Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Agrodrops

Setembro de 2016

Seleção dos adidos agrícolas

Foram divulgadas as novas regras para a seleção de adidos agrícolas nas missões diplomáticas brasileiras no exterior. Os cargos deverão ser ocupados por servidores de carreira do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Atualmente, o Brasil possui adidos agrícolas em oito países/blocos: Argentina (em Buenos Aires), Estados Unidos (Washington), União Europeia (em sua capital, Bruxelas), China (Pequim), Rússia (Moscou), África do Sul (Pretória), Organização Mundial do Comércio – OMC (em sua sede, Genebra) e Japão (Tóquio). Agora, este número vai subir para 25.

Realocação dos recursos para seguro rural

O Comitê Gestor Interministerial do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) realocou recursos do seguro rural da safra de 2016/17 da verba inicial destinada às culturas de inverno para o grupo de grãos de verão. Esse valor adicional permitirá apoiar quase 40 mil apólices em todo o País, com benefício direto aos produtores de soja e milho principalmente.

Realocação dos recursos para seguro rural

Carne bovina para os Estados Unidos

Depois de dezessete anos de negociação, foi concluído o acordo dos governos brasileiro e norte-americano para o comércio de carne bovina in natura. O pacto envolveu a troca de documentos sobre equivalência de controles de carne bovina. Com isso, o Brasil poderá negociar com países mais exigentes, como Japão, Coreia do Sul, Canadá e México. Estes destinos empregam o padrão norte-americano de sanidade. Maior importador do produto nacional, os EUA já compravam carne industrializada do Brasil.

Agora, o Brasil faz parte da cota dos países da América Central, de 64,8 mil toneladas anuais, com tarifa de 4% e 10%, conforme o corte da carne. Nas exportações sem limite de quantidade, a tarifa é de 26,4%. Com frigoríficos habilitados a exportar carne in natura, têm-se quatorze estados (Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins) e o Distrito Federal.

Prioridade para registro de defensivos

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) definiu oito pragas de maior risco fitossanitário que terão prioridade na análise e no registro de defensivos, de acordo com a Portaria nº 82, de 12 de agosto de 2016, assinada pela Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA).

Prioridade para registro de defensivos

Novo ciclo pecuário

Com a queda de consumo e as exportações mais lentas de carne bovina, os frigoríficos enfrentam problemas para escoar a produção e pressionam para baixo os preços do boi gordo. Por outro lado, a menor oferta de animais terminados não provoca forte depreciação da arroba. Grande indicador da mudança do ciclo de alta para o de baixa nos preços pecuários, depois de dois anos de alta, o valor do bezerro estacionou. O aumento de matrizes retidas deve gerar mais animais desmamados, enquanto a conjuntura do consumo interno depende do ritmo da economia.

Apoio aos biocombustíveis renováveis

A proposta da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em inglês) prevê o consumo de 750 milhões de etanol avançado para 2017. Como o etanol de cana é considerado combustível avançado, a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (UNICA) solicita à EPA medidas para aumentar a importação de biocombustíveis renováveis de baixo carbono. Nos últimos quatro anos, cerca de 4,5 bilhões de litros de etanol brasileiro encheram os tanques dos carros americanos: a média anual foi de 1,13 bilhão de litros.

Taxa verde na gasolina

Tributo especial de competência exclusiva da União, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) foi criada pela Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, na presidência de Fernando Henrique Cardoso. Seu objetivo era financiar a construção de estradas. De 2002 a 2015, a participação da CIDE no preço de bomba da gasolina C caiu. Como isso reduziu a competitividade em preço do etanol, esta cadeia produtiva foi muito prejudicada. O setor sucroalcooleiro defende a proposta de transformar a CIDE em uma green tax (“taxa verde”), já existente em outros países, como forma de beneficiar os combustíveis renováveis e taxar mais os poluentes.

Taxa verde na gasolina

Apagão no estoque de suco de laranja

O cenário é de preços altos na caixa da laranja, que dobrou para R$ 22 em comparação a setembro de 2015. A tonelada do suco foi de US$ 1.800 para US$ 2.300 e ruma mais para cima. Esta elevação pode provocar mais queda no consumo mundial. Devido a problemas climáticos, a safra nacional de laranja deverá ter outra quebra seguida e ficar em 246 milhões de caixas (queda de 18% em comparação à anterior), segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR). Com isso, a produção brasileira de suco ficará em 708 mil toneladas, contra uma demanda de 1,08 milhão de toneladas. Pela primeira vez na história do País, os estoques brasileiros de suco de laranja deverão estar praticamente zerados em junho 2017, segundo Ibiapaba Netto, diretor executivo da CitrusBR.

Apagão no estoque de suco de laranja

Acordo do clima firmado em Paris (COP-21)

A Câmara dos Deputados aprovou o projeto de decreto legislativo que atesta que o Brasil é signatário do acordo do clima firmado em Paris (COP-21), em que se compromete a limitar o aumento da temperatura média global a 2 °C. Entre os compromissos assumidos, estão a restauração e o reflorestamento de 12 milhões de hectares previstos no novo Código Florestal, a recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas e a integração de outros 5 milhões de hectares de lavoura-pecuária-floresta. Com tramitação em regime de urgência, o texto ainda precisará ser apreciado pelo Senado, onde deverá ser relatado pela senadora Kátia Abreu.

Carne bovina na Cota 481

O Brasil pleiteia participar do chamado grupo de High Quality Beef (Carne de Alta Qualidade), criado em 2009, que contempla um volume de 48,2 milhões de toneladas. Conhecida como Cota 481, a União Europeia estabeleceu este regime como forma de compensação aos Estados Unidos, após a vitória deste país no painel contencioso dos hormônios na Organização Mundial do Comércio (OMC). Além dos americanos, Austrália, Argentina, Canadá e Uruguai também possuem acesso à cota. Os animais devem ser abatidos até os trinta meses de idade após serem alimentados nos últimos cem dias com dieta de alta densidade energética, com 62% de grãos concentrados.

Cenário promissor

A agropecuária brasileira tem um cenário promissor, segundo o estudo Brasil Projeções do Agronegócio 2015/16 a 2025/26. O trabalho é feito anualmente por técnicos da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SPA/MAPA) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A safra de grãos e a produção de carnes puxam esse crescimento. Esta expansão da agropecuária exigirá investimentos em infraestrutura, pesquisa e financiamento. A produtividade, aliada aos mercados interno e externo, continuará como o principal fator a impulsionar o crescimento da produção agrícola.

Cenário promissor