O sucesso da pecuária no Brasil está fundado em produtividade, eficiência e competitividade. Reuni-las não depende do tamanho da fazenda, mas sim da habilidade em decidir, planejar e implementar pacote tecnológico.

No Rally da Pecuária 2019, a 9ª edição da expedição, os entrevistados durante os eventos e as visitas atingiram a produtividade média de 12,8 arrobas/hectare/ano (@/ha/ano), considerando apenas o ciclo completo. Se toda a pecuária no Brasil operasse com tal nível de produtividade, a área total demandada para a produção de carne bovina seria de apenas 55,0 milhões de hectares, ante os atuais 162,5 milhões de hectares.

O campo desmonta uma das maiores falácias ambientais difundidas por interesseiros, embusteiros e desinformados: é possível produzir carne bovina em escala, de forma intensiva e produtiva.

Os 10% mais produtivos atingiram 38,8 @/ha/ano. Na mesma comparação hipotética, equivaleria a colocar toda a produção brasileira em apenas 18 milhões de hectares caso todos os produtores operassem com tal nível tecnológico. Ou seja, o potencial tropical para a produção pecuária é inquestionável e ainda muito pouco compreendido.

Os números de 2019 são ainda mais esclarecedores quando comparados aos das edições anteriores. Propositadamente, nessa edição, a Athenagro e a AGROCONSULT (realizadoras da expedição) optaram por reduzir a quantidade de confinamentos na amostra.

Na edição de 2018, cerca de 65% dos animais terminados pelo público da amostra passaram pelo confinamento ou pela terminação intensiva a pasto (TIP). Em 2019, passaram apenas 44% dos animais da amostra pelo confinamento. Isso mostra que a tecnificação está ocorrendo no sistema de produção, o que faz com que este não seja impulsionado apenas pela terminação no cocho.

Números animadores para a pecuária no Brasil

Apesar do número menor de confinamento nessa última edição, os entrevistados relataram um aumento de cerca de 15% no total de animais que passarão pelo cocho até o final de 2019. A TIP aumentará 32% e, em números absolutos, atingirá metade do que é terminado em confinamento. É bom lembrar que se trata da amostra do Rally da Pecuária.

Outro destaque da última edição é o tamanho médio do produtor na amostra. Em 2019, o índice médio de rebanho por produtor foi cerca de 1.800 cabeças, 30% menos do que a média de 2.600 cabeças dos anos anteriores. É a menor média de tamanho das propriedades desde que o Rally da Pecuária começou a ser realizado.

A análise por nível de produtividade mostrou que, em 2019, apenas 21% dos produtores estavam num nível acima de 18 @/ha/ano, sempre considerando o ciclo completo. Esse grupo, no entanto, foi responsável por 53% das vendas informadas pelos produtores que responderam a pesquisa.

Quando se compara a área dos produtores pelas mesmas faixas de tecnologia, constata-se que esse grupo mais produtivo detém apenas cerca de 7% da área total da pesquisa. Essa realidade comprova que a produtividade, a eficiência e a competitividade não dependem do tamanho da fazenda, mas sim da habilidade em decidir, planejar e implementar o pacote tecnológico.

O desafio a ser vencido

Entre 2011 e 2019, a produtividade média em ciclo completo do público entrevistado pelo Rally da Pecuária aumentou 8,0% ao ano, enquanto a produtividade média da pecuária nacional, no mesmo período, aumentou apenas 2,8% ao ano.

Mais uma vez, cabe a ressalva que a nossa equipe faz questão de destacar desde 2012: o ritmo de concentração da produção bovina é elevado e está acelerando. O grande desafio sustentável da pecuária no Brasil é de ordem social, e não ambiental. Quantas organizações estão atentas e focadas no problema real?

Nota: versão produzida a partir do artigo original publicado na edição mensal da Revista Agroanalysis.

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