Em 2019, o crescimento da economia mundial será o menor dos últimos dez anos. Uma das principais causas é a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China. Como consequência, as exportações brasileiras serão menores em comparação a 2018. A balança comercial do Agro ainda contribui fortemente para o resultado das contas externas do Brasil.

De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a economia mundial deverá se expandir apenas 3% em 2019 — o menor crescimento desde 2008. Entre as explicações para o modesto crescimento, merecem destaque os atritos comerciais entre os Estados Unidos e a China.

De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), devido a esse conflito comercial, o valor exportado pelas vinte maiores economias do mundo (G20) no primeiro semestre deste ano (dado mais recente disponível) foi 2,4% menor do que no mesmo período de 2018. No acumulado no ano até agosto, as exportações brasileiras registraram uma contração de 6,0%, impactadas, além da contração do comércio mundial, pelos problemas da Argentina.

A balança comercial do agro registrou uma retração de 11,5%, passando de US$ 49,9 bilhões, em 2018 (até agosto), para US$ 44,1 bilhões, em 2019 (mesmo período), permanecendo, contudo, superavitária. Tanto as atividades agropecuárias como a agroindústria puxaram o crescimento da balança comercial do agronegócio para baixo, uma vez que ambas apresentaram contração.

Como está o desempenho da balança comercial do agro no Brasil?

As atividades agropecuárias registraram uma redução da sua balança comercial em 6,9% no ano. Esse setor é o principal responsável pelo superávit do saldo comercial do agronegócio, respondendo por 61,3% do total (US$ 27,0 bilhões). A agroindústria, do mesmo modo, registrou uma contração de 18%,0 do seu superávit comercial no ano. Apesar de ainda ter se mantido superavitário, o saldo comercial desse setor passou de US$ 20,8 bilhões, em 2018, para US$ 17,1 bilhões, em 2019.

No entanto, o agronegócio brasileiro continua – com a sua balança comercial significativamente positiva – sendo responsável por uma parte importante do superávit comercial brasileiro acumulado em 2019, de US$ 31,4 bilhões.

Entre janeiro e agosto deste ano, o valor total das exportações do agronegócio brasileiro acumulou uma retração de 7,0%. Essa contração é puxada tanto pelas atividades agropecuárias, que estão exportando 6,2% menos do que em 2018 (até agosto), como pela agroindústria, que teve o valor das suas vendas externas reduzido em 7,6% no período. Contudo, como o setor agropecuário e a agroindústria não são unidades homogêneas, é necessário analisar esses setores detalhadamente.

Em relação às atividades agropecuárias, é a soja que está puxando o valor exportado para baixo. Provavelmente, essas exportações foram fortemente impactadas pelos problemas decorrentes da peste suína africana, que afetou, sobretudo, a China.

A retração das vendas externas das atividades agropecuárias só não foi mais expressiva especialmente por conta do milho, cujas exportações já acumularam alta de 153,5% no ano. Em relação à agroindústria, o setor que está levando as suas vendas externas para baixo é o de produtos alimentícios. Dentro do grupo de produtos alimentícios, a contração foi observada tanto entre os alimentos de origem animal (-4,3%), como entre os alimentos de origem vegetal (-18,7%).

Como estão as importações do agronegócio brasileiro?

Apesar da desvalorização cambial e do limitado crescimento econômico brasileiro, as importações do agronegócio acumulam um crescimento de 3,7% no ano, sendo que tanto as atividades agropecuárias (1,0%) como a agroindústria (4,2%) contribuíram positivamente para essa expansão.

Nas atividades agropecuárias, o setor que puxou as importações para cima foi o de cereais (essencialmente, trigo). Esse é o principal setor importador das atividades agropecuárias brasileiras, responsável por 44,1% do valor importado. No acumulado do ano até agosto, as suas compras externas aumentaram em 7,7%. O crescimento dessas importações pode ser um reflexo da safra interna menos favorável, também comprometida por fatores climáticos.

Em relação às importações agroindustriais, o setor que mais contribuiu para o seu crescimento foi o de insumos. Além de representar 48,0% do valor total importado no ano pela agroindústria, as importações de insumos registraram uma expansão expressiva de 15,5% no período.

Nota: versão produzida a partir do artigo original publicado na edição mensal da Revista Agroanalysis.

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