Polygonaceae e Asteraceae (girassol e níger). Participamos de um benchmarking em que comparamos os nossos dados com outras 45 propriedades da mesma região. Nas sete safras, apresentamos a maior lucratividade com a cultura de soja.

Arnaldo Jardim, Secretário da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo

É muito importante quando as entidades, além de defenderem os seus associados, apresentam temas de interesse para toda a sociedade. A inovação e a sustentabilidade têm tudo a ver com os desafios do setor agropecuário. Daí a defesa da Ciência ser o passaporte para o reconhecimento e a chegada de novas moléculas, para incorporarmos os avanços científicos fundamentais no progresso do nosso agronegócio.

WILLIAM WAACK

É uma alegria assistir às apresentações do Alexandre e do José Eduardo. Ficamos com a sensação de um Brasil que chegará lá. Uma forma de olhar para o futuro e para frente.

Dividiremos esta conversa em dois segmentos lógicos e simples. O primeiro é uma avaliação dos impedimentos para outros produtores conseguirem os mesmos resultados desses dois palestrantes. O segundo, o trecho maior, trata do que pode, deve e está sendo feito para mudar esse quadro.

EDUARDO LEDUC

A nossa indústria não existiria sem as inovações aplicadas e mostradas nas apresentações do Alexandre e do José Eduardo. Eles inovam a ação no campo. O sucesso da indústria não existiria sem isso. Olhamos a agricultura e o Brasil, mas não podemos olhar só um setor. Há dez anos, ocupávamos a posição 40 no Índice Global de Inovação; hoje, somos o número 69. Andamos para trás, com algumas ilhas de excelência na Embraer e na agricultura. Temos casos, mas faltam uma cultura e uma orientação sobre inovação.

Em grande parte, a inovação de tecnologias vem de fora para o Brasil. Isso não tem nenhum problema, porém não é suficiente. A agricultura tropical depende muito da forma de utilizar e combinar essas inovações, numa agricultura intensiva e sustentável. Mesmo no agro do Brasil, sentimos a falta de uma agenda estratégica da inovação para direcionar os poucos recursos em termos financeiros e profissionais.

Crescemos em produtividade, com uso de boas práticas, mas, diante da intensificação da agricultura brasileira, para atender a demanda do mundo, a velocidade aumenta e precisamos ser rápidos em inovação. O CESB mostra agricultores em rompimento com a barreira de 100 sacas por hectare de soja. Em outras culturas, isso também ocorre.

No caso de pragas e doenças, é inaceitável a morosidade de sete anos em média, para, depois de solicitar o registro, o agricultor acessar moléculas que já perderam e podem perder a eficiência de forma rápida. Essa realidade atrapalha a inovação em termos de critérios rígidos e científicos. Registramos um produto, por emergência, quando uma catástrofe acontece na lavoura, sem colocação de prioridade. O senso de urgência precisa caminhar junto. A ideologia existente conflita com a Ciência e a Pesquisa. A sustentabilidade da agricultura não existirá sem inovação.

WILLIAM WAACK

Esperamos que o apego a essas ideias erradas, chamadas de ideologia, seja derrotado nessa crise. Como temos dúvidas, perguntamos se seria o caso de a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mudar essa mentalidade da falta de cultura com relação à inovação.

RODRIGO JUSTUS DE BRITO

Como executor, o locus da política pública é o poder público. No caso da inovação, a nossa legislação de defesa vegetal é de 1934. Na parte dos instrumentos regulatórios, temos as discussões atuais no Congresso Nacional, como a Lei de Proteção de Cultivares e a Lei dos Agroquímicos. Vemos um gap nesses trabalhos. O Código Florestal, uma discussão importante para o produtor, ficou dezessete anos em debate no Congresso, enquanto a lei de acesso a recursos genéticos demorou dezesseis anos. As forças políticas movem-se a favor e contra desse processo. Precisamos reciclar a cabeça do povo e da mídia brasileira. A notícia de que um cidadão brasileiro bebe 7 litros de veneno por ano, de certa forma, é uma campanha contra a inovação.

Como instituição, o papel da CNA é apresentar propostas técnicas no Congresso. Na década de 1970, o Brasil era importador de produtos alimentícios. Apesar de sermos autossuficientes hoje, estamos na zona de risco, com um timing lento de aprovação de novas tecnologias. Como as pragas e as doenças criam resistências, os produtos perdem eficiência e surgem pressões para os registros de produtos. Nos Organismos Geneticamente Modificados (OGMs), enquanto demorávamos na legalização, a soja transgênica da Argentina entrava contrabandeada no Brasil. Precisamos de uma política pública clara em relação à questão da inovação, com estabelecimento de prazos e segurança para o produtor.

WILLIAM WAACK

Não vemos esse nó desatando muito rápido. O que o Governo e os Ministérios dizem a respeito disso?

JORGE CAETANO JÚNIOR

O cidadão não entende dessas políticas públicas e questões privadas sobre tecnologia. Entre os principais produtos da pauta brasileira de exportação, de outros lugares vieram o café (Etiópia), a laranja (China) e a cana (Índia). O mesmo aconteceu com o frango, o suíno e o bovino. A tecnologia foi importante para produzir e adaptar estes gêneros às condições nacionais. Logicamente, a legislação nessa área envolve debates no Congresso Nacional.

A Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SDA/MAPA) busca reduzir os riscos de ingresso e fomentar o controle e a erradicação de novas doenças e pragas. Para fazer essa administração, precisamos de pessoas. Acontece que, de maneira geral, muitos outros órgãos públicos passam por carência de mão de obra, até mesmo para desenvolver a automação. A situação complica-se porque não há tempo para esperar um equilíbrio natural entre o hospedeiro e o parasita.

WILLIAM WAACK

Como representante que nos vê de fora, nessa perspectiva de olhar a nossa situação a partir de outro ângulo, o Alan, quem sabe, pode decidir essa questão.

ALAN BOJANIC

É uma grande ideia debater o tema da inovação e da sustentabilidade neste evento. Os benchmarks de produtividade apresentados pelos produtores foram bem oportunos. As novas projeções de crescimento populacional apontam 11 bilhões de pessoas no mundo para 2050. Tivemos a Revolução Verde dos anos 60 do século passado. Agora, vivemos a Revolução Verde 2.0 ou a 4ª Revolução Industrial, com a introdução das tecnologias da Biotecnologia e da cibernética, mais o uso de drones e a gestão de big data.

Vemos com otimismo essas safras recordes registradas no Brasil, mas precisamos colocar bem essa questão do aumento da produtividade e da diminuição do desperdício. Cabe uma premiação para os produtores que façam as duas coisas. A cultura da inovação envolve, também, o uso mais eficiente de água e energia. Da mesma forma, devemos incluir como prioridade a agregação de mais valor aos produtos agropecuários. O Brasil possui esse desafio de gerar e exportar conhecimentos das inovações nessas áreas.

WILLIAM WAACK

Gostaríamos de ouvir a Academia sobre como gerar e exportar conhecimento sobre inovação. Os próprios agricultores reconhecem que não podem fazer isso sozinhos.

EDIVALDO DOMINGUES VELINI

Os gráficos de produtividade da soja mostram agregação de renda e competitividade pela agricultura por meio da produção, da qualidade e da inovação. Apenas inovamos com qualidade, que tem como um dos principais atributos a sustentabilidade. A produção de alimentos precisará de produtividade. O estoque mundial de cereais é suficiente para suprir o consumo mundial em três meses. É assustador pensar em qualquer interrupção nesse processo.

A inovação pode ser de produto, processo, organização e comunicação. Maior produtividade da soja significa inovação de produto e processo. Nosso grande desafio é a inovação de organização e comunicação. Eventos como esse são fundamentais para articular os atores. Harmonizar e aprimorar as leis deveriam ser tarefa cotidiana seja para agrotóxicos, biotecnologia, nanotecnologia ou agricultura de precisão.

O marco legal de biotecnologia apoia-se em comitês técnicos, com revisão de conceitos e incorporação de novas informações. Uma lei rígida e antiga não consegue fazer isso. Hoje, 80% dos pesquisadores do Brasil estão na Academia, enquanto, nos países mais inovadores, 80% estão nas empresas. A interface público-privada é fundamental para conseguirmos inovação.

Temos três conceitos fundamentais a serem lembrados: eficiência, eficácia e efetividade. Eficiência é fazer uma boa gestão de recursos; eficácia é fazer a gestão de recursos com objetivos; e a efetividade é alcançada quando os objetivos são verdadeiros, efetivos e legítimos. Então, ciência faz-se com eficiência e eficácia; inovação só se faz com efetividade.

LUIZ HENRIQUE MOURÃO DO CANTO PEREIRA

Tivemos uma revisão recente do chamado Código de Ciência, Tecnologia e Inovação (CTI), que é a Lei nº 13.243, de janeiro de 2016, em fase atual de regulamentação. Existem boas vontades e intenções, mas os recursos são limitados. A inovação não está na Academia e no Estado, mas no setor produtivo. Em relação aos benchmarks internacionais, o Brasil está bem do ponto de vista da Ciência, mas pecamos na missão de levar benefícios para a sociedade, por não aceitarmos riscos e fracassos.

Estamos num momento de crise profunda. O orçamento atual do MCTIC corresponde a um terço do exercício de 2013. Há uma necessidade de parcerias e ações coordenadas. Temos alguns encaminhamentos como a Comissão Interministerial com o MAPA e outros órgãos reguladores, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

WILLIAM WAACK

Não há recursos, mas precisamos de parceira. A inovação está no setor produtivo, mas os pesquisadores estão na Academia. Como ficam as nossas cabeças?

RODRIGO JUSTUS DE BRITO

O desenvolvimento tecnológico de sementes vem da iniciativa privada. O gargalo é do ponto de vista normativo. O Governo não gera tecnologia, mas regula o seu uso. A questão é menos orçamentária e mais político-institucional. O Estado precisa priorizar novas tecnologias, como no caso de produtos agroquímicos mais modernos.

Nos últimos anos, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou mais de quinze novas tecnologias, enquanto a China, compradora dos produtos brasileiros, aprovou apenas três. Deve haver um trabalho de relações exteriores para os países importadores autorizarem a compra de commodities com produtos que possibilitam menor custo de produção. Os produtos genéricos possuem um limite, pois chegam a um ponto em que não funcionam quando as pragas e as doenças adquirem resistências.

WILLIAM WAACK

Quando falamos em parceria, exageramos quando pensamos que o setor privado anda bem, mas, ao bater na porta de um órgão público, tudo começa a complicar?

EDIVALDO DOMINGUES VELINI

Produzir e explorar inovação são questões diferentes. Como a tecnologia possui prazo de validade, precisamos trabalhar com análise crítica e fundamentada em risco. De acordo com a Emenda Constitucional nº 85, de 2015: “O Estado, na execução das atividades previstas no caput [ciência, tecnologia e inovação], estimulará a articulação entre os entes, tanto públicos como privados, nas diversas esferas de governo". Quando construímos as interfaces público-privadas, com o uso do melhor de cada um, não há limitação de recursos para ensino, pesquisa e inovação.

JORGE CAETANO JÚNIOR

Essas parcerias entre o público e o privado devem definir os desafios mais importantes a enfrentar. Nesse caso, é importante dizer o que não é prioridade, porque o recurso público é finito, seja de pessoal ou financeiro.

WILLIAM WAACK

Voltamos a falar sobre visão estratégica?

EDUARDO LEDUC

Ao fazermos a introdução de forma tardia no mercado, o prazo para explorar o valor da inovação diminui muito. Também o período de recuperar o investimento fica menor, devido ao sistema regulatório e à dinâmica das pragas e das doenças. A onda de consolidações das empresas para buscarem sinergia é um sintoma claro de que o setor privado não está bem diante dessa situação. Existe, ainda, o capital envolvido com a extensão dos vencimentos e a inadimplência na comercialização dos produtos.

Há dificuldade do setor privado em colocar objetivos comerciais nas parcerias com a Academia. Existe um paradigma contra a inovação ser protegida pela patente e a propriedade intelectual. Expor que aquilo gera riqueza e lucro parece antagonismo. É muito grande a distância existente entre a inovação acadêmica e a demanda da agricultura moderna, intensificada e tropical. Trabalhamos em alguns focos de pesquisa muito mais para comprovar a eficiência dos produtos do que para gerar a tecnologia. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) criou um setor específico para tratar disso, porque, dentro da estrutura atual, não conseguiria avançar.

Não adianta construir um laboratório e dizer que a inovação está estabelecida. Há um processo nisso, com envolvimento de educação, orientação, foco, financiamento de longo prazo e valor de mercado para o usuário final. O fim é uma molécula, um produto, uma tecnologia nova.

Escrever uma agenda estratégia de inovação no agro é fácil. Pode ser feita com profissionais que estão aqui reunidos. Em um mês de trabalho, geraremos materiais. Se nossos poucos recursos forem bem direcionados, com resiliência, num plano de dez anos, o Brasil dará um show para o mundo. Precisamos ser protagonistas e escrever a legislação brasileira de agricultura.

EDIVALDO DOMINGUES VELINI

O Brasil faz mais ou menos 3% da ciência mundial, mas produz 0,4% das patentes. O setor agro apropria e explora inovações, mas, em geral, o Brasil possui dificuldade em transformar pesquisa em inovação. Mais complexa, a inovação, além de ter o conhecimento científico, precisa conhecer o mercado. As estruturas de conhecimento enfrentam dificuldades para organizar essas interfaces em redes. Muitas vezes, a parceria nem é necessária para ter recurso, mas sim para que a iniciativa privada diga “isso é importante e vale a pena ser trabalhado".

RODRIGO JUSTUS DE BRITO

Essas tecnologias que buscam registro e autorização de uso, na verdade, são tropicalizadas; uma adaptação que veio de fora. Dado o poder discricionário do Estado, de deixar ou não ser utilizado algo, é que deve haver, por parte do Governo, uma resposta 'sim' ou 'não' para cada pedido, seja da semente ou do agroquímico – uma autorização em um tempo razoável de forma que a tecnologia não se defase.


ENCERRAMENTO

EDUARDO LEDUC

Esperamos que tenham percebido a nossa preocupação com o tema da inovação. Como foi mencionado, temos a questão da imagem. É difícil trabalhar esses dois públicos, o rural e o urbano. Nosso cliente direto está no interior e no campo. Da mesma forma, investimos para que ele entenda, aprenda e use essas novas tecnologias, havendo a mudança de pensamento e de percepção de uma sociedade. Isso não é uma missão de um setor; é de todos.

Esforçamo-nos para trazer produtos mais modernos e melhores para os produtores continuarem a aumentar a produtividade. Essa tecnologia precisa estar comprometida com a ética, a qualidade e a imagem do alimento brasileiro no mundo. Ao realinharmos e reestruturarmos a Andef, colocamos esse pilar de ciência na regulamentação e na inovação para alavancar a agricultura brasileira.

Todos estarão envolvidos e convidados, daqui para frente, à discussão desse tema da agenda de inovação na agricultura brasileira. Dispomo-nos a participar, contribuir e gerar esse discurso. Muito obrigado!


DEBATEDORES

Eduardo Leduc, presidente do Conselho Diretor da Andef

Alan Bojanic, representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) no Brasil

Jorge Caetano Júnior, secretário substituto da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SDA/MAPA)

Luiz Henrique Mourão do Canto Pereira, coordenador-geral de Saúde e Biotecnologia da Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (SEPED/MCTIC)

Edivaldo Domingues Velini, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Botucatu

Rodrigo Justus de Brito, presidente da Comissão Nacional de Meio Ambiente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNMA/CNA)