O fato que etanol é energia limpa é um grande trunfo brasileiro no debate global sobre sustentabilidade. Afinal, os biocombustíveis podem ajudar em dois grandes desafios da humanidade: o aquecimento global e a crise do emprego. E o Brasil é referência mundial nessa área.

Até pouco tempo atrás, organismos internacionais não davam muita atenção ao papel que a bioenergia poderia representar para o futuro da energia e do meio ambiente, mas isso mudou. Na COP-23, de Bonn, em novembro de 2017, dezenove nações representando mais de 50% da população do Planeta, incluindo a Índia, a China, vários países europeus e o Brasil, emitiram uma histórica declaração de visão, endossada pela Agência Internacional de Energia (AIE) e pela Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA, na sigla em inglês).

A visão em questão indica que, para que se limite o aquecimento global a 2 °C até 2050, é mandatório que, até 2030, se dobre a proporção da bioenergia no consumo global de energia e se triplique a proporção dos biocombustíveis sustentáveis no consumo de energia para transportes.

Uma vez que o etanol é energia limpa, o Brasil transformou-se referência internacional incontestável na utilização de combustível líquido limpo e renovável. O etanol utilizado em mistura com a gasolina e o etanol puro pela frota flex substituíram 45,7% de toda a gasolina consumida nos primeiros sete meses de 2019. Entre 1976 e 2018, foram substituídos o uso e a importação de mais de 3 bilhões de barris de gasolina. O valor econômico da gasolina substituída, calculado pela DATAGRO, equivale a mais de US$ 506 bilhões constantes de dezembro de 2018.

Ao longo desse período, ficou comprovado o impacto positivo do emprego relacionado à produção de cana-de-açúcar sobre o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos municípios onde a atividade se instalou.

As vantagens do Etanol entre as alternativas de energia limpa

O fato de o etanol de cana ser praticamente neutro em emissões de gases causadores do efeito estufa transformou-o numa das fontes de energia mais limpas para alimentar a mobilidade eficiente dos pontos de vista energético e ambiental. O etanol tem substituído compostos aromáticos cancerígenos contidos na gasolina, reduzindo emissões de material particulado e outros compostos nocivos à saúde.

Com a Política Nacional de Biocombustíveis, aprovada em 2017, conhecida como RenovaBio, foi criado um mecanismo de certificação que irá incentivar a eficiência energético-ambiental e terá como resultado a redução de preço dos biocombustíveis ao consumidor, levando a uma precificação do carbono pelo mercado, e não pelo Governo. As metas de descarbonização aprovadas pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) devem levar a uma redução acumulada da emissão de 686 milhões de toneladas de CO2 equivalente até 2029, o que corresponde a mais de um ano de emissões totais de carbono da França.

Com o etanol, o Brasil tem uma opção tecnológica de mobilidade muito superior à que vários outros países têm perseguido ao pretenderem substituir motores de combustão interna por outras motorizações que não utilizam fontes limpas e de baixa pegada de carbono. Com efeito, alimenta-se uma falsa ilusão de que, desta maneira, estão gerando emissão zero.

Futuro promissor

A Universidade de Munique aponta que carros elétricos a bateria que circulam na Alemanha estão emitindo 141 gramas de CO2 eq. por quilômetro. Enquanto isso, a emissão de gases do efeito estufa dos atuais veículos equipados com motores de combustão interna utilizando etanol (mesmo não estando ainda otimizados) é de apenas 58 g CO2 eq./km.

E, graças a novas tecnologias a serem em breve implantadas como resultado da Lei do Rota 2030 aprovada em 2018, estamos indo na direção de 39 g CO2/km. Estamos, também, indo na direção da eletrificação com biocombustíveis com o novo híbrido flex a etanol lançado em setembro de 2019 no Brasil, já considerado o carro mais limpo do Planeta, pois emite apenas 29 g/km.

Nota: versão produzida a partir do artigo original publicado na edição mensal da Revista Agroanalysis.

Autor

  • Presidente da DATAGRO e representante da sociedade civil no Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui