Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

O agronegócio é o seguinte

Esperando as mudanças

Setembro de 2016

COM A definição do impeachment da presidente Dilma Rousseff, deverá haver uma ação mais agressiva do governo Temer, agora não mais interino. As medidas mais drásticas de ajuste fiscal serão empurradas. A Agroanalysis acredita que o presidente Temer terá força política para passar suas medidas pelo Congresso. Com isso, os investimentos voltam e a economia destrava.

A inflação mostra trajetória de queda, e o dólar fica mesmo na faixa atual. Os dois grandes problemas serão as reformas da previdência e trabalhista, ambas fundamentais para o País. Teremos meses emocionantes à frente.

No campo, para este ano, as estimativas de lucro com o confinamento de bovinos, para a entrega do animal terminado em novembro próximo, estão sendo revisadas para baixo com a pressão de baixa no mercado físico. Isso reflete as quedas nas cotações da arroba no mercado futuro. Diante desse cenário, vale a pena fazer a conta, apurar o custo e o resultado da fazenda e comparar ao custo de oportunidade de outros investimentos. O risco de mercado está grande, a começar pela margem das indústrias, ineditamente baixa. Isso, certamente, reduzirá o espaço de alta para a arroba e pode até imprimir preços abaixo dos projetados no futuro.

A eficiência da relação entre os fornecedores de cana e a indústria processadora é fundamental para a competitividade do agronegócio brasileiro. A assimetria de poder e a dificuldade em compartilhar informações sobre a qualidade da matéria-
prima requerem o desenvolvimento de formas de coordenação que permitam uma relação mais harmônica entre as partes. O caso da parceria entre a usina Coruripe e os fornecedores de cana da CANACAMPO no município de Campo Florido, no estado de Minas Gerais, é um exemplo nessa direção, de modo a garantir um maior equilíbrio de forças entre os participantes.

Em um país de dimensões continentais como o Brasil, economias com logística representam um diferencial significativo para as cadeias de grãos. As grandes áreas de produção se encontram distantes dos principais portos. Com baixa capacidade para estocagem dentro das propriedades agrícolas, os produtores precisam escoar as suas safras após a colheita, com maiores riscos de não aproveitarem o melhor preço de venda do grão e, ainda, pagarem valores de pico para o frete rodoviário. A comercialização da soja na safra 2014/15 na região do município de Sorriso, no estado do Mato Grosso, mostra a vantagem dos produtores que possuem condições de realizar a sua armazenagem.

No mundo das relações comerciais, é importante entender se as regras brasileiras à importação poderiam desestimular os fabricantes de alimentos estrangeiros a trazerem seus produtos para o Brasil com o objetivo de exporem em feiras e outros eventos do setor. No geral, a legislação nacional é satisfatória. A prova disso é a constante busca do nosso País como local para exposições e feiras internacionais. No caso da carga tributária sobre a importação de produtos alimentícios, para fins de comercialização no País, por exemplo, ela é de 35%, em média, podendo chegar a até 45% do valor do produto. No entanto, a legislação brasileira garante o ingresso de produtos alimentícios no Brasil sem que haja recolhimento de tributos pela importação, desde que o objetivo seja sua exposição em feiras.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), outros institutos de pesquisa e universidades têm realizado esforços para disponibilizar conhecimentos, informações e tecnologias para planos do governo federal e para os agricultores. Estes esforços visam à sustentabilidade econômica, ambiental e social dos sistemas de produção agrícola. No MAPITOBA, inúmeras são as ações desenvolvidas, destacando-se as relacionadas às geotecnologias, que englobam os sistemas de informações geográficas (SIG), os sistemas de posicionamento global (GPS) e o sensoriamento remoto por meio de imagens de satélite.

O crescimento dos mercados mundial e brasileiro de produtos biológicos destinados à agricultura é uma constatação real das empresas de pesquisas. No Brasil, a expectativa é manter essa curva ascendente com espaço para um incremento ainda maior. Desde 2010, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) incentiva os biológicos, com a promoção de eventos e o deslocamento de técnicos exclusivamente dedicados ao registro. A sua participação passou de 7% para 60% em comparação à quantidade de defensivos convencionais registrados. O Caderno Especial da Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio) traz informações preciosas sobre a evolução desse mercado.

Para encerrar, outro Caderno Especial analisa os momentos críticos e os enfoques estratégicos da cadeia produtiva da suinocultura desde o final do século passado. Em todo esse período, com ganho de escala e tecnologia, o setor sempre buscou aproveitar as oportunidades de negócio nos mercados interno e externo. O estágio atual é de alto padrão tecnológico e de gestão. A sua singularidade tecnológica requer investimentos cada vez mais elevados em instalações e equipamentos. Por sua vez, há todo um capital de giro para tocar os custos correntes de produção e manutenção de bens fundiários.