O desenvolvimento e a adoção de novas tecnologias e processos pelo agronegócio brasileiro possibilitaram aos brasileiros e a muitos estrangeiros aumentarem o consumo de alimentos, com maior qualidade e menores preços. Em 2013, a oferta de calorias disponíveis para cada brasileiro foi menor apenas do que o disponível para os europeus. Em termos de oferta de proteína, estamos atrás apenas da Europa e da Oceania.

Muito se tem discutido sobre a evolução tecnológica da agropecuária brasileira, que permitiu aumentar a produção em níveis bem superiores à elevação do uso de fatores como terra, mão de obra e animais. Nesse sentido, um estudo recente produzido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) comprovou que a produtividade foi o principal fator de estímulo ao crescimento da agropecuária brasileira. Segundo o MAPA, o setor cresceu, em média, 3,36% ao ano entre 1975 e 2018, taxa superior aos principais produtores de alimentos do mundo, como Estados Unidos e China.

Esses resultados permitiram ao Brasil sair de uma situação de importador de alimentos para um dos principais exportadores de alimentos do mundo. De forma adicional, estudos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês) colocam o País como fundamental na tarefa de prover alimentos para o mundo.

Frente ao desafio de produzir cada vez mais e de forma sustentável para alimentar a crescente população mundial no futuro, a agropecuária brasileira já demonstrou ter contribuído expressivamente com essa tarefa internamente. Dados da FAO mostram que o aumento da oferta de alimentos per capita no Brasil foi de 32% no período de 1974 a 2013**. Essa taxa só foi menor do que o crescimento médio do continente asiático (36%). Já no caso da oferta de proteína e gordura, essas taxas foram ainda superiores, de 58% e 111% respectivamente. Desta forma, cada brasileiro tinha disponível uma oferta de 3.263 calorias/habitante/dia (kcal/hab/dia) em 2013. Esse valor é menor apenas do que o disponível para os habitantes do continente europeu, que tinham uma disponibilidade de 3.367 kcal/hab/dia. Já em termos de proteínas, o valor foi de 94,99 g/hab/dia e o de gordura, de 117,75 g/hab/dia.

Dados nacionais mais recentes para o grupo de proteínas animais também confirmam essa evolução. De 1996 a 2018, a disponibilidade per capita aumentou em 33 litros (l) para o leite (133 para 166 l/hab/ano), em 22,2 quilos (kg) para a carne de frango (22,1 para 44,3 kg/hab/ano) e em 6,2 kg para carne suína (9,8 para 16,0 kg/hab/ano), segundo dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Somente a carne bovina que teve a sua disponibilidade interna reduzida em 4,9 kg (38,7 para 33,8 kg/hab/ano). Além da substituição pelas outras proteínas animais, o aumento expressivo das exportações teve importante contribuição para essa queda, fato que possibilitou ao Brasil se tornar o maior exportador mundial de carne bovina.

Além de aumentar a disponibilidade de alimentos para a população brasileira, a evolução da agropecuária nacional permitiu baratear o custo desses produtos. Prova disso é que a alimentação foi o grupo que apresentou a maior redução nas despesas de consumo das famílias desde a década de 1970, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre 1974/75 e 2017/18, esse grupo teve a sua participação na despesa média mensal das famílias reduzida de 34% para 18%. Em contrapartida, os grupos de habitação, transporte, assistência à saúde e educação tiveram suas participações elevadas.

Esses resultados refletiram-se na inflação oficial do País, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), no qual o peso do grupo alimentação e bebidas reduziu-se de 28,5%, em 1990, para 24,6%, em 2019. Ao analisar os dados desagregados, percebe-se que essa redução se deu, principalmente, no subgrupo alimentação no domicílio, que conta com uma expressiva participação dos alimentos agropecuários na sua composição. As despesas com alimentos reduziram de 20,0% dos gastos totais, em 1990, para 15,8%, em 2019. Destacaram-se os grupos aves e ovos, leite e derivados, cereais e leguminosas, carnes frescas e industrializadas e óleos e gorduras, que apresentaram as maiores reduções em seus pesos para a composição da inflação nacional. Já o subgrupo alimentação fora do domicílio teve uma pequena elevação no seu peso relativo no mesmo período, passando de 8,41% para 8,84%. Isso se deve tanto a uma mudança de hábitos de consumo, como à incorporação dos serviços nos seus custos.

Portanto, o desenvolvimento e a adoção de novas tecnologias e processos pelo agronegócio brasileiro possibilitaram aos brasileiros e a muitos estrangeiros aumentarem o consumo de alimentos, com maior qualidade e menores preços.

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