Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Diário de bordo

Anuga em casa

Setembro de 2017

ROBERTO RODRIGUES - Colunista

ROBERTO RODRIGUES, Coordenador do Centro de Agronegócio da FGV (GV Agro)

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A CADA dois anos, é realizada, em Colônia, na Alemanha, a maior feira mundial de alimentos, chamada Anuga. Organizada pela empresa de eventos Koelnmesse, é uma gigantesca área em que centenas de expositores realizam negócios muito grandes, chegando, em alguns casos, a comercializarem – com compradores também de todos os cantos do Planeta – mais da metade de sua produção anual, em contratos de médio e longo prazos.

Há alguns anos, o Brasil participa da Anuga por meio de empresas produtoras de alimentos filiadas à Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (ABIA), à Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), à Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a outras entidades de representação de classe que frequentam os mercados internacionais. Nesse contexto, a novidade é que a Fundação Getulio Vargas (FGV), por meio da FGV Projetos, acaba de assinar acordo com a Koelnmesse para trazer a feira ao Brasil, uma gigantesca plataforma de exportações do setor, com uma característica: será a única feira em que os setores produtores de alimentos participarão todos em conjunto, inclusive recebendo expositores dos demais países do Mercado Comum do Sul (MERCOSUL).

Já temos até data e local para isso: será de 12 a 14 de março de 2019, no grande espaço do São Paulo Expo.

Para testar o interesse dos exportadores brasileiros e, também, de produtores que ainda não estão no mercado internacional, a FGV Projetos organizou um roadshow no Brasil: a receptividade foi excelente. Foram visitadas as principais lideranças da indústria de alimentos, das entidades de carnes (bovina, de aves e suína), os exportadores de café, de frutas e de sucos, os de açúcar e de massas, os produtores de castanhas e de chocolate, as tradings de grãos, os produtores de pescados e de mel, em diversas regiões do País e, também, na Argentina. As cooperativas foram contatadas por meio da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), bem como da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e de outros órgãos de governo. Todos manifestaram vivo interesse na realização da ANUFOOD Brazil (assim se chamará a feira aqui), a ponto de muitos dos potenciais expositores fazerem reserva de espaço, mesmo um ano e pouco antes da feira. Tal interesse e entusiasmo chamaram a atenção dos dirigentes da Koelnmesse, que já realizam evento similar na China, na Índia e na Colômbia. Estão muito impressionados com o potencial brasileiro, mesmo no meio de uma crise econômica, social e política como a que estamos vivendo.

Na feira, além da parte comercial, que é a alma do evento, haverá uma conferência internacional sobre segurança alimentar global, com palestrantes de diferentes organizações multilaterais e de países produtores e consumidores.

Trata-se de uma excelente novidade. Há uma recorrente falácia de que somos ótimos produtores em todas as cadeias do agronegócio, mas que não temos semelhante habilidade no comércio externo: que o Brasil não sabe vender, que é comprado. E isso se justificaria, inclusive, pelo fato de que, durante décadas, o comércio internacional do agro esteve a cargo de órgãos de governo como o Instituto Brasileiro do Café (IBC) e o Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), nem sempre dirigidos por experts em exportação.

Pois bem: essa é uma oportunidade histórica de mudar o estado de coisas aqui relatado – se é que ele ainda vige. Vamos mostrar ao mundo o que somos capazes de produzir com uma tecnologia e uma sustentabilidade reconhecidas. E isso será uma vitrine espetacular para aquela que é a nossa vocação natural: o Brasil ser o campeão mundial de segurança alimentar e, por isso mesmo, campeão mundial da paz.