Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Pecuária de leite

Virada no mercado!

Agosto de 2017

OS PREÇOS do leite ao produtor caíram no final do primeiro semestre, pondo fim ao movimento de alta que perdurava desde o início do ano. Ainda assim, para 2017, a expectativa é de um lucro nos sistemas de média, alta e baixa tecnologias.

A produção aumentou com o clima favorável na região Sul do País. Nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás, também houve aumento, em função da queda nos custos da dieta.

Além disso, a demanda fraca na ponta final da cadeia pressionou para baixo as cotações da matéria-prima não só na fazenda, mas em outros elos da cadeia, como os produtos lácteos no atacado e no varejo.

Pecuária de leite

Em maio, segundo o Índice Scot Consultoria para a Captação de Leite, a produção de leite cru (média nacional) aumentou 1,4% em relação a abril. Em junho, na comparação mensal, houve incremento de 1,8% na captação brasileira. A expectativa é de aumento da produção em todas as regiões no curto e no médio prazos.

Desta forma, para o pagamento de julho, 6% das empresas de laticínios pesquisadas acreditam em alta de preço ao produtor, 33% em manutenção e os 61% restantes na queda nos preços do leite. Para o pagamento de agosto, 85% das indústrias apontam para recuos nos valores pagos ao produtor e o restante fala em manutenção das cotações.

O tom do mercado é de queda. A intensidade dos recuos será determinada pelo ritmo de crescimento da produção e pelo consumo neste segundo semestre. É importante destacar que o tempo mais seco e as quedas na temperatura já diminuíram a capacidade de suporte das pastagens no Brasil Central e na região Sudeste. Isso, de alguma maneira, deverá impactar a oferta de leite, até a retomada das chuvas.

De qualquer maneira, o milho e o farelo com cotações menores deverão permitir a manutenção e/ou o incremento da produção nessas regiões. No Sul do País, a produção deverá continuar em alta neste mês e no próximo, com a ajuda das pastagens de inverno e da queda nos custos da dieta.

ANÁLISE DA MARGEM DE RENTABILIDADE

O otimismo verificado no primeiro semestre deu lugar a incertezas para a segunda metade deste ano. A razão consiste no fato de o mercado do leite ter perdido sustentação mais cedo, em função da demanda fraca e da retomada da produção. Com relação à demanda, não é esperada melhoria ou recuperação do consumo interno, em função da situação econômica vigente, nem crescimento das exportações.

Já a produção de leite, no quarto trimestre, com a chegada das chuvas, deverá vir com força. Este já é o período de safra em Minas Gerais, São Paulo e Goiás, e a expectativa é de redução da margem com a comercialização do leite. Apesar da queda na cotação, os custos de produção caíram em uma proporção maior, com a manutenção crescente da margem do produtor em junho e julho. A cotação do leite ao produtor caiu 1,5% nesse período, enquanto os custos de produção recuaram 5,8%.

Pecuária de leite

No curto e no médio prazos, a expectativa é de interrupção na queda dos custos de produção, com a possibilidade de até haver aumento, diante do cenário firme de preços para os farelos e a melhoria do desempenho da exportação. Desta forma, com as prováveis quedas de preços ao produtor, a margem da atividade leiteira deverá estreitar-se neste mês e nos próximos dois meses.

A partir daí, com as chuvas regulares e a retomada do vigor das pastagens, os custos de produção deverão cair devido a uma necessidade menor, por exemplo, de suplementação do rebanho. Ou seja, a situação da margem para o produtor dependerá do ritmo de queda nos preços do leite durante a safra no Brasil Central e na região Sudeste.

A expectativa é de estreitamento das margens nos próximos meses, mas o cenário deverá ser melhor do que o verificado no segundo semestre do ano passado, quando os custos de produção em alta prejudicaram o resultado da atividade.

Em 2017, a estimativa é de um lucro de R$ 0,119 por litro de leite nos sistemas de média a alta tecnologia e de R$ 0,096 por litro nos sistemas que adotam pouca tecnologia. No ano passado, os lucros médios foram de R$ 0,025 por litro e R$ 0,015 por litro para média/alta tecnologia e baixa tecnologia, respectivamente.