Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal

VII Fórum a Exposição Abisolo

Agosto de 2017

COM MAIS de 600 participantes, entre 5 e 6 de abril último, aconteceu em Campinas-SP a sétima edição do Fórum e Exposição Abisolo. Trata-se de um dos mais importantes eventos para a divulgação das inovações tecnológicas e do conhecimento na área de Nutrição Vegetal. Além das palestras realizadas no Fórum, houve, ainda, uma exposição de 43 empresas do setor.

Na abertura do Fórum, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo), Clorialdo Roberto Levrero, conclamou todos os empresários e líderes do segmento a se unirem para fortalecer o agronegócio de forma geral. “Acreditamos na necessidade de o consumidor final conhecer melhor os nossos trabalhos nas indústrias, bem como dos agricultores nas fazendas. Conseguiremos fazer isso com união. Por isso, a agricultura e os produtores de insumos devem caminhar com ideais comuns", afirmou Levrero.

Já o diretor do Instituto Agronômico (IAC), Sérgio Augusto Morais Carbonell, em nome da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, destacou a contribuição da tecnologia de nutrição para o crescimento da produtividade da produção agrícola brasileira. “Temos o registro de algumas culturas com aumento de até 30% na produtividade quando em comparação com a existente há trinta anos", comentou Carbonell.

Na palestra “Mecanismos de Atuação dos Biofertilizantes", o professor Átila Francisco Mógor, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), discorreu sobre os avanços da pesquisa com plantas tratadas com extrato de alga. “Além de estimular o seu crescimento, atenua os efeitos de estresse hídrico ou de salinidade das plantas", concluiu Mógor.

A apresentação do professor Paulo Roberto de Camargo e Castro, da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz" da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), intitulada “Efeitos dos Aminoácidos na Produtividade", mostrou o desafio de respostas mais eficientes das plantas com relação às aplicações de aminoácidos, como, por exemplo, o aumento do teor de potássio. “É o caso do uso de aminoácidos para estimular o crescimento das células na soja", observou o palestrante.

CRESCIMENTO DE 23% PARA 2017

Feita com base nas informações fornecidas por cerca de 150 empresas, a pesquisa projetou para a indústria brasileira de fertilizantes especiais um faturamento bruto de R$ 7,1 bilhões para 2017. “Isso representará uma expansão de 23% sobre os R$ 5,8 bilhões apurados em 2016", mostrou Anderson Ribeiro, diretor de Comunicação Social da Abisolo.

“Entre o final do ano passado, quando foi feito o levantamento, e o atual momento, houve uma piora na percepção do mercado em razão de alguns fatores: queda nos preços de soja e milho; dúvida com relação ao crédito; e incertezas no cenário político", comentou Ribeiro. Apesar disso, é notória a sequência de bons resultados: em 2016, o setor cresceu 12% em relação a 2015, depois de ter tido uma evolução de 13% de 2014 para 2015.

Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal

O total de empregos foi estimado, no ano passado, em 17 mil postos de trabalho, com crescimento anual de 18%, apesar dos recordes negativos de desemprego registrados no País. “Trata-se de emprego qualificado, pois o nosso profissional gasta até metade do seu tempo para esclarecer o agricultor sobre as formas de aplicar os produtos", acrescenta Ribeiro.

A pesquisa constatou, também, os investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) feitos pelo setor. “O levantamento mostrou uma aplicação anual de 5% do seu faturamento em P&D, o equivalente a R$ 314 milhões. Há segmentos, como o de fertilizantes orgânicos e organominerais, nos quais a taxa de investimento chega a 6%", informa Ribeiro.

No segundo dia, houve duas palestras. A primeira, “CETESB – Política Nacional e Estadual de Resíduos Sólidos", foi proferida pelo gerente de Desenvolvimento da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), Alfredo Carlos Cardoso Rocca. E a segunda, “Principais alterações nas Instruções Normativas e suas Consequências para o Setor", ficou a cargo do coordenador do Departamento de Fiscalização de Insumos Agrícolas da Secretaria de Defesa Agropecuária (DFIA/SDA), Hideraldo Coelho.

Com relação à Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), a Abisolo, em parceria com o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV), montou um projeto piloto para iniciar um processo de coleta e destinação apropriada das embalagens de fertilizantes especiais produzidos e distribuídos na cadeia de nutrição vegetal.

De acordo com o presidente do inpEV, o engenheiro agrônomo João Cesar Rando, inicialmente foram selecionadas três centrais de triagem das embalagens, localizadas em Rondonópolis-MT, Patrocínio-MG e Ponta Grossa-PR, com quatorze postos de recolhimento. A expectativa é de se recolherem 60 toneladas por ano. “O projeto teve ampla receptividade tanto por parte dos produtores rurais destas regiões, quanto de revendedores e distribuidores dos produtos", explicou Rando.

Na área de fiscalização de insumos agrícolas, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) pretende harmonizar as informações contidas nos rótulos dos fertilizantes especiais para facilitar a parte operacional dos fabricantes. “O objetivo do Ministério é estudar, junto com a Abisolo, uma forma de padronizar os termos, de forma a possibilitar abreviaturas dos termos colocados nos rótulos dos produtos. Em relação às questões mais complexas, que não possam ser colocadas nos rótulos, para dirimir as dúvidas, deixaremos uma área reservada no site do MAPA", completou Coelho.

START-UPS QUE DERAM CERTO

No encerramento do Fórum, houve um debate, coordenado pelo consultor Ivan Wedekin, da Wedekin Consultores, com a participação de Alysson Paolinelli, ex-ministro da Agricultura, Marcelo Augusto Boechat Morandi, chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, Marcos Fava Neves, consultor da Markestrat, e Arnaldo Jardim, secretário de Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo.

De forma geral, as manifestações foram no sentido de o setor de Tecnologia em Nutrição Vegetal continuar na vanguarda em termos de fomentar a inovação tecnológica para estimular o agronegócio brasileiro a se manter competitivo no cenário global. Alysson Paolinelli fez um relato histórico sobre a trajetória e as tendências futuras do seguro e do crédito agrícolas, chamando a atenção, também, para a necessidade de o agronegócio defender o trabalho da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O ex-ministro da Agricultura enfatizou, também, o papel importante que a Abisolo desempenhou no atual cenário: “vocês da Abisolo são start-ups que deram certo! São empreendedores do agronegócio".

Arnaldo Jardim, por sua vez, ratificou a necessidade de se dar atenção especial à inovação e à tecnologia, destacando o papel desempenhado pela Abisolo. “Nesse sentido, a Secretaria busca sempre incentivar ações voltadas para inovação, tecnologia e criatividade, tendo metade dos aplicativos para dispositivos móveis desenvolvidos nos últimos tempos em São Paulo sido para uso na agricultura", afirmou o secretário de Agricultura.

Marcelo Augusto Boechat Morandi ponderou sobre a necessidade do trabalho conjunto entre governo e iniciativa privada, de forma colaborativa, na busca pela inovação tecnológica, fator-chave para a competitividade.

“Apesar de enfatizar a sua importância, a tecnologia que trouxe o agronegócio até aqui não bastará no futuro se não for considerada a questão da eficiente comunicação com o consumidor final", lembrou o chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente. Ao finalizar, Morandi declarou: “nesse particular, vale recordar uma frase do ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, que afirmou que nós do agro não sabemos conversar com o povo brasileiro".

Já o consultor Marcos Fava Neves fez um balanço da economia brasileira e do agronegócio de forma específica, passando a mensagem de que o cenário geral atual é bem melhor do que o do ano passado.