Há quarenta anos o Brasil celebrava a assinatura do Protocolo do Carro a Etanol (Proálcool). Em função disso, hoje temos uma opção de mobilidade superior a de muitos países, em termos de eficiência energética e ambiental.

Em setembro de 2019, foram celebrados quarenta anos do protocolo que objetivava a produção de veículos automotores movidos integralmente a etanol combustível. A partir desse marco, desenvolveu-se, no Brasil, não só a adição do etanol à gasolina (27% desde março de 2015), mas também a sua aplicação como combustível exclusivo em veículos.

O Protocolo do Carro a Etanol (Proálcool) estabeleceu metas amplamente cumpridas não só pela indústria automotiva, mas também pelos consumidores, que fizeram do carro a etanol um grande sucesso de vendas. Os veículos movidos por essa modalidade de combustível foram responsáveis por mais de 96% das vendas totais em 1985, somando mais de 5,62 milhões de unidades vendidas desde 1979.

O veículo a etanol foi o precursor do carro flex. Lançado em março de 2003, o carro flex brasileiro acumula vendas de mais de 33 milhões de unidades desde então, constituindo a maior frota mundial de veículos com tecnologia flex do mundo, correspondendo a mais de 80% da frota total de veículos leves do País.

Em termos econômicos, sociais e ambientais, os impactos positivos do uso de etanol em mistura com a gasolina automotiva e como combustível puro são inúmeros. Entre 1976 e 2018, substituiu-se o uso e a importação de mais de 3 bilhões de barris de gasolina. O valor econômico da gasolina substituída, calculado pela DATAGRO, equivale a mais de US$ 506 bilhões (constantes de dezembro de 2018).

Carro a etanol: tecnologia limpa e renovável

Em termos ambientais, o fato do etanol de cana ser praticamente neutro em emissões de gases causadores do efeito estufa transformou-o numa das fontes de energia mais limpas para alimentar a mobilidade eficiente dos pontos de vista energético e ambiental.

O Brasil transformou-se em uma referência internacional na utilização de combustível líquido limpo e renovável. O etanol utilizado em mistura com a gasolina e o etanol puro pela frota flex, nos primeiros nove meses de 2019, substituíram 45,8% de toda a gasolina consumida — um marco que nenhuma outra nação conseguiu igualar.

Por meio das metas de descarbonização aprovadas no âmbito do RenovaBio — a nova Política Nacional de Biocombustíveis —, teremos uma redução acumulada da emissão de mais de 700 milhões de toneladas de gás carbônico nos próximos dez anos, o que corresponde a mais de um ano de emissões totais de carbono da França.

O Brasil como referência para o futuro

Com o etanol, o Brasil tem uma opção tecnológica de mobilidade muito superior a que vários outros países têm perseguido. Muitas nações pretendem substituir motores de combustão interna por outras motorizações que não utilizam fontes limpas, de baixa pegada de carbono. Com isso, há uma falsa ilusão de que estão reduzindo emissões dessa maneira.

É por esse motivo que dirigentes de montadoras europeias têm alertado que até os atuais carros movidos a diesel são mais limpos do que outras opções tecnológicas. Enquanto um carro elétrico a bateria na Europa emite cerca de 141 gramas de gás carbônico por quilômetro (g CO2/km); com a pegada de carbono quase neutra do etanol, a emissão de gases do efeito estufa dos atuais veículos equipados com motores de combustão interna utilizando etanol é de apenas 58 g CO2/km.

Com as novas tecnologias a ser implantadas em breve, como resultado da Lei do Rota 2030, poderemos atingir 47 g CO2/km. Estamos indo na direção, também, da eletrificação com biocombustíveis, com o novo híbrido flex a etanol. Ele já é considerado o carro mais limpo do Planeta, pois emite apenas 29 g CO2/km. Além disso, temos a célula de combustível a etanol, que já tem um protótipo pronto e emitirá apenas 27 g CO2/km.

Por esses motivos, o Brasil está na vanguarda tecnológica da nova opção de mobilidade, com energia limpa e de alta densidade energética. Tudo isso utilizando a infraestrutura de distribuição já existente.

Nota: versão produzida a partir do artigo original publicado na edição mensal da Revista Agroanalysis.

Autor

  • Presidente da DATAGRO e representante da sociedade civil no Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

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