Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

O agronegócio é o seguinte

Ciclo de baixa da borracha

Agosto de 2018

EM POUCOS meses, o Brasil vivenciará mais um processo eleitoral, em que serão definidos os principais cargos dos poderes Executivo e Legislativo em âmbito federal e estadual: presidente da República, governadores, senadores e deputados federais e estaduais. O novo ciclo que se iniciará no Brasil a partir do início do ano que vem será um dos mais desafiadores desde o processo de redemocratização.

A herança que o próximo presidente receberá no campo econômico, em 2019, não será das melhores. Além disso, haverá pouco tempo de trégua antes de ele ser cobrado pela população acerca de uma solução efetiva para os problemas econômicos. Para o seu sucesso, contarão muito a sua capacidade de articulação junto ao Legislativo e a sua capacidade de promover reformas.

No setor produtivo, a indústria brasileira de borracha passa por um momento delicado. O mercado sofreu uma mudança radical quando em comparação ao cenário do começo da década. Com o aumento das plantações de seringueira acima do previsto por alguns países asiáticos, há uma superoferta do produto no mercado mundial, o que provoca a queda nos preços. Em São Paulo, maior estado produtor, o preço do coágulo não cobre os custos de produção. Para os produtores que empregam alta tecnologia, a tendência é uma volta mais rápida ao equilíbrio; para os demais, pode ser difícil continuar na atividade.

O biogás, produzido pela digestão anaeróbica controlada de material orgânico, é uma das melhores alternativas para a produção de energia renovável: contribui significativamente para a redução da emissão de gases do efeito estufa, além de gerar energia elétrica e produzir biofertilizantes. Com algum tratamento, pode transformar-se em biometano, praticamente indistinguível de gás natural. Desta forma, o biogás permite a transformação de um passivo ambiental em um ativo energético relevante. Segundo a Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás), somente o setor sucroenergético teria o potencial de produzir 56 milhões de metros cúbicos de biometano por dia – o equivalente a metade do consumo de óleo diesel do setor agropecuário – ou adicionar uma capacidade de geração elétrica de mais de 10.500 megawatts, o que é quase 80% da capacidade da usina de Itaipu.

Sobre o mercado de combustíveis, a discussão do momento é sobre a venda direta de etanol, sem passar pelas distribuidoras, como uma possível maneira de reduzir o preço ao consumidor. O tema é regulado pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que determina a obrigatoriedade de comercialização em todos os elos: produtor-distribuidor-revenda. A venda direta pode ter impactos dos pontos de vista empresarial e de políticas públicas, e tais impactos precisam ser entendidos e debatidos.

Atento à atual dinâmica dos negócios realizados entre produtores rurais, agentes intermediários e instituições financeiras, o Banco Central do Brasil (BACEN) baixou a Resolução nº 4.631, em 22 de fevereiro de 2018. A norma permite a contratação de agente como intermediário no fluxo de negócios e no cadastramento de produtores nas operações definidas pelo Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR). Esse procedimento indica o início de uma revolução no ambiente da distribuição de insumos, pois existem mais de 1.500 distribuidores de insumos em condições de prestar serviço no setor bancário, o que ampliará as assistências técnica e financeira nas modalidades de crédito rural e seguros. O setor, antes voltado apenas para mediar vendas, muitas vezes com margens apertadas, reinventa-se de forma gradual.

Ainda sobre crédito para o agro, o SNCR estabelece as regras para os agentes financeiros suprirem a agricultura de recursos nas operações de custeio, investimento, comercialização e industrialização. Com a queda na taxa básica de juros (Selic), outras linhas de crédito mais flexíveis, como os Créditos Diretos ao Consumidor (CDC), concorrem com o crédito rural. Presente em todas as unidades federativas, o Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob), com 4,1 milhões de cooperados, possui significativa participação nacional e grande capilaridade.

O nitrogênio é uma das tecnologias vitais para a produção agrícola. Apesar da possibilidade de aplicação de fertilizantes nitrogenados, a Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN), que utiliza simbiose entre planta e microrganismos, tornou-se a principal fonte de nitrogênio das leguminosas. Esta é a tecnologia mais rentável para o agricultor, com uma relação custo-benefício única no cenário agrícola. Estima-se que a dispensa do uso de fertilizantes nitrogenados na cultura de soja, via a aplicação de inoculantes (insumo fornecedor da bactéria para a FBN), gera uma diminuição da importação de nitrogenados da ordem de US$ 7 bilhões a US$ 10 bilhões, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Com todo o conhecimento e a experiência adquiridos na carreira diplomática junto ao Itamaraty, Rubens Barbosa participa da entrevista do mês. O ex-embaixador nos Estados Unidos e no Reino Unido oferece uma visão atualizada sobre a geopolítica global. A decisão do governo brasileiro de acessar a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) obrigará o País a ajustar-se a alguns dos cerca de 240 acordos, códigos e regulamentos em vigor. Na sua perspectiva, educação, tecnologia e inovação devem estar no topo da lista de prioridades do Governo e do setor privado.

O Caderno Especial da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo) na Agroanalysis completa a sua décima edição. Ao longo desse tempo, foram trazidas informações de qualidade para os públicos ligados direta e indiretamente à cadeia de nutrição vegetal; mensagens para trazer competitividade ao produtor, às empresas associadas e ao agronegócio nacional. A entidade comemora o décimo quinto aniversário. A cada ano, os seus levantamentos e as suas pesquisas captam dados para construir um histórico de conhecimento sobre o setor. São informações preciosas para a formulação de cenários e a elaboração de planejamentos estratégicos.