Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Reflexão

Liderar e ter protagonismo

Setembro de 2016

LUIZ CARLOS CORRÊA CARVALHO - Colunista

LUIZ CARLOS CORRÊA CARVALHO, Presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG)

Outros textos do colunista

OCORRIDO NO mês passado, tendo como tema “Liderança e Protagonismo”, o 15º Congresso Brasileiro do Agronegócio (CBA) trouxe à tona diversos assuntos relevantes. O reconhecimento da evolução excepcional do agronegócio brasileiro nos últimos trinta anos é evidente. O setor passou do papel de importador para a posição de segundo maior exportador de produtos agroindustriais no Planeta.

Os painéis mostraram que a incorporação das nossas terras do Cerrado, graças ao desenvolvimento tecnológico brasileiro na lógica tropical, mudou o sentido da simples adaptação das práticas feitas para o mundo temperado. Por outro lado, são grandes as preocupações com as dificuldades financeiras das instituições de pesquisa e desenvolvimento no País, com o agravante do baixo porcentual dos orçamentos das empresas privadas aplicados em inovação tecnológica.

Face à sua expressiva participação no PIB nacional, caracterizou-se o fato que o agronegócio precisa estar mais ativo nas discussões dos grandes temas nacionais. A velocidade das mudanças estruturais no mundo atual obriga uma reflexão quanto ao modelo de atuação das entidades nas várias cadeias produtivas, principalmente com o foco de mais mercado e menos governo, levando à valorização da atuação nos temas transversais do setor.

Existe uma concordância de que os diagnósticos já foram realizados. É preciso, portanto, ação. O desafio é grande, diante de um ambiente internacional estagnado, com o Brasil em recessão, tendo de controlar seu monumental déficit fiscal.

O fato de os primeiros sinais de recuperação da economia poderem ser vistos traz ânimo. Temos de superar a falta de confiança dos investidores. O modelo econômico falido implantado pelo Governo nos últimos anos terá de ser revisto. O Brasil é rico em recursos naturais, com grande população e necessidade de brutal esforço em educação, porém carece de capital.

Precisamos de políticas aceleradoras na implementação dos projetos em infraestrutura. Os custos da logística precária certamente travarão a expansão da oferta de produtos pelo agronegócio brasileiro. O País é estimulado a responder, nas próximas décadas, pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), por 40% do adicional da produção de alimentos no mundo. Isso origina-se da lógica dos limites do Planeta e da caracterização do Brasil como um dos poucos países em condição de expandir a oferta de produtos alimentares neste século XXI.

A ética nos negócios e nas relações entre as áreas públicas e privadas constitui a mudança fundamental esperada nesta fase do Brasil pós-
mensalão e em plena operação Lava-Jato. A discussão estende-se à importância de buscar um padrão baseado em menos intervenção de governo e mais mercado, no entanto sempre com ética. As questões transversais ganham dimensão na luta por reduzirem o custo Brasil e valorizarem as distorções do mercado. A proposta recomenda maior integração das entidades em torno destes objetivos comuns.

Para tanto, as reformas trabalhista, tributária, previdenciária e política representam as mudanças estruturais reclamadas pela sociedade. Os impactos terão consequências importantes na disponibilidade de recursos para crédito, seguro e orçamento público essencial.