Um acordo bilateral Brasil-China pode ser uma boa notícia para o agronegócio brasileiro, mesmo com uma parceria comercial já bastante consolidada.

A China é o principal parceiro comercial do agronegócio brasileiro. Em 2019 (até outubro), os chineses responderam por 30,8% (US$ 26,1 bilhões) do valor total exportado pelo setor. Além de ser o principal destino das exportações do agronegócio nacional, a China também é o país do qual o setor mais importa – até outubro de 2019, essas compras totalizaram US$ 4,6 bilhões (16,3% do total importado).

Embora ainda seja uma notícia incipiente, a possível celebração de um acordo bilateral Brasil-China pode trazer vantagens para o agronegócio nacional, por mais que tal país já seja o principal parceiro comercial do setor. Entre essas vantagens, merecem destaque:

  • Os produtos brasileiros podem chegar de forma ainda mais competitiva ao mercado chinês;
  • Com maior facilidade para acessar o mercado chinês, novos produtos do agronegócio nacional poderão ser adquiridos pelos chineses, aumentando a diversificação da pauta de exportações do setor junto a esse país;
  • É fato que os produtos chineses também chegarão mais baratos ao Brasil. No entanto, considerando que o agronegócio nacional importa, essencialmente, insumos de produção e matérias-primas, o produto final brasileiro pode ficar ainda mais competitivo.

Exportações para a China não são apenas de soja

No acumulado de janeiro a outubro 2019, o saldo da balança comercial do setor com a China foi de US$ 21,5 bilhões. Desse total, as atividades agropecuárias respondem por 86,9% (US$ 18,7 bilhões) e a agroindústria, por 13,1% (US$ 2,8 bilhões).

Todavia, a balança comercial do setor com os chineses já foi maior. Ao longo de 2019, o saldo comercial contraiu 16,9%. Essa retração foi liderada pelas atividades agropecuárias (-22,1%), uma vez que houve forte expansão (47,3%) da balança comercial do lado da agroindústria.

No lado da exportação, em 2019 (até outubro), a soja respondeu por 69,6% do valor total exportado para os chineses, seguido pelas carnes (11,9%), papel e celulose (11,4%). Os problemas decorrentes da peste suína africana provocaram uma contração das exportações: a soja acumula uma queda de 23,8%. Por outro lado, os embarques de carne cresceram 40,5% no mesmo período.

A pauta exportadora do agronegócio brasileiro para a China é bastante concentrada. Porém, a China está entre os dez principais destinos de vários segmentos do agronegócio, como produtos florestais, alimentos de origem animal, produtos têxteis, borracha, soja, pescados, produtos apícolas e plantas vivas.

Um acordo bilateral poderá intensificar as vendas dos produtos desses setores, fazendo com que a pauta exportadora fique mais diversificada.

A principal origem das importações do agronegócio

China também é o país que mais vende bens para o setor. Destacam-se insumos de produção (33,1% do valor total importado pelo agronegócio em 2019), produtos têxteis (43,8%) e borracha (8,9%).

As compras do agronegócio na China têm aumentado. Em 2019, esse aumento foi de 6,3%, puxado pela expansão das importações de insumos agropecuários (22,5%), borracha (16,1%) e produtos florestais (31,4%). Juntos, esses três setores responderam por 46,9% do valor importado da China pelo agronegócio no ano.

Em 2019, apenas três setores do agronegócio (insumos agropecuários, produtos têxteis e borracha) responderam por 85,9% do valor total das importações. O acordo comercial pode ser benéfico para o agronegócio também por tornar alguns insumos de produção e matérias-primas mais baratos, deixando o produto final brasileiro ainda mais competitivo.

Nota: versão produzida a partir do artigo original publicado na edição mensal da Revista Agroanalysis.

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