Para integrar o mundo digital à agropecuária brasileira, não basta preocupar-se apenas em levar a conectividade e a internet às fazendas. As transformações modificarão de forma intensa a forma de produzir e administrar o negócio. Um dos principais desafios do gestor rural estará em focar a equipe de trabalho nos planos de produtividade e crescimento da fazenda.

As transformações da agricultura brasileira modificarão de forma intensa o formato de como produzir e administrar os negócios. Em casos extremos, haverá um processo de disrupção na atividade. Tudo isso em decorrência do impacto das novas tecnologias sobre o perfil profissional dos recursos humanos.

Nesse cenário, os líderes rurais terão de desenvolver habilidades de interação e coordenação. O mundo digital de hoje excita comportamentos e engajamentos por meio de provocações. Com isso, as pessoas querem participar das decisões e valorizam quando se sentem parte do todo.

Uma pesquisa feita pela Deloitte em 140 países com 10 mil empresários e gestores registrou que apenas 21% dos líderes estão preparados para coordenar equipes multifuncionais e 17% conseguem integrar pessoas, mundo digital e tecnologia da informação. Se as médias estão tão baixas em todos os setores da economia, esse assunto torna-se ainda mais crítico na agricultura, em que a integração dos profissionais digitais à atividade é recente.

Essa realidade mexe com as relações das pessoas e a infraestrutura das fazendas. No geral, as exigências e as expectativas ficam maiores. Não bastará se preocupar apenas em levar a conectividade e a internet às fazendas. Esse desenho de mão de obra busca condições adequadas para somar forças com o segmento agro.

IMPACTO DO MUNDO DIGITAL

Na administração cotidiana, o empresário rural, certamente, continuará a ser exigido nas funções operacionais e tecnológicas. Mas ele também defrontar-
se-á com as questões humanas, que se tornarão vitais no sucesso dos negócios.

Um dos principais pontos estará em focar a equipe de trabalho no conhecimento dos planos de produtividade e crescimento da fazenda. O engajamento e o comprometimento com a organização farão um diferencial enorme em termos de desempenho. Quando conhecem bem aonde chegar, os profissionais aprendem a remar a canoa no mesmo sentido e direção para os resultados serem alcançados.

Na agropecuária, o proprietário e o empresário estão normalmente na mesma figura. A substituição não ocorre de forma mera e simples. Para a sua liderança prevalecer, a pessoa precisará rever conceitos e mudar posturas. Todos os dias, deverá administrar a melhoria contínua dos resultados.

Nesse contexto, como proceder para atrair, desenvolver e reter talentos? As novas tecnologias pressionarão os modelos de gestão para agregarem conhecimentos e aprimorarem negócios. Nas fazendas, os profissionais terão de ser capacitados para se desenvolver e estar alinhados com o outro momento da atividade agrícola.

PRODUTIVIDADE DA MÃO DE OBRA

A comparação entre os retratos do Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra o grau de mudança ocorrido no agro brasileiro: o pessoal ocupado no setor mostra queda, e essa tendência deve prevalecer.

Podemos imaginar, para os próximos anos, fazendas com programas de meritocracia para fidelizar o empregado colaborador. O desenvolvimento da parceria entre o capital e o trabalho serve para reconhecer o desempenho e compartilhar a riqueza gerada com a mão de obra. Essa cultura cria um nível de comprometimento voltado para resultados.

Na fazenda, muitas vezes, o proprietário nem pensa sobre a existência de problemas elementares ligados à administração de conflitos e ao clima organizacional. Ficam de fora questões sobre a qualidade do relacionamento entre as pessoas, o que pode puxar a produtividade do trabalho para cima e para baixo.

Basta pensar na propriedade agrícola que adquire cinco novos tratores, mas que conta com dez tratoristas. Aqueles que continuarão com máquinas velhas e obsoletas poderão se sentir desprestigiados, e, se isso não for bem trabalhado, muitas vezes começará uma competição. Com esse pequeno exemplo, pode-se perceber a sensibilidade existente nas relações humanas. São situações que afetam a eficiência operacional.

Assim como deve haver preocupação com a produtividade agrícola, cabe atentar-se à produtividade da mão de obra. Nos últimos 28 anos, o aumento na produtividade anual de um trabalhador brasileiro (1,3%) ficou abaixo do do chinês (8,8%), do indiano (5,0%), do chileno (3,0%) e da média global (1,7%), segundo dados da McKinsey. 

VISÃO INSTITUCIONAL DO SETOR

Do lado de fora da porteira, o empresário rural, na busca de eficiência, terá de interagir com os formadores de opinião para buscar informações, compartilhar conhecimentos e olhar as percepções. Ele terá de identificar os momentos mais adequados para a compra de insumos e a venda da sua produção. Essas atividades terão de ser escalonadas para aproveitarem-se as janelas de oportunidade, diante da volatilidade dos mercados.

Na comercialização das commodities, não se deve perseguir o pico máximo de preços. Esse nível ninguém sabe quando irá acontecer. Na maior parte das vezes, essa obsessão induz o empresário rural ao erro. Perdem-se excelentes oportunidades para obter uma boa média de resultados comerciais suficientes para garantir a rentabilidade do negócio.

A interação com fornecedores (parceiros) auxilia muito nesse processo, além de possibilitar a identificação de novas tecnologias que promoverão ganhos de produtividade.

Acompanhar os cenários econômicos e mercadológicos sempre será um desafio constante para o empresário rural. Essas informações servem como balizadores para ele perceber o tempo de acelerar ou frear a expansão dos negócios.

Por fim, todos os empresários devem ser atuantes para defender e promover o agro, que representa em torno de 23% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Trata-se do segmento nacional mais competitivo. É fundamental que eles participem das associações de classe para fortalecer a imagem do agro dentro e fora do País.

Certamente, nos próximos trinta anos, será a principal mola propulsora do crescimento da economia, pois, para se alimentarem 9,7 bilhões de habitantes em 2050, será necessário ampliar a produção de alimentos em 50%, e caberão ao Brasil 41% da expansão para atender essa população. Ou seja, se fizermos bem o nosso dever de casa, em relação à gestão do negócio e à liderança e ao desenvolvimento das equipes, o nosso futuro será promissor com certeza.

Autor

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

88 + = 91