Agroanalysis - A Revista de Agronegócio da FGV

O agronegócio é o seguinte

Brasil sediará versão da maior feira de alimentos do mundo

Setembro de 2017

NESTE MÊS, a Agroanalysis entrevista Gerald Böse, presidente e diretor executivo da Koelnmesse GmbH, que acaba de anunciar oficialmente a realização da ANUFOOD Brazil, nova feira de negócios, que acontecerá entre os dias 12 e 14 de março de 2019, no São Paulo Expo. O evento, inédito no Brasil, será totalmente dedicado ao setor de alimentos e bebidas em geral e terá como base a tradição e o modelo bem-sucedido da Anuga, a maior feira de alimentos do mundo, realizada em Colônia, na Alemanha. A ANUFOOD será realizada em parceria com a FGV Projetos, unidade de assessoria técnica da Fundação Getulio Vargas.

Na economia brasileira, após a correção de rumo gerada na política monetária por parte do Banco Central, a inflação cedeu. A sinalização é de um resultado no ano inferior ao centro da meta estabelecido de 4,5%. Tudo indica que o cenário favorável de inflação prevalecerá em 2018. Do lado da atividade econômica, os indicadores apontam crescentemente uma acomodação. Assim, a retração no Produto Interno Bruto (PIB) verificada nos últimos anos não deverá repetir-se em 2017. Uma possível retomada, ainda que em bases moderadas, pode ser esperada para o ano que vem.

A grande questão enfrentada pelo governo Temer reside no campo fiscal. O resultado das contas públicas no curto prazo segue ruim. Após a aprovação das emendas de desvinculação das receitas da União e do teto dos gastos públicos e as mudanças na área trabalhista, o governo movia-se na direção de promover uma reforma tributária e uma previdenciária. As denúncias, com o envolvimento direto do presidente da República, enfraqueceram as ações do governo para levar adiate esse processo.

Apesar de todas as turbulências pelas quais a economia brasileira passa neste momento, o risco-país caiu para o nível de janeiro de 2015, o dólar opera em um patamar considerado baixo – entre R$ 3,10 e R$ 3,20 –, e as cotações das commodities (com exceção das agrícolas) têm operado em um nível bem acima daquele observado, por exemplo, nesses mesmos meses do ano passado. Por trás desse cenário, não há exatamente um otimismo com relação à economia mundial, mas um conjunto mais limitado de opções que oferecem boa rentabilidade aos investidores: além de um excesso de dólar no mercado internacional, os ativos financeiros mais tradicionais (em especial os títulos públicos de economias avançadas) estão oferecendo um retorno muito baixo. Essa conjuntura “força" os investidores que buscam uma rentabilidade maior a aceitarem riscos maiores. Sem dúvida alguma, tal conjuntura é favorável à economia brasileira. Todavia, esse cenário é passageiro, e rapidamente a conjuntura pode se reverter.

Há um consenso de que o Estado é importante e pode ser determinante para o bom ou o mau desempenho setorial. A divisão de opiniões é quanto ao seu papel, à sua forma de participação e aos seus limites. Com foco na agropecuária, um trabalho da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) mostra que há necessidade de uma rediscussão sobre o Programa Agropecuária Sustentável (PAS). Nos últimos três anos, os recursos empregados na formação e na operação dos estoques públicos não apenas foram menores do que o gasto na estrutura para executar essa política agrícola, mas também as trajetórias foram diferentes: enquanto o gasto com formação de estoques reduziu, o de operação aumentou 439%.

De qualquer forma, na safra 2016/17 observamos o avanço sem precedentes da produção de soja e milho no Brasil. Com um recorde absoluto, a produção, pela primeira vez na história, chega a 211 milhões de toneladas. Os dados são da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Com isso, os embarques destes dois produtos deverão ficar à beira de 95 milhões de toneladas. Nesse contexto, a maior participação dos portos do Arco Norte passa a ser fundamental para desobstruir o fluxo de transporte rodoviário do cereal das áreas de produção às zonas de embarque. O grande gargalo continua a ser a BR-163, segundo o que aponta a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC). No milho, por exemplo, o deslanche das exportações será decisivo para a recuperação e a sustentação de seus preços no mercado interno neste segundo semestre.

Em dezembro próximo, ocorrerá a 11ª reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Buenos Aires, na Argentina. A expectativa é de avançarmos nos temas a favor da abertura comercial. A participação do Brasil, como líder na produção e na exportação, é essencial em qualquer negociação comercial agrícola.

O Caderno Especial da Agroanalysis apresenta a cadeia produtiva de cacau, que mostra recuperação neste ano tanto na produção da matéria-prima, como no esmagamento industrial. Em 2016, a lavoura teve uma dramática queda, em decorrência de uma longa estiagem no estado da Bahia, o maior produtor nacional. Normalmente, o Brasil importa um quarto do seu consumo. Para reverter esse quadro deficitário, a Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), junto com o Governo, entidades coirmãs e organizações não governamentais, promove uma série de inciativas para o Brasil voltar a ser autossuficiente no produto.