Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Associação Nacional dos Produtores e Importadores de Inoculantes

A fixação biológica de nitrogênio (FBN)

Agosto de 2017

JUNTAMENTE COM a fotossíntese, a FBN é um fenômeno natural que capta o nitrogênio existente no ar e o torna disponível para as plantas como nutriente. Para administrar com mais eficiência este processo, foram desenvolvidas tecnologias para a seleção, a multiplicação e a veiculação das bactérias. Isso gerou um produto denominado inoculante, um dos grandes responsáveis pela produção rentável de soja no Brasil.

Para consolidar a produção de inoculantes, as empresas produtoras criaram, em 6 de julho de 1990, a Associação Nacional dos Produtores de Inoculantes, que, mais tarde, abrangeu também os importadores, passando a se denominar Associação Nacional dos Produtores e Importadores de Inoculantes (ANPII).

Atualmente, a ANPII congrega dez empresas, com participação em torno de 80% dos inoculantes comercializados no País. Ao longo do tempo, a Associação firmou-se como legítima representante da classe, em torno de pontos e interesses comuns, com representação junto aos órgãos de governo e atuação nos eventos técnicos e regulatórios referentes ao setor.

Em uma nova fase, a Associação inicia o desenvolvimento de pesquisas conjuntas, na fase pré-competitiva, entre todas as empresas, as universidades e os institutos, visando diminuir os custos de desenvolvimento e potencializar a capacidade do corpo técnico hoje existente nas empresas.

IMPORTÂNCIA DO INSUMO

Os benefícios do inoculante para as agriculturas brasileira e mundial podem ser medidos por meio de diversos parâmetros: economia direta para o agricultor; obtenção de divisas para o País; e significativos ganhos ambientais.

A soja, por ser uma planta produtora de um grão com elevado teor de proteína, necessita em torno de 240 kg de nitrogênio para produzir 3.000 kg (média brasileira por hectare). Isso equivale a cerca de 600 kg de ureia, no valor aproximado de R$ 900,00 para o agricultor. Esse mesmo efeito ocorre com a utilização do inoculante, com custo em torno de R$ 12,00 por hectare. Esses valores dão uma clara dimensão da importância do inoculante para a rentabilidade do agricultor e a competitividade da soja brasileira.

Como o Brasil importa 75% do nitrogênio usado nas suas lavouras, constatamos a enorme economia proporcionada pelo produto biológico. São mais 20 milhões de toneladas por ano de importações com ureia, o correspondente a 666.000 viagens de caminhão, em circulação pelas congestionadas estradas nacionais. A economia anual com uso do inoculante passa de US$ 8 bilhões.

No que se refere ao meio ambiente, a contribuição dos inoculantes também é significativa: cada 1 kg de nitrogênio aplicado na lavoura emite, em toda a cadeia, 4,2 kg de gases do efeito estufa, enquanto as emissões pelo uso do inoculante são insignificantes.

Associação Nacional dos Produtores e Importadores de Inoculantes

Em vista de todas essas vantagens, com o espírito esclarecido do agricultor brasileiro, a produção de inoculantes apresenta um crescimento constante tanto em qualidade, como em quantidade. Com reconhecimento mundial, o insumo biológico hoje oferecido ao agricultor brasileiro é de elevado padrão de qualidade, seja pelo material genético das bactérias selecionadas pela pesquisa, seja pelo que resulta do processo desenvolvido pela indústria, de modo a proporcionar elevada rentabilidade ao agricultor.

HISTÓRIA E EVOLUÇÃO

A produção de inoculantes no Brasil teve início em 1956, na cidade de Pelotas, no estado do Rio Grande do Sul, no laboratório Leivas Leite, com orientação do Dr. João Ruy Jardim Freire, da Secretaria de Agricultura do estado. Mas, foi na década de 1970, com a rápida expansão da sojicultura, que novas indústrias do insumo se instalaram em outros estados.

A partir da tecnologia desenvolvida pelo então Instituto de Biologia e Pesquisas Tecnológicas (IBPT), diversas empresas nos estados do Paraná e de São Paulo passaram a produzir inoculantes, para abastecer a sojicultura crescente na região Centro-Oeste.

Inicialmente, era produzido somente na forma de pó, tendo, então, as empresas desenvolvido produtos de mais fácil aplicação. Desta maneira, chegou-se ao inoculante na forma líquida, com abrangência em torno de 70% do mercado. A evolução prosseguiu. O inoculante em pó passou a utilizar turfas de melhor qualidade e maior aderência. E novas formas de aplicação apareceram, inclusive para aplicação antecipada à data de semeadura.

Assim, passou-se a ter inoculante de qualidade desde a pesquisa até o ponto final da cadeia. Como o agricultor brasileiro adotou plenamente essa técnica, o País assumiu a posição de líder mundial no uso de FBN.

Mas, a produção de inoculante, embora seja predominantemente dirigida para a soja, não se limita a esta leguminosa. Feijão-caupi, amendoim, trevos, alfafa e outras culturas também se beneficiam da FBN. Mais recentemente, uma novidade foi incorporada ao ferramental à disposição do agricultor: inoculantes para gramíneas. Com funcionamento diferente em relação ao que ocorre nas leguminosas, trata-se de um inoculante mais focado no desenvolvimento da planta como um todo e, hoje, já é usado em mais de ٢ milhões de hectares nas culturas de milho, arroz, trigo e pastagens.

A indústria de inoculantes progrediu pari passu com a evolução da cultura de soja. Conforme a produtividade da leguminosa e a área plantada cresceram, os insumos comercializados no Brasil pelas empresas filiadas à ANPII também deram largos passos em qualidade e quantidade. O agricultor, em todos os recantos do País, conta com a garantia de receber um produto de elevada qualidade.

A tendência é crescente no uso do produto. Depois das quedas registradas entre 2010 e 2011 em função dos problemas registrados na agricultura e na economia, a produção retomou um ritmo crescente, para atender a demanda dos agricultores brasileiros.


Solon Araújo

Queremos ressaltar o profundo comprometimento das empresas produtoras de inoculantes. Por meio dos tempos, elas souberam sintonizar-se com as crescentes necessidades de qualidade nas modernas lavouras brasileiras.

Tivemos grandes evoluções. A concentração do produto passou de 100 milhões de bactérias por grama para patamares entre 5 bilhões e 10 bilhões de bactérias por grama ou mililitro. O inoculante produzido exclusivamente em pó, veiculado em turfa, evoluiu para os produtos líquidos, mais fáceis de serem utilizados. Da aplicação em sementes, evoluiu para o sulco de plantio.

Os corpos técnicos das empresas contam com profissionais de gabarito, desenvolvendo não só atividades de produção, mas também de pesquisa e desenvolvimento, atestando o elevado padrão tecnológico da indústria de inoculantes.

José Roberto Pereira de Castro

Assim como os caminhos seguidos pela soja, a história da FBN faz parte do Brasil que está dando certo. Somando competências e esforços, as instituições públicas e privadas investem em pesquisa e desenvolvimento. Com isso, encontram meios para maximizarem o proveito de um fenômeno biológico natural.

Esse é um grande exemplo de contribuição de forma decisiva para a sustentabilidade da produção da agricultura nacional. Os enormes benefícios do uso de inoculantes hoje obtidos pelos produtores de soja, pouco a pouco, estão sendo estendidos para diversos outros cultivos.

Os ganhos possíveis e potenciais são gigantescos. A ANPII tem a missão de servir como catalisadora do processo de geração e difusão de tecnologias que contribuirão para o contínuo sucesso do agricultor brasileiro.


Diretoria

Presidente: José Roberto Pereira de Castro

Vice-presidente: Guilherme Figueiredo

Secretário: Roberto Berwanger Batista

Tesoureira: Andreza Percechitto

Secretário executivo: Solon Araujo

Associação Nacional dos Produtores e Importadores de Inoculantes

Sede: Rua Doutor Barros Monteiro, 261, sala 5 - CEP 13073-240 - Campinas - SP

Site: www.anpii.org.br