Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

ABCBio

Incentivos aos produtos biológicos

Setembro de 2016

PANORAMA ATUAL E PERSPECTIVAS

ENTRE 2011 e 2014, o mercado mundial de produtos biológicos destinados à agricultura teve crescimento médio de 15,3% ao ano, segundo levantamento feito pela CPL Business Consultants. No Brasil, a expectativa é manter essa curva ascendente com espaço para um incremento ainda maior, de até 20% ao ano, como observado nas vendas de biofungicidas em 2015. Mas, se por um lado, há demanda por essa tecnologia no campo, por outro, faltam produtos para atender o mercado em larga escala.

A indústria agrobiológica movimenta anualmente em torno de US$ 2,3 bilhões em vendas em todo o mundo. As soluções microbianas, na área da indústria agrobiológica, derivam de vários microrganismos naturais: as bactérias, os vírus e os fungos, que protegem as colheitas contra pragas e doenças e aumentam a produtividade agrícola.

Hoje, o uso de vírus, bactérias e parasitoides representa uma fatia ainda pequena, de 1% a 2%, do mercado brasileiro, dominado em larga escala pelos agroquímicos. Na Europa, eles já representam entre 14% e 16% e, nos Estados Unidos, 6%.

No Brasil, 63 empresas detêm registro de agentes que atuam no controle de pragas, sejam macrorganismos (insetos e ácaros) ou microrganismos (vírus, fungos e bactérias), além de produtos para combater doenças. Ao todo, representam 1,7% das formuladoras de biológicos no mundo, segundo dados levantados pela ABCBio. Os Estados Unidos possuem 50,4% da fatia mundial desse mercado e 41% das patentes dos produtos.

O recente movimento de aquisições e fusões entre as corporações gigantes dos defensivos químicos revela uma política global de olho voltado para a demanda crescente por produtos biológicos.

Desde 2010, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) incentiva os biológicos, com a promoção de eventos e o deslocamento de técnicos exclusivamente dedicados ao registro. De 2010 a 2016, a quantidade de defensivos biológicos registrados passou de 7% para 60% em comparação à quantidade de defensivos convencionais registrados.

O Governo demonstra estar convencido e interessado em fomentar esse tipo de produto. As pesquisas de mercado apontam que, até 2020, os biológicos representarão 10% dos produtos registrados e 15% do faturamento do mercado no Brasil.

Ao contrário de países onde o controle biológico é feito quase exclusivamente em casas de vegetação, no Brasil é realizado em áreas abertas. Mesmo assim, o País já possui programas comparáveis aos melhores do mundo, apesar da menor disponibilidade de inimigos naturais comercializados pelas empresas.

Na verdade, além de terem ciclos de desenvolvimento mais rápidos do que outras inovações agrícolas e uma aplicação geográfica e agrícola mais ampla, as soluções biológicas são sustentáveis e rentáveis, já que a intenção é aumentar a colheita com um investimento menor.

A INOVAÇÃO NO BRASIL É ALAVANCADA PELO AMBIENTE TROPICAL

O atual estágio tecnológico do segmento de controle biológico de pragas no Brasil não deve nada ao existente em outros países. Diversas empresas nacionais conseguem competir com fabricantes internacionais, com a manutenção da qualidade e da eficiência dos produtos. Por sua vez, vários organismos similares aos existentes no exterior são utilizados aqui, mesmo com necessidade de adaptações em função das peculiaridades climáticas brasileiras.

A maioria das empresas nacionais apresenta uma evolução expressiva nas formulações e no desenvolvimento de novos organismos, assim como em formas de aplicação e melhor adaptação dos organismos ao clima. Acredita-se que, num futuro próximo, alcançaremos o melhoramento de microrganismos, por meio da alteração das técnicas de seleção. No caso brasileiro, as características tropicais também estimulam a inovação e o desenvolvimento de novos produtos, uma vez que os problemas fitossanitários ocorrem durante o ano todo.

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Além do investimento em inovação tecnológica realizado pelas empresas, cabe registrar as contribuições prestadas pelos vários institutos de pesquisa oficiais para o surgimento das novas tecnologias hoje disponíveis no mercado. Não obstante, ainda há muitas tecnologias e práticas de manejo para serem desenvolvidas. Como está em estágio inicial, o controle biológico deve absorver muito conhecimento a ser gerado pela área de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D).

REDUZIR O TEMPO DE ESPERA É A META

O registro de produtos biológicos é uma das prioridades do governo federal. Nesse sentido, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Ministério da Saúde, atua para aprimorar a regulação e reduzir o tempo de espera na fila para avaliação toxicológica dos produtos agrotóxicos de origem biológica.

Do ponto de vista da saúde humana, os defensivos biológicos são alternativas seguras para o controle de pragas agrícolas. Estas tecnologias valem-se de inimigos naturais das pragas, são menos agressivas aos seres humanos e ao ambiente, além de representarem importante alternativa para reduzir os custos da produção.

Nos últimos anos, houve um aumento significativo dos pedidos de registro de produtos fitossanitários de origem biológica, seja para utilização na agricultura convencional, seja na agricultura orgânica. A concessão de registro destes produtos favorece a expansão da sua utilização e a redução do uso de agrotóxicos de maior toxicidade.

No esforço de atender a determinação do Decreto nº 4.074, de 4 de janeiro de 2002, a Anvisa realiza diversos estudos e trata com prioridade a análise dos pedidos referentes aos produtos biológicos. Todos os pleitos submetidos até o momento para os produtos destinados à agricultura orgânica foram analisados, sem nenhum pedido de registro na fila no aguardo da avaliação toxicológica do produto formulado fitossanitário.

CONTROLE DE QUALIDADE

A ABCBio instituiu o Programa de Conformidade de Insumos Biológicos, cujo objetivo principal é conferir maior confiabilidade ao segmento. Esta iniciativa é prioritária, em função do aumento dos casos de produtos comercializados de forma irregular, sem certificação ou controle de qualidade.

Esses problemas são decorrentes do expressivo crescimento registrado nos últimos anos nas vendas de defensivos agrícolas biológicos. De acordo com a ABCBio, a utilização de produtos irregulares “pode ser insegura para o meio ambiente e para os humanos, assim como de duvidosa eficácia agronômica".

Para facilitar a verificação dos produtos, a ABCBio auxilia nas análises, feitas por laboratórios renomados, dos produtos com alguma suspeita. A ênfase é que todo produto que contenha um agente biológico de controle deve seguir legislação específica e passar por vários testes. O uso de produtos não conformes por parte dos agricultores configura-se como uma ilegalidade.

A produção e a comercialização de produtos irregulares (ilegais) podem ocasionar contaminação biológica, proliferação de patógenos humanos, descontrole de pragas na lavoura onde é aplicado, além de não dar os resultados esperados pelo produtor. Este último efeito colateral do uso de produtos sem registro é especialmente grave para o segmento, pois coloca em dúvida a eficácia dos defensivos biológicos, fator primordial para garantir a credibilidade de um segmento que tem reconhecidas vantagens ambientais e econômicas e que vem contabilizando amplo crescimento.

Especialmente no caso brasileiro, a área de biodefensivos tem conseguido um grande destaque em razão da importância que os produtos de controle biológico tiveram em recentes e graves problemas fitossanitários surgidos em algumas culturas. O exemplo mais marcante desta situação foi o aparecimento da Helicoverpa armigera, sobretudo no oeste baiano, além do mofo branco.

BIOCONTROL LATAM 2016

Com a participação dos maiores especialistas mundiais da indústria de defensivos biológicos, será realizado, de 15 a 17 de novembro, em Campinas, no estado de São Paulo, o Biocontrol LATAM 2016 Conference & Exhibition. Este é considerado o mais importante evento internacional do segmento. Organizado pela New Ag International, editora de uma das principais publicações técnicas sobre uso de biológicos, e pela 2BMonthly, o encontro contará com o apoio da ABCBio.

A conferência deverá atrair a atenção de agrônomos, cientistas, produtores rurais, consultores, institutos de pesquisa, fornecedores e distribuidores de produtos biológicos, traders, acadêmicos, agentes governamentais, representantes de cooperativas, investidores de risco, executivos do setor financeiro, prestadores de serviços, jornalistas e demais profissionais ligados ao segmento.

Para os promotores e os organizadores, um dos principais objetivos da conferência será contribuir para a disseminação de conhecimento e uma melhor compreensão do papel e do uso das soluções de controle biológico na agricultura. Também será o local ideal para: atualização sobre as modernas tecnologias utilizadas no setor; conhecimento das tendências de mercado na América Latina e no mundo; e inteiração sobre o atual estágio da regulamentação sobre controle biológico na América Latina.

Além das palestras, o Biotontrol LATAM envolverá, ainda, uma exposição com a presença de empresas da Alemanha, do Brasil, da Bélgica, dos Estados Unidos, da Itália, do México, da França e da Suíça. Para obter as informações sobre a grade de palestras e os eventos paralelos e fazer a inscrição, acesse o seguinte site: www.biocontrollatam.com.

ABCBIO INTEGRA A BPG

A ABCBio é uma das integrantes da Federação Mundial das Indústrias de Biodefensivos (BioProtection Global – BPG), fundada em 2014, na Suíça, com os objetivos de:

- Alcançar a harmonização internacional em relação à regulamentação de soluções de controle biológico de pragas; e

- Ser a interlocutora mais importante entre os organismos governamentais e não governamentais no que diz respeito aos - biodefensivos- .

A criação da BPG ganha importância especial num cenário onde as indústrias de biocontrole experimentam intenso crescimento no mundo, decorrente das exigências dos consumidores e das necessidades dos produtores de alimentos, pressionados cada vez mais por pragas resistentes ao controle químico convencional.