Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

Reflexão

Mudar!

Setembro de 2017

LUIZ CARLOS CORRÊA CARVALHO - Colunista

LUIZ CARLOS CORRÊA CARVALHO, Presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG)

Outros textos do colunista

Não são as espécies mais fortes que sobrevivem, nem as mais inteligentes, e sim as mais sensíveis a mudanças. (Charles Darwin)


NOS DIÁRIOS da presidência de Fernando Henrique Cardoso, há um parágrafo de desabafo em que ele diz que o Brasil é um “país ancorado no passado, de costas para o mundo, com uma elite resistente às mudanças para não perder os privilégios". Estas anotações, de muitos anos atrás, ainda não haviam recebido a análise de um psicanalista como Flávio Gikovate, que, com outras palavras, acrescentou que o cansaço, porém, acelera a busca pelas mudanças por não mais se suportar o status quo.

Qual é o ambiente que está vivendo um empresário brasileiro do agronegócio nos últimos doze anos?

Em primeiro lugar, os devaneios de intelectuais de esquerda misturados aos interesses dos sindicalistas de resultados geraram um ambiente inicial que parecia favorável, mas que, ao encaminhar dos governos Lula e Dilma, acabaram resultando no maior desastre econômico e político da história brasileira. Nossos netos irão, com mais clareza, estudar esse período extremamente negativo da nossa história.

Esse pano de fundo ainda seria manchado com a abertura da caixa de Pandora da corrupção no Brasil, em intensa e promíscua relação público-privada, que gera indignação e profunda decepção no povo brasileiro.

Como consequência, o rápido crescimento das desconfianças inibiu os investimentos, o que segurou a recuperação econômica, que, por sua vez, foi pressionada pelo ambiente político hostil.

O impedimento de Dilma oxigenou, inegavelmente, o corpo do País, estancando sangrias. Uma equipe econômica de excelente nível, mesmo em ambiente político insalubre, vem produzindo resultados que estão sumarizados nos melhores índices macroeconômicos do País. Mas, vale lembrar, trata-se de transição!

E transição a que?

Estamos no começo do segundo semestre de 2017, em que serão, de fato, iniciadas as campanhas às eleições de outubro de 2018. O que se nota é um comportamento típico de resiliência dos partidos políticos arrebentados com a operação Lava-Jato, ao mesmo tempo que se vive o pêndulo do “Fica, Temer/Fora, Temer". Outros partidos mortos, mas ainda não sepultados, lançam antecipadamente (para não se dizer desesperadamente) seus candidatos, também insepultos, fantasmas vivos que se defendem da prisão.

Na sábia redação de Fernão L. Mesquita, no artigo publicado no Estadão em 7 de julho último, tem-se que “nos enredos de nossas novelas políticas não existem problemas brasileiros, só existem problemas de brasileiros".

Independentemente dos interesses partidários, mudar é absolutamente essencial; é o sopro de uma nova vida para nos alimentar para as eleições de 2018. É preciso participar, e o agro não pode voltar suas costas ao Brasil.

O empresário do agro e o pequeno agropecuarista vivem e convivem com os riscos de tudo! Faça chuva ou faça sol, esteja ventando ou não, estão investindo todas as suas forças no trabalho, na terra, plantando seus recursos, suas vidas, nos solos da sua pátria. São fortes e se ajustam à medida que se dão as mudanças e as novidades tecnológicas. Por isso estão aí! Por isso são imprescindíveis!