Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Opinião

A dimensão da agropecuária paulista

Setembro de 2016

ARNALDO JARDIM - Colunista

ARNALDO JARDIM, Deputado federal licenciado (PPS-SP) e secretário de Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo

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INICIAMOS NO dia 1º de agosto o Levantamento Censitário das Unidades de Produção Agropecuária do Estado de São Paulo (LUPA). Trata-se do censo agropecuário paulista, essencial para guiar as ações do governo do estado em favor do único setor da economia que sustentou crescimento em meio à crise atual. Queremos saber quantos e quem são os nossos amigos do campo, quais culturas são desenvolvidas e como está a incorporação prática dos resultados de nossas pesquisas.

É olhar com lupa cada propriedade rural paulista, detalhar o potencial, identificar as oportunidades e, assim, buscar atender as demandas. O anúncio da realização do LUPA pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) foi feito pelo governador Geraldo Alckmin em uma data mais do que especial: 28 de julho, Dia do Agricultor. Em menos de dez dias de trabalho, já havíamos realizado o levantamento em pelo menos 2.750 propriedades.

O agropecuarista é o foco principal neste levantamento, ainda mais importante diante da incerteza da realização do Censo Agropecuário pelo governo federal. Nossa Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) está em campo com equipamentos conectados à internet, permitindo a atualização em tempo real dos dados coletados no LUPA de 2007-2008 e com a mobilização de funcionários dedicados que honram a instituição.

O levantamento de 2007-2008 identificou 324.601 Unidades de Produção Agropecuária (UPAs), sendo que a maioria delas, 23,95%, tem até 20,50 hectares, representando 2.467.251,29 hectares paulistas. Na ocupação do solo, a área complementar predominava em 268.485 propriedades, representando 82,71% do total.

Na pecuária, o domínio era da bovinocultura mista, que estava em 116.026 propriedades, somando 4.489.161 cabeças. O LUPA organiza, também, os números sobre laranja (presente em 20.720 UPAs), milho (51.694), café (23.737), soja (7.816), feijão (10.290), banana (7.707), tomate (2.153), batata (817) e limão (5.887), além das culturas anuais e perenes.

Apoiados pelo corpo técnico do Instituto de Economia Agrícola (IEA), da SAA, cerca de 850 dos nossos extensionistas percorrerão, até julho de 2017, os 645 municípios paulistas para aplicar questionários individuais. Este trabalho contará, ainda, com o apoio de prefeituras municipais e entidades do setor, o que ampliará a nossa capacidade de bem retratar a realidade.

São novos dados a serem somados àqueles fornecidos pelo homem do campo no preenchimento do Cadastro Ambiental Rural (CAR), ainda sendo realizado. Conseguiremos um cruzamento interessante das informações sobre a conservação ambiental com os dados sobre a produção. Teremos condições de mapear iniciativas alinhadas à atualidade, como o plantio direto e a produção de orgânicos, e condições de enumerar os rebanhos, detalhar o uso da hidroponia, das sementes geneticamente melhoradas e do cultivo em estufas e as práticas de conservação do solo.

É essencial esse conjunto de dados e informações para embasar a formulação de políticas públicas e verificar a eficácia e a eficiência das já executadas, dando, assim, consistência e perenidade às iniciativas e estimulando a busca de incremento da produtividade e o aumento da renda aos agricultores e aos produtores rurais paulistas.