Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

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Fonte alternativa para o agronegócio

Setembro de 2017

É INEGÁVEL a relevância do agronegócio para a economia brasileira e, portanto, da discussão das fontes de financiamento do setor. Uma das formas de obtenção de recursos que se tem abordado muito nos últimos anos é o Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA).

Este título de renda fixa é emitido exclusivamente por companhias securitizadoras de créditos, empresas especializadas responsáveis por transformar direitos creditórios — recebíveis, neste caso, necessariamente vinculados à cadeia do agronegócio – em CRAs negociáveis no mercado de capitais.

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Os direitos creditórios desse instrumento podem originar basicamente dois tipos de CRA. Em um, determinada empresa do agronegócio emite uma dívida visando securitizá-la e figura como devedora do título. Trata-se de uma emissão de lastro concentrado. No outro, uma empresa do agronegócio que possui recebíveis – de produtores, cooperativas, entre outros – realiza a cessão dos créditos para a securitizadora lastrear a emissão. Esta modalidade é a de lastro diversificado.

O modelo que contribuiu para o crescimento do CRA é o concentrado (ou corporativo). Essas operações foram muito procuradas por investidores pessoas físicas e amplamente divulgadas por corretoras e distribuidoras de renda fixa e, também, pela imprensa.

Para o investidor pessoa física, a reputação dos emissores e a isenção de imposto de renda foram os motivadores do movimento. Esses investidores enxergaram oportunidades em termos de risco e retorno, algo definido justamente no lastro da operação – ou seja, a capacidade de a empresa fazer frente às suas obrigações financeiras junto a credores – e, portanto, por meio da capacidade de essas empresas honrarem suas dívidas.

OPORTUNIDADE PARA NOVAS EMISSÕES

Com a experiência adquirida com o uso dos CRAs corporativos e a visibilidade que eles propiciaram para diferentes players do agronegócio e investidores, esse instrumento pode entrar em uma nova etapa: abre-se espaço para a ampliação dos papéis com lastros diversificados ou pulverizados. Este tipo de securitização é complexo, demanda do aplicador mais conhecimento de mercado e tende a atrair uma base diferente de investidores.

Tendo em vista a restrição de recursos do sistema de crédito rural que tradicionalmente financiou o agronegócio, o CRA apresenta-se como uma relevante alternativa. Sabemos que, para esse instrumento contar com mais emissões pulverizadas, é importante que os players envolvidos nas captações – produtores, cooperativas, securitizadoras, escritórios de advocacia e investidores – avaliem as oportunidades para ampliarem e facilitarem, com segurança, o mercado de CRA.