Demanda de carne bovina pela China, menor oferta de bovinos para abate e espera por retomada do crescimento da economia brasileira garantem uma boa expectativa para a bovinocultura de corte em 2020.

A demanda chinesa por carne bovina tem sido um dos principais fatores para explicar os movimentos de fortes altas do boi gordo no segundo semestre de 2019. Soma-se a isso a demanda doméstica em recuperação.

Para 2020, a tendência é de manutenção de um ritmo forte de compras por parte da China. O país deverá aumentar em 20,8% as importações de carne bovina no próximo ano em relação a 2019. Os dados são do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês). Aqui há um ponto importante a ser destacado: com a liberação, em setembro, de mais plantas frigoríficas voltadas à exportação para a China e, ainda, a possibilidade de liberação de outras unidades, temos um aumento da demanda específica por bovinos com até trinta meses. Esse prazo faz parte das exigências dos próprios chineses.

Além da demanda externa aquecida, outros fatores explicam a sustentação dos preços da arroba do boi gordo em 2020. São eles a menor oferta de bovinos para abate e a expectativa de retomada do crescimento econômico brasileiro, que aumentará o consumo doméstico. Trata-se de boas expectativas para a bovinocultura de corte.

Como a demanda chinesa impacta os preços do boi gordo

A China, cuja grande fonte proteína animal é o porco, reduziu seu rebanho suíno em função do surto de Peste Suína Africana. Com isso, o país asiático aumentou as importações de outros produtos. De acordo com estimativas do USDA, as importações chinesas de carnes bovina, de frango e suína deverão crescer, respectivamente, 63,6%, 82,7% e 66,6% em 2020.

O Brasil tem se beneficiado dessa conjuntura. Afinal, até outubro de 2019 ele exportou 1,22 milhão de toneladas de carne bovina in natura, 11,3% a mais em comparação ao mesmo período de 2018. Nesse ano as exportações já haviam crescido 11,2% em relação a igual período de 2017, segundo dados da Secretária de Comércio Exterior (SECEX). Inclusive, o volume embarcado em outubro de 2019 foi recorde, com um total 160,1 mil toneladas de carne bovina no mês. Essa tendência deve prevalecer.

Com isso, o mercado da China foi o maior destino comprador do produto brasileiro nesse ano, respondendo por 318,77 mil toneladas ou 26,1% do total embarcado de carne bovina in natura (resfriada ou congelada), tendo sido seguido por Hong Kong, com 15,2% do total, e pelo Egito, com 11,5% do total embarcado.

Segundo um levantamento da Scot Consultoria, em Barretos-SP, de julho ao final de novembro de 2019, a cotação da arroba, a prazo, para descontar o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (FUNRURAL), foi de R$ 157,57 para R$ 230,00. A valorização foi de 46% no período, sendo boa parte dessa alta concentrada em outubro e novembro. Com isso, o boi gordo está custando 50,0% a mais na comparação ao mesmo período do ano passado.

Nota: versão produzida a partir do artigo original publicado na edição mensal da Revista Agroanalysis.

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