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segunda-feira, 3 agosto. 2020
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São mais de 40 anos no mercado cobrindo as novidades do setor agrícola com a competência e conhecimento consagrado da Fundação Getúlio Vargas, garantindo a qualidade da informação que chega até você.

Janeiro 2020

EDIÇÃO 2020, 10 de janeiro de 2020

Tema: Novidades com a MP do Agro e o RenovaBio!

O quadro de melhora da economia brasileira foi delineado ao longo de 2019 a despeito das turbulências políticas verificadas no período. De fato, mesmo com as incertezas nesse campo, o Governo foi capaz de levar adiante, com idas e vindas, a reforma da previdência social. Em um ano eleitoral, as reformas tributária e administrativa, também muito desejadas, terão maior dificuldade de ser levadas adiante. Mas alguma coisa virá. Vale a pena insistir que, além de mudanças no PIS, na COFINS, no IPI e no IR, o ministro do Ministério da Economia, acertadamente, quer desonerar encargos da folha de pagamentos. Para cobrir o buraco, como a CPMF foi prudentemente descartada, talvez seja criado um imposto sobre compras pela internet. Veremos.

De qualquer forma, as perspectivas para 2020 são positivas. Os sinais da virada ficaram mais evidentes no transcorrer do segundo semestre de 2019. O processo de ajuste do grau de endividamento relativo das famílias mostra-se mais equacionado, o que tem permitido um aumento no consumo. Tudo indica que o crescimento econômico brasileiro se situará acima dos 2%. As expectativas são de que esse quadro seja mantido nos próximos anos. Isso sinaliza uma melhoria do crescimento da produção e da renda na próxima década.

No agronegócio, o Índice de Produção Agroindustrial Brasileira (PIMAgro), do Centro de Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro), aponta um crescimento de 0,4% no setor agroindustrial até outubro de 2019. Esse crescimento não foi melhor devido ao desempenho do setor externo. Com a economia brasileira iniciando 2020 de forma mais aquecida, se o setor externo apresentar um cenário mais favorável, a agroindústria deve registrar uma expansão mais robusta neste ano. Ademais, a análise setorial aponta um cenário de preços em alta para os mercados de boi, leite, milho e, talvez, soja em 2020.

Boa notícia, também, foi a aprovação do relatório da Medida Provisória nº 897/19, a conhecida MP do Agro, pela comissão mista da Câmara dos Deputados e do Senado. Tivemos um período de reuniões técnicas entre parlamentares, autoridades governamentais e profissionais da iniciativa privada. Agora, o novo texto vai para discussão e aprovação final no Congresso Nacional, o que deve ocorrer até março. As medidas aprovam uma série de instrumentos novos para atrair e injetar recursos financeiros na crescente produção agropecuária. O quadro de déficit fiscal das contas públicas não consegue atender a quantidade de capital demandada pelas linhas de custeio, investimento e comercialização do agronegócio.

Com um dos mais bem-sucedidos programas de biocombustíveis do mundo, substituindo 36% da gasolina por etanol e 8% do diesel fóssil por biodiesel, foi instituída, por meio da Lei nº 13.576/17, a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio). Essa iniciativa entrou em vigor neste ano, com a perspectiva vigorosa de ser mais um instrumento de incentivo ao aumento da participação dos biocombustíveis na matriz brasileira de transporte. A previsão é de redução, ao longo de dez anos, do percentual de carbono no combustível comercializado no País, por meio da substituição gradual de combustível fóssil por biocombustíveis. O RenovaBio reconhecerá a contribuição dos biocombustíveis para a segurança energética e a redução de emissões de gases do efeito estufa. A partir da certificação da produção, será possível emitir Créditos de Descarbonização (CBios), negociados no mercado financeiro.

Ainda sobre biocombustíveis, segundo o critério de avaliação da emissão de carbono que considera as emissões desde a geração de energia até o seu uso final, um veículo com motor de combustão interna que utiliza etanol emite somente 58 gramas de gás carbônico equivalente por quilômetro (g CO2 eq./km), enquanto um veículo elétrico europeu emite 92 g. Na Alemanha, pesquisadores da Universidade de Munique concluíram que, por conta do uso intensivo de carvão e gás natural para geração de energia, os veículos elétricos a bateria do país emitem 141 g CO2 eq./km. O carro brasileiro movido a etanol é o campeão quando o assunto é baixa emissão.

É muito importante que se façam boas análise e interpretação dos resultados de um estudo sobre a qualidade dos alimentos consumidos pela população quanto à presença de resíduos de agrotóxicos realizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Ministério da Saúde (MS). A conclusão é que os alimentos de origem vegetal analisados são seguros para consumo. Os dados fazem parte do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA). Os resultados foram avaliados com base no Limite Máximo de Resíduos (LMR) de agrotóxicos estabelecido pela entidade. Apenas 2,3% do total das amostras analisadas apresentou concentração de agrotóxicos acima do LMR. Além disso, apenas 0,9% continha potencial de risco agudo para o consumidor, o que significa a possibilidade de provocar algum efeito negativo no organismo pelo consumo em um dia.

Na entrevista do mês, tem-se uma visão sobre os negócios com a aviação agrícola na prestação de serviços para a agricultura. De vento em popa, a atividade iniciada no País em meados do século passado projeta um crescimento constante para os próximos anos. O Brasil já possui a segunda maior frota mundial de aviões agrícolas do mundo. Esse é mais um dado para reforçar a pujança do agronegócio nacional. Nos planos do setor, está a busca de seguir com o desenvolvimento sustentável de acordo com as regras do Código Florestal do País. Para falar desse assunto, com narrativas sobre a história e a evolução do setor, foi convidado Thiago Magalhães Silva, presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (SINDAG), advogado, piloto e empresário da aviação agrícola em Orlândia, interior de São Paulo.

Por fim, novamente o ano começa com um informe da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (ABRASEM), que aglutina empresas e entidades da área de pesquisa e desenvolvimento em genética e melhoramento de plantas. Os marcos regulatórios desse setor passam por enormes avanços e aprimoramentos para acompanhar a sofisticação tecnológica em curso. Essa atividade, além da geração de novos produtos, atua numa cadeia de etapas que envolve colher, limpar, analisar, embalar, rotular e entregar com inovações os itens para os clientes dentro e fora do País. A ABRASEM precisa estar em compasso com as mudanças nesse mundo local-global de produtos.

Dezembro 2019

EDIÇÃO 2019, 10 de dezembro de 2019

Tema: Decisão favorável à recuperação judicial pode reduzir o crédito!

Há sinais de que o ritmo da recuperação da economia brasileira no último trimestre do ano esteja acima do esperado. As vendas no comércio melhoraram, indicando um final de ano melhor do que o suposto inicialmente. A indústria brasileira também tem observado alguma recuperação, embora as vendas externas tenham caído, particularmente por conta da crise argentina. Os dados apontam, também, a criação de novas vagas de emprego em diferentes setores de atividade.

Na edição anterior da Agroanalysis, mencionamos que o megaleilão do pré-sal, que ocorreria na primeira semana de novembro, provavelmente iria desvalorizar o dólar, em virtude de uma entrada forte de divisas ocasionada pelo próprio leilão. Como é de conhecimento de todos, o leilão teve um resultado bastante aquém do esperado. O motivo foi a desistência de vários possíveis participantes devido à falta de clareza em relação a algumas regras do leilão. O resultado em si não foi ruim para o País. Há a perspectiva de que o Brasil possa receber muitos investimentos em petróleo e gás no futuro.

No entanto, a entrada bem menor de dólares fez com que o dólar se mantivesse em um patamar mais elevado do que o esperado. Vale lembrar que, com as taxas de juros muito baixas no Brasil, não há entrada especulativa de dólar, ou seja, entram apenas recursos de fato destinados para investimentos. Assim, apesar da folga cambial – o Brasil possui US$ 370 bilhões em reservas –, a moeda norte-americana vai buscar um patamar próximo de R$ 4,15 a R$ 4,20. É sempre bom lembrar que o mundo está muito turbulento, o que pode ocasionar soluços nesse número, o que é bom para quem exporta e ruim para quem importa. E, nesse segundo caso, é fundamental conhecer, e usar, instrumentos de seguro cambial (hedge).

A inflação e as taxas de juros devem continuar comportadas, mas deve-se sempre lembrar que, com uma inflação anual de 3,5%, uma taxa de juros de 7,0% ao ano é cara para o setor agropecuário, cuja margem de lucro é baixa. Mais do que nunca, com essa realidade de câmbio e de juros, é preciso saber usar muito bem os instrumentos de proteção financeira.

Não há dúvida de que uma parcela importante do sucesso do agronegócio brasileiro se deve à criação de um amplo sistema de crédito rural oferecendo linhas de crédito mais favoráveis ao produtor. No entanto, as dificuldades fiscais por que passa o governo federal fizeram com que houvesse uma significativa queda na participação do crédito rural oriundo da política pública (juro controlado), ao mesmo tempo em que aumentou a participação do setor privado no financiamento da safra brasileira. Contudo, a decisão favorável do Superior Tribunal de Justiça (STJ) à Recuperação Judicial (RJ) de Pessoas Físicas (PFs), publicada em novembro, pode trazer impactos profundos sobre o sistema de financiamento do agronegócio, sobretudo nesse novo contexto, fazendo com que as condições de crédito sejam estabelecidas em patamares muito mais próximos daqueles adotados em outros setores da economia. A vantagem proporcionada à ação oportunista de poucos imporá custos elevados para a imensa maioria dos agricultores.

No mercado externo, é de amplo conhecimento que a China é o principal parceiro comercial do agronegócio brasileiro. Diante desse fato, valeria a pena para o setor celebrar um acordo de livre-comércio com esse país? A resposta é “sim”. O fato de que o Brasil poderá vir a celebrar um acordo bilateral com a China pode trazer vantagens para o agronegócio nacional. Os produtos brasileiros poderiam chegar de forma ainda mais competitiva ao mercado chinês. Além disso, considerando que o agronegócio importa, essencialmente, insumos de produção e matérias-primas, o custo para aquisição desses produtos poderia ser reduzido, melhorando ainda mais as vantagens para o produtor brasileiro.

Prova da relevância do mercado chinês para o Brasil é o forte movimento de alta do preço da carne bovina ocorrido neste segundo semestre. As principais causas, segundo especialistas, foram o crescimento da demanda de carne bovina pela China, a menor oferta de bovinos para abate e a espera por retomada do crescimento da economia brasileira. Somados, esses fatores apontam uma boa expectativa para a bovinocultura de corte em 2020.

Como entrevistado do mês, a Agroanalysis traz Leonardo Sologuren, presidente do Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB), que é uma entidade sem fins lucrativos formada por profissionais e pesquisadores de diversas áreas que se uniram em prol da sojicultura nacional. O seu principal produto é o Desafio de Máxima Produtividade, criado em 2008. A entrevista aborda as ações executadas ao longo dos onze anos de existência da entidade comprometida em promover o aumento da produtividade da soja.

Foi apresentada, em 31 de outubro último, em Brasília, com a presença da ministra Tereza Cristina, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), e do ministro Ricardo Salles, do Ministério do Meio Ambiente (MMA), a CropLife Brasil. A entidade representará algumas das principais empresas especializadas em pesquisa e desenvolvimento de novas soluções nas áreas de sementes, biotecnologia e defensivos químicos e biológicos. A missão da CropLife Brasil será fomentar a inovação e o uso das mais modernas tecnologias nas lavouras brasileiras. A CropLife é uma instituição com mais de cinquenta anos de história e escritórios nos Estados Unidos, no Canadá, na Austrália, na África e no Oriente Médio.

Para encerrar, tem-se a publicação da 14ª edição do Caderno Especial Café, produzido pelo Conselho Nacional do Café (CNC). A fase tem sido de amplo esforço para superação do movimento cíclico de baixa nos preços. Existe uma dinâmica em ação por meio dos nichos de cafés especiais e da impulsão do café solúvel para a abertura de novos mercados.

Novembro 2019

EDIÇÃO 2019, 10 de novembro de 2019

Tema: Os marcos da agricultura de baixo carbono!

Conforme a Agroanalysis vinha sustentando, a reforma da previdência foi aprovada com folga. Já a reforma tributária ficará para 2020. Talvez, a reforma administrativa, que deve melhorar substancialmente a qualidade dos serviços públicos, reduzindo seu custo, possa passar ainda neste ano.

O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) será baixo neste ano e, talvez, chegue a 2% em 2020. A Selic e a inflação continuarão comportadas. Já, para o câmbio, é mais difícil fazer alguma previsão. Independentemente da segurança que as reservas cambiais brasileiras dão ao País, o mundo está passando por muitos solavancos. Tínhamos certeza que o câmbio não iria disparar. No momento que estas linhas estão sendo escritas, o dólar está abaixo de R$ 4,00. Na primeira semana de novembro, haverá um megaleilão de campos de petróleo do pré-sal, e é muito provável que haja uma grande entrada de dólares, jogando o câmbio mais para baixo. Depois disso, é impossível prever, em virtude dos fatores mundiais confusos. Por isso, os produtores têm de estar muito atentos ao câmbio, sem esquecer que juros tomados a 7% ou 8% ao ano são muito caros quando a inflação está ao redor de 3%.

No front externo, as atenções devem focar-se mais fortemente na 25ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP-25/UNFCCC, nas siglas em inglês), a ser realizada entre 2 e 13 de dezembro, em Santiago, no Chile. Tal Conferência é destinada às negociações da implantação do Acordo de Paris (COP-21). Será uma oportunidade boa para os representantes brasileiros apresentarem os resultados exitosos do Programa de Agricultura de Baixo Carbono (Programa ABC), lançado em 2010. Até 2018, o Brasil cumpriu 73% das metas voluntárias assumidas na COP-15, realizada em 2009 na Dinamarca, de redução da emissão de gases do efeito estufa.

Nesse sentido, o Caderno Especial deste mês sobre a pecuária sustentável reforça o papel desempenhado pela Política Nacional de Mudança do Clima (PNMC), composta por diversos programas, como o Programa ABC. A meta de recuperação de pastagens degradadas estabelecida pelo Programa representa um potencial de redução anual de emissões de gases do efeito estufa de 55 milhões de toneladas de CO2 eq., o que pode desmistificar o caráter unicamente emissor atribuído à pecuária bovina. De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a possibilidade de intensificar a produção pecuária em 95 milhões de hectares de pastagens corresponde a um potencial de 420 milhões de toneladas de CO2 eq. a menos em emissões no Planeta.

Ainda no mercado externo, há de se reconhecer o esforço de abertura comercial imprimido pelo governo nacional. Um dos acordos mais celebrados foi aquele entre o Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) e a União Europeia (UE), que vinha sendo costurado desde 1999. O leite foi considerado um produto sensível nessa negociação, pois cerca de 90% da produção nacional vem de produtores pequenos, com produção diária inferior a 200 litros. Como há um prazo de dez anos para a eliminação das tarifas entres as duas partes, haverá um tempo para o Brasil melhorar a tecnologia, a gestão e a escala de produção.

Olhando para o mercado interno de boi gordo, caso não ocorra nenhuma surpresa com a economia, a política e os fundamentos de mercado, as projeções apontam um mercado firme em 2020. As valorizações poderão ocorrer de forma mais intensa em relação a 2019, principalmente no segundo semestre.

Por fim, em 1º de outubro, foi assinada a Medida Provisória nº 897, chamada de MP do Agro. Entre outros pontos, o pacote institui o Fundo de Aval Fraterno (FAF) e dispõe sobre o patrimônio de afetação de propriedades rurais, a concessão de subvenção econômica e, talvez o tópico mais interessante, os títulos do agronegócio em moeda estrangeira. As emissões de Cédula de Produto Rural (CPR) e Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) com cláusula de variação cambial em moeda estrangeira poderão ser estruturadas e registradas no exterior livres de tributação no Brasil.

Outubro 2019

EDIÇÃO 2019, 10 de outubro de 2019

Tema: Efeitos do choque de mercado na política agrícola!

Alguns movimentos internacionais desvalorizaram o real mais do que se esperava: incêndio em uma destilaria de petróleo na Arábia Saudita; troca de farpas entre a China e os Estados Unidos; e aperto de curto prazo no sistema financeiro norte-americano, o que provocou uma elevação na taxa de juros interbancária e fez o Federal Reserve (Fed) intervir garantindo liquidez. Isso, somado à crise Argentina, ajudou o dólar a chegar ao patamar de R$ 4,15, com a natural corrida por segurança que ocorre nesses momentos. Em três meses, o dólar teve uma valorização de 8,5% sobre o real. No curto prazo, a volatilidade continua, mas, a médio prazo, a aprovação da reforma da previdência e a confortável situação cambial brasileira farão o dólar se desvalorizar. Por isso, as decisões de venda da produção e da compra de insumos devem ser muito bem pensadas.

Do outro lado, a inflação não se mexe. E, para complementar um quadro econômico pouco ortodoxo, a Selic caiu para 5,5%, com uma inflação de 3,5%. Os juros reais estão em um nível baixo que o Brasil não vê há, talvez, meio século, mas não há reação de demanda e do nível de emprego.

Um assunto de que temos tratado, mas, devido à sua enorme importância, requer exaustiva repetição é a necessidade de se saber lidar com juros nominais baixos (para o padrão brasileiro) e com a inflação também baixa (o que significa que os juros reais estão elevados). Fazer qualquer financiamento a 7% ou 8% ao ano significa pagar um juro real que pode quebrar o produtor rural. Por exemplo, no caso do milho, uma taxa de juros desse nível pode retirar de 20% a 70% do lucro operacional da cultura. Com uma Selic de 5,5%, o produtor deve esforçar-se ao máximo para utilizar recursos próprios e evitar bancos e cooperativas em compras financiadas.

A cultura do produtor brasileiro é a de trabalhar com financiamentos, porque quase sempre os juros do crédito rural eram menores do que os juros dos recursos próprios dos produtores. Mas, de dois anos para cá, o jogo mudou. O ambiente atual pressiona de forma direta por uma restauração imediata no mercado nacional de crédito rural. A distância entre as taxas de juros controladas das operações com recursos oriundos dos depósitos à vista e da poupança rural e as taxas livres ficou menor. O Plano Agrícola e Pecuário (PAP) da safra 2019/20 prevê empréstimos da ordem de R$ 222,7 bilhões, bem próxima da temporada passada. A enorme diferença está, agora, na menor disponibilidade para financiamentos a juros controlados, totalizando R$ 36,3 bilhões.

Desde meados da década passada, a

demanda de crédito rural a juros controlados mostra crescimento acima da oferta. Para isso, foram criados, na época, a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), o Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e o Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA). Esses títulos permitem a captação e a transferência de recursos do mercado de capitais para financiar a agricultura. A chamada ‘Medida Provisória do Agro’, muito aguardada pelo mercado, deverá trazer uma série de novidades nessa área, inclusive uma possível indexação inédita em moeda estrangeira.

No âmbito mundial, os desequilíbrios que se acumulam desde a crise de 2008 criam possíveis fontes de instabilidade que podem reprisar aquela dramática conjuntura. Economistas do mundo todo discutem se a economia mundial entrará em recessão. Se isso se confirmar, o Brasil poderá ser afetado com redução dos investimentos diretos no País, redução das exportações brasileiras e queda nas cotações das commodities, inclusive agrícolas, embora, por outro lado, uma elevação na cotação do dólar possa trazer algum alívio para os exportadores. No geral, o Brasil é uma das economias emergentes com contas externas mais confortáveis. Além de estar promovendo uma agenda complexa de reformas, não deverá ser o emergente que sentirá os impactos mais desfavoráveis.

 

Duas matérias sobressaem em tratar dos benefícios da adoção de tecnologia pela agropecuária brasileira. A primeira está inserida na entrevista do mês, com Marcos Guimarães de Andrade Landell, pesquisador de larga experiência e conhecimento na criação de novas cultivares e no manejo varietal de cana-de-açúcar. A segunda é um artigo sobre os ganhos proporcionados pela biotecnologia à sociedade e aos produtores. As lavouras melhoraram sua produtividade, com simultânea diminuição na pressão para ocupar novas áreas agrícolas. Em ambos os casos, há uma otimização no uso dos insumos que resulta numa agricultura cada vez mais sustentável.

No mercado de milho, a queda na produtividade das lavouras e o aumento nos custos de produção deverão prejudicar os resultados, mas, ainda assim, o resultado esperado é de lucro em Mato Grosso e no Paraná. Os fundamentos indicam pressão de alta nos preços no primeiro semestre de 2020.

O Caderno Especial deste mês trata do 12º Congresso Brasileiro do Algodão, com o tema “A cotonicultura como vitrine para a agricultura do amanhã”, promovido pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), que celebra vinte anos de existência. Durante esse tempo, com investimento na produção e na qualidade, a cadeia produtiva trouxe prosperidade para a região do Cerrado, de alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Em termos mundiais, o Brasil ocupa o quarto posto na produção e o segundo na exportação. Garantir a continuidade desse desempenho faz parte do desafio setorial.

Para encerrar, é importante, também, destacar a realização do 2° Fórum Anual do Cacau, que conta com o Caderno “Estratégias Sustentáveis para a Cadeia Produtiva de Cacau e Chocolate”. O evento contou com a participação de representantes nacionais e internacionais da cadeia produtiva de cacau e chocolate. A iniciativa é da Fundação Mundial do Cacau (WCF, na sigla em inglês). A principal mobilização entre os elos da cadeia intensifica-se, com foco na melhoria da eficiência produtiva do agricultor por meio de acesso a crédito, assistência técnica e investimento na cultura. O Brasil, que já foi o maior exportador de cacau, figura, hoje, na sétima posição no mercado mundial.

Setembro 2019

EDIÇÃO 2019, 10 de setembro de 2019

Tema: Percepção e realidade das queimadas e do desmatamento!

Os avanços da reforma previdenciária no Congresso Nacional representaram um importante avanço para a economia brasileira em 2019. O déficit do sistema cresceu com muita força ao longo dos últimos anos. Para 2019, as projeções apontam para um resultado negativo da ordem de R$ 190 bilhões. É relevante frisar que esse déficit incorpora apenas o sistema previdenciário do setor privado. Se for incorporado o lado da área pública, esse número aumenta de forma considerável. As perspectivas são ainda mais sombrias se considerarmos que a população envelhece num contexto de queda da taxa de natalidade. A Agroanalysis acredita na aprovação da reforma da previdência até o final do ano. Com isso, o dólar deverá recuar para um nível inferior ao atual.

Em fins de 2018, consolidou-se, em boa parte dos economistas, a percepção de que, em 2019, a partir da aprovação da reforma da previdência, a retomada da economia brasileira seria mais robusta. Até o momento, a realidade dos fatos mostra-se bem diferente. Fica cada vez mais evidente que a economia não está se recuperando e que as expectativas de crescimento econômico são pífias. Tudo isso apesar de a taxa de juros Selic situar-se no seu menor patamar desde que o real foi implementado, em junho de 1994. Ainda elevado, o grau de endividamento dos agentes privados limita suas capacidades de consumo e investimento.

Na mídia internacional, circula uma profusão de notícias sobre o aumento da queimada e o desmatamento na Amazônia. Predominante ilegal, essa prática criminosa ganhou espaço com a intensa seca registrada neste ano. Com a demora do Governo em captar a importânia desse quadro, a percepção da realidade dos fatos recai sobre o agronegócio brasileiro, que possui liderança em escala global. Há o risco de o setor sofrer boicotes e restrições comerciais de países importadores.

A Agroanalysis traz um artigo que apresenta os resultados de a produção da Fazenda Roncador, que fica no município de Querência-MT, ter mudado o seu sistema de produção passando a adotar práticas de baixa emissão de carbono. Como resultado, foi possível aumentar a produtividade sem a necessidade de expandir as áreas de produção, ou seja, sem desmatar. Além disso, a carne produzida pela Fazenda possui um saldo positivo na capturadora de carbono.

No destaque de capa, tem-se a entrevista com a ministra Tereza Cristina do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Trata-se de uma personalidade de ampla aceitação dentro e fora do mundo da agricultura. Nesses primeiros meses do novo governo, com propostas liberais, manifestou posições lúcidas e balanceadas nos mais diferentes assuntos. Montou comitivas e preparou agendas para viagens de negociações internacionais com empresários privados e autoridades governamentais. Liderou os debates e introduziu propostas interessantes no Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2019/2020. Agora, trabalha para a elaboração de um plano de comunicação internacional do agro.

No setor sucroenergético nacional, um artigo explica o quadro atual da situação financeira de muitas usinas que estão em recuperação judicial ou que decretaram falência. O controle de preços que perdurou principalmente na primeira metade desta década prejudicou em muito essa cadeia. Tal política tirou cerca de R$ 70 bilhões de renda das empresas. Em acréscimo a isso, as baixas margens, a má gestão e os altos níveis de endividamento são os ingredientes perfeitos para a tragédia econômica das usinas. Agora, o programa RenovaBio enche o mercado de esperanças para um futuro positivo.

Em matéria especial, o destaque vai para a Sociedade Rural Brasileira (SRA), pela comemoração do seu primeiro centenário neste ano. A entidade acompanhou os efeitos da Primeira e da Segunda Guerras Mundiais e a bipolaridade política da Guerra Fria sobre a agricultura brasileira, principalmente na primeira metade do século passado. Participou do surgimento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e viu a tecnologia da produção agropecuária chegar ao Cerrado. Sempre defendeu o Estado de direito, o direito da propriedade e a democracia. Participou da Assembleia Constituinte de 1988 e esteve presente no Plano Real para a estabilidade econômica do País, nos embates comerciais na Organização Mundial do Comércio (OMC) e na aprovação do Código Florestal. A entidade segue com pauta atual para o agro crescer e acessar mercados internos e externos.

Para terminar, tem-se dois registros sobre fatos relevantes para o agronegócio nacional. O primeiro vem da Política de Preços Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas, cuja constitucionalidade está em julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), o que gera insegurança jurídica e configura um sério problema discutido pela Associação Nacional dos Exportadores de Cereal (ANEC). O segundo relaciona-se ao trabalho pioneiro e inovador realizado pelo Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB), com o programa Desafio Nacional de Máxima Produtividade de Soja, que serve de exemplo para outras cadeias produtivas.

Agosto 2019

EDIÇÃO 2019, 10 de agosto de 2019

Tema: Detalhes do acordo comercial entre o MERCOSUL e a UE!

Desde 2014, a economia brasileira vem registrando um desempenho fraco em termos de crescimento econômico. Após o aprofundamento da recessão em 2015 e 2016, a atividade econômica doméstica passou a dar sinais de recuperação mais concretos a partir de 2017, mas a perspectiva de recuperação em 2018 foi abatida pela greve dos caminhoneiros. Para 2019, as perspectivas iniciais apontavam algum grau de otimismo, contudo todos os setores registraram crescimento entre quase nulo e levemente moderado. O desemprego permanece alto, embora tenha registrado leve queda.

Para o segundo semestre, o cenário para a economia é mais favorável. As medidas que estão sendo tomadas pelo Governo deverão gerar resultados mais fortes apenas a partir do próximo ano, mas, neste momento, melhoram a expectativa dos agentes, o que é positivo. A inflação deve se manter controlada, podendo ocorrer um novo ciclo de redução da taxa básica de juros, e o real deve se valorizar. O crescimento econômico deve terminar o ano próximo de 1%.

O recente acordo comercial entre o Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) e a União Europeia (UE) teve ampla repercussão na mídia nacional. Delongado há duas décadas, esse pacto representa um fato importante por se contrapor às recentes ideologias protecionistas no comércio internacional. Essa será uma das maiores áreas de livre-comércio do mundo, com um mercado de 780 milhões consumidores, o correspondente a um quarto da economia mundial. Mais de 90% dos produtos comercializados entre os dois blocos terão as tarifas eliminadas, enquanto, no restante, serão aplicadas cotas preferenciais de importação com tarifas reduzidas. Com variação conforme o produto, o processo de eliminação de tarifas deve levar até quinze anos a partir da data de definição da parceria. Agora, cumprirá ao Parlamento europeu e ao Congresso dos quatro países do MERCOSUL destrincharem a aprovação do tratado. Ainda que os resultados venham a se concretizar a médio e longo prazos, espera-se um maior dinamismo de complementariedade entre as economias dos dois blocos, seja no comércio de produtos e serviços, seja em investimentos.

Com o Plano Agrícola e Pecuário (PAP) da safra 2019/20, os recursos para a subvenção do prêmio poderão, pela primeira vez, causar algum impacto sobre o mercado, com R$ 1 bilhão sem contingenciamento. Esse pode ser o primeiro sinal de que, no futuro, as apólices de seguros venham a servir como garantia nas operações de financiamento. Os médios e os grandes produtores poderão buscar recursos em outras fontes e pleitear taxas de juros mais competitivas. Além disso, os próprios bancos terão mais disposição para emprestar. Cerca de quatorze operadoras estão habilitadas a operar a venda de seguro.

Outra novidade do PAP da safra 2019/20 consiste na adoção de medidas para transferir recursos financeiros do mercado de capitais ao agro. Os títulos do agronegócio deverão ser utilizados para a concessão de crédito rural a taxas de juros livres no mercado. Nesse contexto, o lançamento da plataforma Bolsa Agro CPR, criada pela Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM), vem em boa hora. Os títulos passarão a ser 100% digitais. Esse instrumento trará mais clareza e segurança técnica e jurídica às conhecidas Cédulas de Produto Rural (CPRs) de gaveta. Além disso, trará solução para o trâmite demorado dos registros de garantias extrajudiciais em cartórios de um volume considerável de CPRs emitidas no Brasil.

Artigos veiculados na mídia nas últimas semanas indicaram que o cenário para o produtor de soja foi muito ruim na safra passada (2018/19) e será pior na atual. Há relatos de produtores que tiveram prejuízo na safra que acabou e, diante do panorama desfavorável, estão reduzindo a compra de insumos para o novo plantio. Em casos extremos, investidores estão sendo obrigados a vender a terra para pagar dívidas. Essas notícias não têm fundamento real, e causa até estranheza sua publicação. Nenhum dos dados de venda de terras, nem do grande aumento da inadimplência dos sojicultores, podem ser confirmados por nós. Estimativas apontam que, em Mato Grosso e no Paraná, o resultado da atividade tem diminuído ano a ano, mas ainda é positivo. Ou seja, a lucratividade tem piorado, e, mais do que nunca, uma gestão eficaz é necessária. Na safra 2019/20, a previsão é de que o sojicultor lucre R$ 306,61 por hectare no Paraná e R$ 249,56 por hectare em Mato Grosso.

No mercado de algodão, o aumento da produção de pluma nas duas últimas safras pressionou para baixo os preços no mercado interno, reduzindo o resultado do produtor na safra 2018/19. Para a safra 2019/20, as estimativas apontam um prejuízo de R$ 504,56 ou até um lucro de R$ 1.220,44 dependendo do preço pelo qual o produtor conseguir vender a produção.

Preocupante é a situação das usinas de álcool. De acordo com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), do total de 444 usinas no Brasil, 27% estão em recuperação judicial ou falidas. Além disso, 101 unidades não estão operando. A médio prazo, poderá haver um enxugamento do parque sucroalcooleiro. Na próxima edição, a Agroanalysis trará um artigo mais detalhado sobre o quadro das usinas.

A Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef) e a CropLife Latin America realizaram o Fórum Internacional Inovação para Sustentabilidade na Agricultura. No centro das discussões, estiveram a importância da adoção de tecnologia, as boas práticas agrícolas e a necessidade de uma comunicação transparente com a sociedade para a reputação do alimento brasileiro. A agricultura teve um aumento significativo na produtividade das suas lavouras, e o Projeto de Lei nº 6.299 será fundamental para a continuidade dessa performance, pois dará mais eficiência ao processo regulatório dos defensivos, com rigor científico.

O Caderno Especial apresenta, pela décima primeira vez na Agroanalysis, os posicionamentos e as iniciativas da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo). Os números apresentados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês) no relatório “Perspectivas Agrícolas 2019-2028” corroboram as expectativas positivas para o agro nacional. A entidade trabalha intensamente com parcerias para fortalecer os ganhos de produtividade das culturas.

A entrevista do mês apresenta as opiniões de Milton Garbugio, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), que comemora vinte anos em 2019. No seu depoimento, entre outros comentários, fala sobre a abertura de novos mercados, o investimento em tecnologia para a rastreabilidade da pluma de algodão e a qualidade das análises laboratoriais do produto. Chama, também, a atenção para o programa de referência em sustentabilidade que levou o Brasil ao posto de maior fornecedor mundial de fibra licenciada pela Better Cotton Initiative (BCI).

Julho 2019

EDIÇÃO 2019, 10 de julho de 2019

Tema: O desmame do Plano Safra 2019/20!

A atividade econômica do primeiro semestre do ano registrou um desempenho bem abaixo do esperado. As projeções de crescimento econômico, que se situavam em patamar acima de 2% no ano passado, foram revistas para cerca de 1% mais recentemente. Nesse ambiente, a taxa de desemprego permanece elevada.

Fato é que poucas vezes tivemos um início de governo tão confuso como este. Se de um lado avançam vários pontos fundamentais da agenda econômica, como a reforma da previdência e a reforma tributária, de outro, a falta de habilidade política tem provocado solavancos e incertezas no mercado.

Como temos muita confiança que a reforma da previdência será aprovada, as coisas devem melhorar no segundo semestre. Para o produtor rural, duas coisas são fundamentais:

  • o dólar tende a cair em relação ao real. Não será uma queda brusca, mas poderemos ver um dólar entre R$ 3,50 e R$ 3,60 no final deste ano;
  • as taxas de juros reais estão muito elevadas. Para uma taxa de 8% ao ano, o juro real será de 4%. Para taxas ao redor de 15% (por exemplo, utilizadas por algumas trading companies, nas operações de soja verde), o juro real será de 11%.

Muitos produtores ainda habituados com taxas altas de inflação e juros menores já tiveram problemas e estão inadimplentes. Por exemplo, um juro real de 11% engole 110 mil reais em uma receita de 1 milhão. E, pior, se o preço do produto ficar parado (por exemplo, a soja, se o dólar recuar), os juros de 15% vão engolir 150 mil reais da receita, muitas vezes o lucro total da operação.

Quem puder evitar os bancos deve fazê-lo. O problema aumenta para a compra de equipamentos. A taxa de 8% ao ano, com uma inflação de 3,5%, fará com que as prestações aumentem em termos reais ao longo do tempo. Por isso, o planejamento financeiro será a chave do sucesso.

Nesta linha, foi  anunciado o Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2019/20, acessível de 1º de julho de 2019 a 30 de junho de 2020. Este é o terceiro PAP dentro do contexto da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 95/96, do teto dos Gastos Públicos. Com recursos limitados para atender a demanda de crédito rural, o governo teve de traçar uma linha de prioridades. O volume total de recursos previstos para empréstimos aumentou apenas 0,74% em relação ao anterior. Em termos reais, descontada a taxa de inflação, a variação foi negativa. Já na disponibilidade de crédito rural com taxa de juros controlada, sofreu um corte razoável. Esse é mais um passo para o desmame de subsídios do setor.

Na atividade rural, um dos fatores do sucesso é o nível do conhecimento técnico empregado pelos produtores. O Censo Agropecuário 2017, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra resultados preocupantes quando se analisa essa questão: apenas 19,9% dos estabelecimentos agropecuários brasileiros receberam assistência técnica, cuja taxa apresentou profundas diferenças regionais (de 7,4% no Nordeste a 48,6% no Sul). Na bovinocultura, por exemplo, a taxa de assistência técnica foi de 25,2%, o que também é considerado baixo. No estado de São Paulo, para enfrentar esse desafio na área da assistência técnica e buscar desenvolver a Agricultura de Baixo Carbono (Plano ABC), há o projeto “Práticas Estratégicas para Mitigar as Emissões de Gases de Efeito Estufa nos Sistemas de Pastagens do Sudeste brasileiro”. Um dos seus objetivos é estudar os fatores críticos para a transferência de tecnologia para a cadeia produtiva da pecuária bovina.

Na área internacional, o Limite Máximo de Resíduos (LMR) de pesticida representa um tema cada vez mais importante para os países exportadores de produtos agrícolas, como o Brasil. Nesse contexto, a falta de regras, em condições realistas, por parte de países importadores traz preocupação para as autoridades de uma forma geral. Os eventos promovidos pelo Instituto de Regulação e Sustentabilidade AGRO procuram aprofundar esse debate com o  governo, empresas e associações de produtores rurais. Artigo analisa o papel da Organização Mundial do Comércio (OMC), do Codex Alimentarius, das Barreiras Técnicas de Comércio (BTC) e do Acordo Sobre a Aplicação de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias (SPS), dentre outros, nesta área.

Como entrevistado do mês da Agroanalysis, temos a participação do engenheiro de alimentos Marcello Brito, que acaba de assumir a presidência da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) para a gestão no triênio 2019-2021. A entidade comemora em 2019 seus 25 anos de existência com uma lista de iniciativas e realizações que a colocam como uma das entidades mais respeitadas e com mais formadores de opinião do agronegócio nacional. O conteúdo da conversa traça uma breve análise sobre o desempenho do agro e olha para as reformas em curso no país. Como fechamento, comenta sobre o Congresso Brasileiro do Agronegócio (CBA), a ser realizado no próximo dia 5 de agosto, com o tema “Agro: Momento Decisivo”.

O caderno especial traz uma matéria sobre as atividades desenvolvidas pela Aprosoja Mato Grosso. Essa publicação é feita anualmente, desde 2009, em especial na edição de julho, com registro dos grandes e frutíferos eventos realizados pela entidade. Uma verdadeira agenda de constantes inovações. Nesta oportunidade, os tópicos abordados são: o tradicional Circuito Agrosoja, na sua 14º versão, e os projetos Guardião das Águas e Classificador Legal.

Para encerrar, a triste notícia, em especial para a economia rural brasileira, sobre a perda de um dos seus mais ilustres e dignos expoentes, ocorrida no mês de junho: Mauro de Rezende Lopes. Profissional respeitado no Brasil e no exterior, Mauro deixa um extraordinário legado graças a um currículo invejável, do qual podemos destacar alguns itens apenas, dada sua impressionante e qualificada extensão. Publicou inúmeros trabalhos de pesquisa no Brasil e no exterior. E é autor de um livro editado pela Embrapa, fundamental para o entendimento das instituições ligadas ao agronegócio nacional: “Agricultura Política: A História dos Grupos de Interesse na Agricultura”.

Junho 2019

EDIÇÃO 2019, 10 de junho de 2019

Tema: Contratempos na Reforma da Previdência Social!

No que se refere à implementação de uma agenda econômica para o Brasil, os primeiros meses do governo Bolsonaro foram decepcionantes para o mercado. Considerada fundamental para o crescimento do País nos próximos anos, a reforma da previdência enviada ao Congresso Nacional não avança na velocidade esperada. Neste momento, a proposta caminha a passos lentos, sem sinais de aprovação neste final de primeiro semestre. Acreditava-se em uma maior capacidade de articulação e coordenação política do governo como forma de acelerar a aprovação dessa reforma. Curiosamente, as resistências quanto à sua execução, seja no Parlamento ou na sociedade, são muito menores hoje do que no passado.

Esse baixo poder de articulação mostrado pelo governo até o momento, aliado ao desempenho abaixo do esperado da atividade econômica, ampliou o desânimo quanto ao futuro da nossa economia. Muito provavelmente, a economia brasileira registrará um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da ordem de 1% em 2019.

A Agroanalysis acredita na aprovação da reforma nos próximos meses. Para o segundo semestre, o dólar deve manter-se abaixo dos R$ 4,00 e a inflação deve estar controlada.

A bovinocultura de corte brasileira é o foco de dois artigos nesta edição, com análises diferenciadas. No mercado, para o médio e o longo prazos, há expectativa de boa demanda externa e oferta menor de boiadas ao longo do ano, o que configura um cenário positivo para as cotações do boi. São esperadas altas mais expressivas nas cotações da arroba do boi gordo no segundo semestre. Na produção, o Brasil possui tecnologia e eficiência produtiva que conferem vantagens competitivas e que projetam o País para um protagonismo num futuro promissor. Estamos respondendo as questões de ordem global, que incluem segurança alimentar, higidez sanitária dos rebanhos, segurança e defesa das cadeias produtivas, biosseguridade dos alimentos e risco de bioterrorismo. Ao mesmo tempo, o País está desenvolvendo e intensificando os manejos sanitário, reprodutivo e nutricional de animais, com a utilização de programas de melhoramento genético, a melhoria dos processos zootécnicos e o desenvolvimento de insumos e processos produtivos mais eficientes.

Externamente, tem-se o risco temeroso de a peste suína africana dizimar até um terço dos animais na China, a qual representa em torno de metade da produção e do consumo mundiais. Entre as criações de animais de larga escala, não existe nenhuma nação com uma participação dessa magnitude. Detectado no início de agosto de 2018, o surto da doença alastrou-se de forma rápida por toda a nação. Por coincidência, todos esses acontecimentos fortuitos ocorrem justamente quando se celebra o Ano do Porco na China, de 5 de fevereiro de 2019 a 25 de janeiro de 2020. Na proporção em que a doença avança, aumenta a expectativa de maiores importações de proteína animal pelos chineses, tanto de carne suína, como de aves, bois e peixes. Com carne de boa qualidade e competitiva, o Brasil está no radar dos chineses. Alguns frigoríficos brasileiros já registram aumento das vendas para o país asiático.

No Caderno Especial da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), discute-se sobre os desafios do setor. No açúcar, o foco recai sobre o trabalho contra as políticas protecionistas praticadas pelos países na produção e na comercialização de açúcar, com a abertura de três contenciosos na Organização Mundial do Comércio (OMC) nos últimos três anos. No biocombustível, vislumbra-se a chegada do futuro com o anúncio da Toyota de que o Brasil produzirá um Corolla com tecnologia flex (uso de etanol e gasolina com geração de energia e motorização elétrica ao motor de combustão). Na bioeletricidade derivada da biomassa de cana-de-açúcar, evidencia-se o potencial de crescimento de 20% com a atual capacidade instalada. E, pela frente, dá-se boas vindas à Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), que entra em operação no próximo ano.

Um estudo do Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege), da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), aponta que o resultado do produtor de cana foi de prejuízo na grande maioria das localidades analisadas, na safra 2017/18. No caso do produtor de Guariba-SP, o prejuízo foi de R$ 9,51 por tonelada de cana, ou R$ 817,86 por hectare. Estudos realizados mensalmente pela Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (ORPLANA) comprovam que há uma defasagem percentual de participação da matéria-prima no custo de produção do açúcar e do etanol. Em janeiro deste ano, por exemplo, o preço adotado pelo Conselho de Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Etanol do Estado de São Paulo (CONSECANA-SP) ficou defasado em 14,16%, ou seja, o valor de R$ 0,5748 por quilo de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) deveria ser de R$ 0,6562. Por essa razão, os produtores reivindicam uma alteração na fórmula de cálculo do CONSECANA-SP.

Na seção Abre Aspas, a entrevista com Jaime Basso, presidente da Sicredi Vale do Piquiri ABCD, traz revelações sobre como se deu essa evolução da cooperativa e revela os planos futuros para a continuidade do crescimento da organização. Em 2016, a cooperativa chegou ao coração financeiro do Brasil com a inauguração da primeira agência da instituição na cidade de São Paulo, localizada na avenida Paulista. Quando analisamos o Sistema Sicredi, a carteira de crédito foi de R$ 56,1 bilhões em 2018, valor 28% superior ao de 2017. Contando com mais de 4 milhões de associados e 1.684 pontos de atendimento em todo o País, concedeu R$ 10,1 bilhões em crédito apenas para projetos relacionados à economia verde em 2018.

Neste mês em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), o destaque tradicional vai para o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV), que é uma instituição sem fins lucrativos criada por fabricantes de defensivos agrícolas com o objetivo de promover a correta destinação das embalagens vazias de seus produtos. É o núcleo de inteligência do Sistema Campo Limpo, responsável pela operação da logística reversa das embalagens em todo o País. Desde 2002, já retirou mais de 500 mil toneladas de embalagens vazias do campo, destinando corretamente 94% das embalagens comercializadas no Brasil. Trata-se de um case de sucesso da responsabilidade compartilhada entre agricultores, canais de distribuição, indústrias e poder público, conforme determina a legislação.

Maio 2019

EDIÇÃO 2019, 10 de Maio de 2019

Tema: Expectativas para o Plano Safra 2019/20!

Por conta da atividade econômica mais fraca do que o esperado, as projeções para o crescimento econômico brasileiro têm sido sistematicamente revistas para baixo. De acordo com o Banco Central (BCB), as previsões eram de 2% em 2019. Porém, o desempenho no primeiro trimestre já direcionou as projeções para menos de 2%. Alguns analistas apontam para um ano perdido em termos de crescimento e sinalizam uma potencial retomada mais robusta apenas para 2020. A atenção está voltada para a aprovação da reforma da previdência, essencial para traçar uma trajetória mais favorável das contas públicas. A dimensão da economia com a implementação dessa proposta de reforma dependerá, em última instância, do grau de desidratação que ela sofrerá ao longo do seu processo de tramitação no Congresso.

É importante notar que o processo de redução do grau de endividamento das famílias, que abriria espaço para um novo endividamento e um maior consumo, ainda não se encerrou. Enquanto esse ajuste não se processar inteiramente, será mais difícil a economia voltar a exibir maior dinamismo.

Um efeito esperado da redução da atividade econômica é o aumento da ociosidade da infraestrutura disponível. No entanto, no que se refere aos terminais portuários para descarga de combustíveis, no Brasil, não foi isso que aconteceu nos últimos anos, ou seja, os terminais estiveram mais ocupados. Por outro lado, houve contração, adiamento e cancelamento de investimentos. Como resultado, a utilização da capacidade de recebimento de combustíveis importados está em vias de saturação. Uma estimativa aponta que a demanda por óleo diesel poderá ultrapassar a capacidade de oferta em 2026 considerando um cenário mediano de crescimento. Uma forma de evitar uma crise de abastecimento seria por meio de investimentos em infraestrutura portuária com foco na importação de óleo diesel. E, ao mesmo tempo, é necessário incentivar a produção de biodiesel.

Em 2018, a agroindústria brasileira respondeu por 34,7% do Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro. Apesar da importância desse setor, não havia um indicador que acompanhasse a evolução da agroindústria de forma periódica e que permitisse a comparação do seu desempenho aos resultados dos demais segmentos da indústria nacional. Visando preencher essa lacuna e fornecer à sociedade informações sobre esse elo fundamental do agronegócio brasileiro, o Centro de Agronegócio da Fundação Getulio Vagas (FGV Agro) lançou o Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro). Esse novo indicador, que será publicado mensalmente, permitirá comparar o desempenho da agroindústria brasileira e dos seus segmentos mais importantes ao do restante da indústria nacional. Para projetar o desempenho da produção agroindustrial em 2019, o Índice considera os movimentos de três variáveis principais: o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br); o Índice de Confiança da Indústria de Transformação da Fundação Getulio Vargas (ICI-FGV); e a taxa de câmbio (R$/US$).

Quando se olha para o agronegócio e os seus setores correlatos, fica evidente que o seu momento econômico é muito diferente do quadro geral do País. Prova disso foram os corredores cheios na primeira edição da ANUFOOD Brazil, Feira Internacional Exclusiva para o Setor de Alimentos e Bebidas, que trouxe para o País um modelo que é referência em eventos para a indústria de alimentos em todo o mundo. O evento, que aconteceu no último mês de março, reuniu 7.395 visitantes e duzentas marcas expositoras de vinte países. Entre os compradores presentes, haviam representantes de grandes redes, como Grupo Casino, Carrefour, Walmart e Grupo St. Marché, e redes regionais de todos os estados brasileiros. O evento atendeu compradores buscando bons negócios tanto para o mercado interno, quanto para exportações.

Mesmo sendo o Brasil um grande país consumidor de chocolate, a indústria nacional precisa importar a principal matéria-prima do produto, o cacau. Somos o sétimo produtor mundial do fruto, atrás de Costa do Marfim, Gana, Indonésia, Equador, Camarões e Nigéria. No agro brasileiro, grande plataforma fornecedora e exportadora de produtos, essa situação representa uma das poucas exceções. Nos últimos trinta anos, afligida pela vassoura-de-bruxa, a produção anual brasileira saiu de um patamar de produção de 450 mil toneladas para um de cerca de 150 mil. Essa situação começa a ser revertida depois da reunião anual da World Cocoa Foundation (WCF – Fundação Mundial do Cacau em tradução livre), realizada no Brasil, com a presença de representantes de 80% do mercado de cacau no mundo.

Em relação ao Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2019/2020, que se encerra em junho próximo, a negociação entre o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), o Ministério da Economia e o BCB é tensa. Com inflação baixa e permanência da taxa básica de juros (Selic) a 6,5% ao ano, o mercado, naturalmente, pressiona pela redução da taxa de juros livres no crédito rural. Há uma transição em curso. O Governo pressiona para fazer cortes subsídios para a equalização das taxas de juros inferiores à Selic.

O Conselho Nacional de Política Fazendária (CONFAZ), que reúne os secretários estaduais da Fazenda, votou pela prorrogação do Convênio ICMS nº 100/97 por mais um ano. Com essa decisão, a redução da base de cálculo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre insumos agropecuários valerá até 30 de abril de 2020. Isso traz um alívio pelo menos temporário para a indústria produtora e os produtores consumidores de insumos. Mas, já existem incessantes ataques para que esse adiamento não venha a ocorrer novamente. O risco é concreto. Tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI nº 5.553) contra o Convênio, enquanto a situação fiscal de alguns estados é de calamidade financeira.

Na entrevista do mês, tem-se a presença de Sebastião Barbosa, presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que elabora o seu sétimo Plano Diretor, com cronograma para ficar pronto no segundo semestre. O desafio consiste em estabelecer as diretrizes e os objetivos estratégicos do programa de pesquisa para a próxima década. Esse processo exige criatividade, parceria, cooperação e financiamento para se aproximar do setor produtivo.

Por fim, o Caderno Especial da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) trata de assuntos relevantes, em pauta no setor.

Abril 2019

EDIÇÃO 2019, 10 de abril de 2019

Tema: Primeira e gigante reforma da previdência!

Continuamos observando as idas e vindas de um governo que ainda está ajustando a sua organização interna e entre os vários grupos de apoio. O tempo para esse ajuste está maior do que o esperado. Desta forma, é muito provável que o crescimento da economia seja pequeno neste ano. Por outro lado, a insegurança tem feito o dólar ficar mais valorizado do que inicialmente imaginado. Contudo, a Agroanalysis ainda acredita na aprovação da reforma da previdência, o que irá trazer maior grau de confiança para os agentes econômicos. Nossa previsão ainda é de um dólar mais baixo para o segundo semestre. Os juros não devem subir, e a inflação vai ficar bem-comportada.

Não podemos cansar de repetir que, com baixa inflação, é fundamental aprender a trabalhar com o novo conceito de juros. Se a inflação ficar em 3,5%, um juro de 7,0% é alto! Convivemos, por muitos anos, com juros e inflação elevados. Muitos produtores ainda enxergam juros de 7,0% ao ano como baixos. Mas, com a inflação atual, são altos até demais!

Um dos assuntos mais importantes em curso no agro diz respeito ao Plano Agrícola e Pecuário (PAP) para a safra 2019/20, que vai de julho de 2019 a junho de 2020. A queda na taxa de juros Selic, que chegou ao seu mais baixo patamar da história – e com tendência de assim se manter, segundo o boletim Focus do Comitê de Política Monetária (Copom) –, cria um novo ambiente de negócios para as políticas agrícolas brasileiras. O modelo tradicional de crédito rural, com tantos benefícios para setor produtivo, demonstra sinais de esgotamento, sendo incapaz de acompanhar as demandas do agro. O financiamento privado com base nos títulos do agronegócio tende a ganhar espaço, mas ainda precisa de taxas de juros menores, mais competitivas. Os recursos para subsídios deverão reservar um lugar para o seguro rural. Outras medidas também seguem em discussão, embora de forma embrionária.

Entre os temas mais tensos neste mês, aparece, sem dúvida, a renovação do Convênio ICMS nº 100/197. Este confere desconto no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de 60% sobre insumos agropecuários e de 30% sobre determinados produtos agrícolas. Caso seja vetado, o agronegócio brasileiro sofrerá um perverso impacto. No total do País, a ampliação da carga tributária será de 0,61%. O questionamento do Convênio decorre da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 5.553, proposta pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) junto ao Supremo Tribunal Federal (STF). Já a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) impetrou um processo para defender a sua manutenção.

O mercado de terras começa a esboçar reação, depois de quase três anos de preços praticamente andando de lado e com baixa liquidez. Por enquanto, predomina um jogo de interesses e especulações, sem de fato haver concretização de negócios. De qualquer forma, a maior procura por terras indica uma melhora do ânimo dos compradores, com mudança no quadro conjuntural. A forte valorização da soja no mercado brasileiro em 2018 – em função da alta do dólar –, o aumento das exportações para a China e as expectativas melhores para a economia nacional trouxeram entusiasmo e aumento das consultas para a compra ou o arrendamento de terras na agricultura. A expectativa é de uma maior movimentação no mercado neste ano. Acompanhar o ritmo das políticas econômicas e das negociações das reformas necessárias para o País e o desenrolar da produção agrícola nacional é um ponto fundamental, pois tais temas podem impactar o desempenho do mercado de terras nos próximos meses.

Na entrevista, houve a participação de Marcelo Vieira, presidente da histórica Sociedade Rural Brasileira (SRB), empresário rural na cafeicultura no sul de Minas Gerais e vice-presidente da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA, na sigla em inglês). Como entrevistado, ele apresenta a sua visão do agro diante de um governo com propostas mais liberais para a economia brasileira e fala sobre a atual conjuntura do mercado de café e as comemorações dos cem anos da SRB.

O Caderno Especial trata das iniciativas da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), em seu papel primordial de fazer o elo entre o campo e a indústria de transformação. A entidade tem trabalhado com dois focos principais: o primeiro, de representatividade, realizando a interação com órgãos nacionais e internacionais; e o segundo, de conhecimento, com a criação do projeto Estatística, em parceria com o Centro de Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (GV Agro), para consolidar informações seguras e consistentes sobre o setor para a indústria. Outra ação de destaque foi a formulação da Política Nacional do Trigo (PNT), que visa municiar o novo governo com informações sobre o setor.

Março 2019

EDIÇÃO 2019, 10 de março de 2019

Tema: Realmente uma jabuticaba!

Estranho este nosso País. O governo Jair Bolsonaro enfrenta sérios problemas internos de coordenação e, ao mesmo tempo, consegue entregar à nação uma proposta de reforma da previdência muito razoável. A aprovação dessa proposta é fundamental para o País voltar a caminhar normalmente. A Agroanalysis vai acompanhar o andamento da discussão e, no momento adequado, trará um guia dos principais pontos dessa nova lei. As chances de aprovação desse projeto são muito grandes. Obviamente, a forma original será alterada, e algumas concessões serão feitas, mas, a julgar pela reação dos principais agentes econômicos, há crença firme na aprovação de uma nova previdência que ajude a fechar o rombo das contas públicas.

Nesse processo, o movimento é de manutenção das taxas de juros atuais, inflação muito comportada e valorização do real. Com a reforma da previdência aprovada, a tendência será o dólar valer menos de R$ 3,50, o que, talvez, não interesse ao governo, em função das exportações industriais. Nesse caso, poder-se-ia imaginar até uma nova queda da Selic: juros menores atraem menos capital, e a oferta de dólares poderia ser menor do que o cenário com a reforma da previdência aprovada e com uma Selic de 6,5%. Enfim, mais uma vez, é preciso estar muito atento tanto para vender a safra, como para realizar a compra de insumos.

Como aconteceu nos últimos anos, a Agroanalysis traz um artigo que compara as rentabilidades médias das atividades agropecuárias e de outras opções de investimento de capital em 2018. O dólar apresentou a maior rentabilidade entre as atividades e os indicadores analisados, com valorização de 18,51% no ano. Na sequência, apareceram o Ibovespa (15,03%), o ouro (11,43%), o arrendamento para cana-de-açúcar (7,44%) e a produção de cana (7,11%). Por mais um ano, a cana aparece como a opção mais rentável entre as atividades agropecuárias. Para 2019, a expectativa é de que o câmbio e a demanda chinesa pesem menos sobre os preços no mercado interno. Com isso, os resultados econômicos, sobretudo dos grãos, deverão ser piores em comparação aos apurados em 2018.

A questão do “autocontrole” sanitário, em que os empresários são responsáveis por garantir a segurança dos alimentos que oferecem aos consumidores, é recorrente no debate agrícola brasileiro desde o final da década de 1980. Para os especialistas da área de Defesa Sanitária, há consenso quanto à necessidade de revisão dos sistemas atuais de inspeção. Esse consenso foi, mais recentemente, reforçado devido à operação Carne Fraca. Uma eventual reforma pode trazer uma solução para problemas enfrentados pelas indústrias produtoras e exportadoras de alimentos, bem como para o Governo. Mas, a concretização dessa ação exige um aparato institucional adequado, para que não se conduza à implementação de novas barreiras não tarifárias e não se traga desconfiança ao consumidor.

As tarifas representam a forma de barreira mais previsível e conhecida da relação comercial entre as nações. Durante décadas, a Organização Mundial do Comércio (OMC) ocupou-se com o estabelecimento de regras e tarifas para disciplinar o comércio entre os países-membros (atualmente, 164). No entanto, cada vez mais, muitos países têm utilizado outros mecanismos não tarifários para controlar os fluxos de comércio, como, por exemplo, restrição à importação de produtos geneticamente modificados ou impedimento de que a produção de biocombustíveis de primeira geração seja aceita para o cumprimento de metas de carbono. É preciso enfrentar essa nova face do protecionismo. Uma maneira é exigir que normas e especificações internacionais sejam definidas segundo regras claras e não restritivas.

A entrevistada do mês é a coordenadora executiva da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, Luana Maia. A conversa trata do competente trabalho realizado pelo movimento multissetorial da Coalizão, que lançou, recentemente, o documento “Visão 2030-2050: O Futuro das Florestas e da Agricultura no Brasil”. A aprovação do Código Florestal em 2012, depois de anos de acalorados debates, aproximou o agro da pauta ambiental. Trata-se de um tema sensível para o País, pois este possui posição de liderança na produção e na exportação de diversos produtos.

No Caderno Especial do mês, a Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (ASBRAM) celebra, pela nona vez, parceria com a Agroanalysis. Uma das principais colunas de sustentação da entidade está na aplicação da inteligência de mercado para expandir e profissionalizar o negócio de suplementação por meio de tecnologia e inovação. Com empresas bem estruturadas do ponto de vista financeiro, o setor possui musculatura para enfrentar os períodos de dificuldade do mercado. O esforço para superação dos obstáculos serve de lição. São mais de 10 mil profissionais espalhados no campo para a disseminação das boas práticas junto aos pecuaristas. Players nacionais e internacionais desenvolvem esse trabalho.

Fevereiro 2019

EDIÇÃO 2019, 10 de fevereiro de 2019

Tema: Previdência é o primeiro passo para outras reformas!

O início do governo Bolsonaro mostrou, até agora, um time econômico comprometido com o ajuste fiscal e as reformas econômicas necessárias. Mas, nem tudo são rosas. Apareceram, também, divergências claras dentro do grupo do governo. É preciso torcer para que essas divergências sejam superadas em breve e que o processo das reformas continue. Além da reforma da previdência, várias medidas relacionadas aos custos e às receitas do Estado devem contribuir para que o déficit primário seja bem menor do que o esperado. Se tudo correr normalmente, o dólar vai recuar, ou seja, o real vai se valorizar. Não será surpresa se o dólar ficar abaixo de R$ 3,50. A Selic pode cair um pouco. E a inflação se manterá comportada. Produtores, montem suas estratégias de compra de insumos e venda de produtos.

Mais uma vez, em 2018, o balanço comercial do agronegócio apresenta uma cifra expressiva.  Mesmo com a greve dos caminhoneiros durante o mês de maio, com interrupções no fluxo de embarques, o escoamento conseguiu se normalizar. Os chineses, em guerra comercial com os Estados Unidos, aumentaram a compra de grãos de soja, cujo estoque praticamente zerou no Brasil. A desvalorização do real em relação ao dólar também ajudou a melhorar o desempenho da exportação. A safra 2018/19 promete outro grande número, apesar dos contratempos climáticos verificados em algumas regiões produtoras.

Para o produtor de leite, o mercado aponta para um ano de recuperação das margens da atividade, o que está relacionado à expectativa de preços em patamares mais altos e de redução nos custos de produção. Espera-se uma retomada do crescimento de consumo interno de leite acompanhando o aquecimento da economia brasileira. Esse fato é positivo para as valorizações do preço pago ao produtor de leite no primeiro semestre, o qual deverá ficar acima da variação registrada no mesmo período de 2018.

Nas políticas públicas, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) avalia colocar em prática uma regra que passa aos agentes econômicos a responsabilidade por garantir a segurança dos produtos de origem animal aos consumidores, respeitando as especificações estabelecidas. Ou seja, pretende-se adotar o “autocontrole” como uma obrigação legal, inserida no Código de Defesa do Consumidor e em normas do MAPA e do Ministério da Saúde (MS). Por sua vez, o Governo teria a obrigação de controlar os agentes privados. As dificuldades de controle pelo Governo tendem a ser reduzidas com o desenvolvimento e a aplicação de novas tecnologias disponíveis, como internet das coisas, plataformas digitais, inteligência artificial, entre outras.

Outro tema carente de atenção especial é o de seguro rural. Embora tenha sido uma iniciativa muito oportuna por parte do Governo, o Programa de Subvenção do Prêmio do Seguro Rural (PSR), de 2005, patinou nesta década. Sistematicamente, faltaram recursos orçamentários para atender a demanda do setor produtivo. Plantar sem uma ferramenta dessa importância representa um risco de diversas ordens. Sem a cobertura proporcionada pelo seguro, a falência do produtor prejudica toda a cadeia produtiva. Importantes entidades do agro estão em franca mobilização, trabalhando para gerar um ambiente de negócios mais favorável ao seguro rural, o que poderia reduzir o preço do seguro e, consequentemente, atrair mais interessados.

Em 2017, no escopo da reforma trabalhista aprovada pelo Congresso, a Contribuição Sindical Rural (CSR) teve o seu caráter compulsório alterado para facultativo. O perfil facultativo do pagamento da contribuição, no caso do produtor, exige uma urgente transformação no modelo de atuação por parte do sindicalismo patronal rural no Brasil, para que o seu público-alvo entenda como necessário o pagamento dessa contribuição. Assim, foi realizado um estudo para entender o grau de satisfação com os serviços prestados pelos sindicatos do setor. O resultado deixa clara a necessidade de aprimoramento das atividades desenvolvidas, considerando, principalmente, a importância do agronegócio brasileiro no contexto mundial.

Na entrevista do mês, tem-se a pesquisadora norte-americana Nina Fedoroff, da Penn State University, que foi conselheira científica do Departamento de Estado dos EUA durante os governos Bush e Obama. A entrevistada apresenta depoimentos interessantes sobre a segurança dos organismos geneticamente modificados (OGMs) com relação à saúde humana. Até o momento, nada foi constatado em sentido contrário. Um grande número de pesquisas realizadas por todo o mundo ratifica a importância do uso dessa tecnologia. As grandes empresas investem de forma maciça em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos para aumentar a produtividade das plantas e reduzir o impacto ambiental.

Na retrospectiva 2018 do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), tem-se o registro de fatos sobre uma tecnologia que revolucionou a agricultura mundial a partir dos anos 90 do século passado. Em 2018, o Brasil completou vinte anos de adoção de transgênicos na agricultura. Ao longo desse período, o meio ambiente foi um dos principais beneficiados pelo plantio de soja, milho e algodão geneticamente modificados (GMs). Já nos últimos anos, ganhou espaço na mídia a técnica CRISPR, utilizada na edição do genoma de animais e plantas.

Janeiro 2019

EDIÇÃO 2019, 10 de janeiro de 2019

Tema: Chegou a hora das reformas!

A equipe de governo do novo presidente está praticamente formada. O ponto negativo, constatado pela sequência de notícias publicadas na mídia, refere-se aos desencontros entre os seus membros, que parecem estar divididos em grupos de interesses específicos. O ponto positivo diz respeito às boas equipes que comandarão a agropecuária e a economia do País. Nesse sentido, a equipe econômica sinaliza que trabalhará para alcançar o equilíbrio fiscal e realizar as reformas necessárias. O governo deve priorizar, neste momento, a reforma da previdência, e tudo indica que esse assunto será encaminhado ao Congresso ainda neste início de ano.

Para o produtor, as perspectivas são boas, a começar pela safra recorde. O dólar deve ficar próximo ao patamar atual. As projeções apontam para um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) superior a 2,5%. A inflação estará sob controle, com projeções indicando uma variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de +4,1%. O comportamento dos preços em 2019 fica relativamente em linha com o cenário de recuperação lenta da economia. Isso sugere pouca necessidade de aperto monetário no ano, e, assim, as previsões do mercado financeiro sinalizam uma taxa básica de juros de 7,5% ao longo do ano.

Na política agrícola, o Plano ABC representa um conjunto de tecnologias aplicadas à agricultura e à pecuária com os objetivos de reduzir a emissão de gases do efeito estufa (GEE) e aumentar a retenção de carbono na vegetação e no solo. A Agroanalysis discute se esses objetivos estão sendo alcançados e, ainda, se os sistemas de produção promovidos pelo Plano ABC são capazes de garantir a renda do produtor.

No mercado de algodão, apesar da maior oferta do produto em 2018, as exportações com dólar valorizado e a demanda interna aquecida puxaram para cima as cotações em reais, garantindo um bom retorno ao produtor. Já para este ano, a previsão também é de lucro, mas inferior ao registrado na temporada passada. Os custos de produção devem aumentar, e o preço médio em reais será um pouco mais baixo devido ao aumento da oferta. É preciso sempre manter o monitoramento do mercado para definir o melhor momento da comercialização. Os melhores preços para o vendedor deverão ocorrer no primeiro semestre.

Externamente, aconteceu em Katowice, na Polônia, a 24ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP-24/UNFCCC, nas siglas em inglês). O seu grande desafio era definir as regras de trabalho que darão condições para operar o Acordo de Paris, firmado em 2015. Em outras palavras, tratou-se de uma ratificação do compromisso dos países de adotar medidas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Houve um avanço no balanço das ações que já estão em curso, mas muitas arestas ainda precisarão ser acertadas na próxima convenção, a ser realizada no Chile.

No Brasil, a Associação Brasileira de Produção e Importação de Inoculantes (ANPII) apresenta um case reconhecido como de amplo sucesso no agronegócio. As pesquisas com bactérias fixadoras de nitrogênio viabilizaram a expansão do carro-chefe da agropecuária nacional: a soja. O nitrogênio, disponível de forma abundante na natureza, é assimilado pelas plantas por meio de modificações químicas promovidas pelos inoculantes. Por meio de alianças tecnológicas estratégicas dos seus associados com  órgãos de pesquisa, a ANPII ampliou o potencial de produção da soja.

Entre os eventos interessantes realizados no agro, um destaque especial cabe ao setor de cacau e chocolate. Importantes empresas, organizações não governamentais (ONGs), institutos de pesquisa e extensão rural, entre outros, montaram uma aliança inédita para promover o renascimento dessa lavoura carismática no País. Será um projeto focado na produtividade, qualidade, sustentabilidade, inclusão social e preservação ambiental. O Brasil pode reconquistar a autossuficiência na cacauicultura, deixando de importar e, ainda, gerando excedentes para exportação.

Na entrevista do mês, Luiz Madi, diretor do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL), traz a sua visão sobre a complexidade existente no mercado atual de alimentos de escala global. As notícias falsas nas redes sociais sobre produtos alimentícios colocam as empresas do setor em estado de alerta pleno. Institutos que realizam pesquisas científicas estão sendo chamados para levar aos consumidores as informações que são verdadeiras de fato. Esse é um processo de educação da própria sociedade. E o embate entre produtos naturais e industrializados não pode ser feito com caráter ideológico. Afinal, o alimento é um item indispensável para a vida humana.

O Caderno Especial deste mês apresenta a indústria sementeira nacional e os seus desafios nos mais diversos aspectos, desde a pesquisa e o desenvolvimento das novas variedades genéticas até a construção dos marcos regulatórios. Esse é assunto diretamente associado à competitividade do agronegócio brasileiro. Operações de escala global acontecem entre empresas no território nacional. Como possuem uma importância estratégica vital para esse negócio, as atividades da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (ABRASEM) e da Associação Brasileira dos Obtentores Vegetais (BRASPOV) devem ser melhor analisadas e compreendidas.

Dezembro 2018

EDIÇÃO 2018, 10 de dezembro de 2018

Tema: Previdência é a prioridade primária!

O encerramento do processo eleitoral e o início da definição do novo governo, por meio da montagem da equipe e dos trabalhos de transição, reduziram um pouco a tensão existente no plano econômico brasileiro.

Um dos temas centrais na discussão da nova equipe econômica é a reforma da previdência. O envio de uma proposta para tal reforma deve ocorrer logo no início de 2019, de forma que essa questão venha a ser resolvida no primeiro semestre do ano. Caso o novo governo não lide com essa problemática logo no início do mandato, correrá o risco de ser inviabilizado nos próximos anos. Essa será a primeira das suas grandes batalhas a serem enfrentadas, mas, de qualquer forma, não será a última. Outras reformas também são essenciais, como a reforma tributária, por exemplo. No entanto, a urgência da reforma da previdência impõe uma prioridade no seu andamento logo no começo da gestão.

Uma das discussões frequentes na agricultura diz respeito a quanto a escala afeta diretamente a eficiência da produção, especialmente em produtos mais homogêneos, como as commodities. A modernização agrícola propiciada a partir da Revolução Verde disponibilizou uma série de tecnologias que permitem ao agricultor um maior controle das variáveis ambientais, bem como um melhor aproveitamento da terra. Apesar de estarem disponíveis para agricultores de diversos tamanhos, estas tecnologias mostram-se mais eficientes quando utilizadas em escala elevada. Como consequência, esse processo de intensificação tecnológica acaba por gerar uma maior concentração produtiva quase naturalmente.

Olhando para o mercado de milho, o País estava, até meados de novembro, na reta final da semeadura da safra 2018/19. Considerando os preços médios da região de Rondonópolis-MT, assim como ocorreu em 2017/18, a expectativa é de prejuízo para o produtor na temporada 2018/19. A expectativa de maior oferta de milho em 2019 representa um fator de pressão de baixa nas cotações no mercado brasileiro, especialmente no segundo semestre. É importante destacar, porém, o cenário de preços mais firmes previsto para o primeiro trimestre, em função dos estoques de passagem menores.

O Caderno Especial sobre a cadeia produtiva de café, na sua décima terceira publicação na Agroanalysis, traz o posicionamento de importantes elos do setor. A safra 2017/18 foi marcada por uma prevista grande colheita, em decorrência de ter havido bienalidade positiva na produção da cultura. Os preços caíram, mas a desvalorização do real frente ao dólar favoreceu as exportações, que equivalem a mais de dois terços da produção. Portanto, o tamanho dos estoques de passagem não deverá ter um peso muito negativo na comercialização da safra 2018/19. A produção de Robusta, depois de problemas com a seca nos últimos anos, voltou aos níveis normais, e o mercado operou sem turbulência.

Na indústria de cana-de-açúcar, para a região Centro-Sul, a Consultora Canaplan traça uma análise sobre o desempenho da lavoura na safra 2017/18 e as perspectivas para a safra 2018/19. Como os canaviais estão envelhecendo e a taxa de renovação está diminuindo, as plantas ficam mais sensíveis às condições climáticas adversas e à presença de pragas e doenças. O mix de produção na safra 2017/18 foi predominantemente de etanol, em face da sua melhor rentabilidade frente à do açúcar. Os preços baixos do açúcar no mercado mundial refletem o superávit gerado pelo excesso de produção principalmente na Índia, na Tailândia e na União Europeia. A expectativa é de que a safra encerre com uma distribuição de 35,5% para açúcar e 64,5% para etanol. Na safra 2017/18, o percentual para açúcar foi de 46,5% e o para etanol, de 53,5%, ou seja, uma variação recorde de 11% no mix de produção. A crise econômica e financeira de muitas unidades agroindustriais ainda prevalece no setor.

Como entrevistado do mês, tem-se uma personalidade muito especial, o jornalista Humberto Pereira, que coordenou a elaboração do capítulo de Comunicação do “Plano de Estado – Brasil 2030”, organizado por Roberto Rodrigues, coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (GV Agro). Tal plano apresentou uma proposta para tornar o País o maior e melhor produtor de alimentos do mundo, com a ideia norteadora de contribuir para a segurança alimentar do Planeta. Em seus comentários, o agro fala bem consigo, mas conversa pouco com a sociedade. A comunicação exige uma postura de antecipação e, também, de ataque aos fatos.

Para finalizar, a equipe editorial da Agroanalysis agradece aos patrocinadores e aos colaboradores por viabilizarem a sua produção, com sinceros votos de um feliz natal e um próspero ano.

Novembro 2018

EDIÇÃO 2018, 10 de novembro de 2018

Tema: O futuro do Brasil precisa de união!

O Brasil já conhece o seu presidente e começa a conhecer a sua equipe. Não é nosso hábito, mas precisamos citar, aqui, um trecho do artigo de nosso conselheiro e colunista Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG): “Que sejam superados as desavenças e os rancores – muito disso dependerá da qualidade da equipe a ser montada. O agro precisa estar sintonizado nesse novo momento”. Voltando a Confúcio, fica a lição de que “você não pode mudar o vento, mas pode ajustar as velas do barco para chegar onde quer”. Poucas frases podem resumir melhor o nosso momento histórico. Terminada uma campanha violenta e rancorosa, temos de pensar o Brasil de todos, sem proteções ou discriminações.

Para o agronegócio, o primeiro sinal é o dólar entre R$ 3,40 e R$ 3,70. O crédito rural já está definido, há perspectivas mais claras sobre os números da próxima safra, e a bancada ruralista apoia o novo presidente. Já os sinais para a macroeconomia são menos nítidos. A inflação não vai crescer, mas ainda não se tem clareza sobre as reformas tributária e da previdência. Também não está claro como se fará o ajuste fiscal necessário. Saberemos em breve.

No mercado de boi gordo, para 2019, a tendência é de valorização dos preços acima da inflação. A expectativa é de que o novo governo seja capaz de promover uma recuperação econômica mais efetiva, com consequente aumento do consumo de carne bovina. Além disso, a maior produção de milho e soja no Brasil e o dólar em patamares mais baixos do que os atuais aliviarão o peso dos alimentos concentrados no bolso do pecuarista.

Os resultados preliminares do último Censo Agropecuário brasileiro mostraram uma redução do número de estabelecimentos rurais e, consequentemente, um aumento na área média das propriedades. A análise do censo dos Estados Unidos mostra que o aumento da concentração de terras é uma tendência mundial, adequando-se à realidade do agronegócio atual. Os dados desse país mostram que 8,9% das propriedades cultivam 45,6% da área agricultável e respondem por 65,2% do valor da produção da agropecuária. Os ganhos de escala permitidos pela concentração de áreas tornam viável a realização de maiores investimentos em tecnologia, buscando a intensificação da produção e, consequentemente, o aumento da produtividade e da competitividade.

Outra tendência está relacionada ao aumento da demanda dos consumidores por produtos diferenciados e de qualidade, que possuem referências culturais e rastreabilidade dos territórios onde são produzidos. Nesse contexto, os países têm fortalecido estratégias para ampliar a oferta de produtos certificados visando evitar fraudes, agregar valor e elevar o desenvolvimento rural. Uma dessas estratégias envolve a Indicação Geográfica (IG), definida como uma ferramenta de valorização de produtos tradicionais vinculados a determinados territórios. A legislação brasileira estabelece duas formas de definição desses atributos: a Indicação de Procedência (IP) e a Denominação de Origem (DO). Atualmente, existem 49 IPs e onze DOs nacionais reconhecidas, relacionadas à produção de queijos, vinhos, cachaças, cafés, frutas, doces, carnes, calçados, mel, própolis, farinha, couro, algodão, pedras preciosas, artesanatos e peixes ornamentais. Ainda tramitam cerca de outras vinte solicitações de reconhecimento de alimentos, bebidas e produtos artesanais regionais.

Na linha do atendimento das exigências alimentares dos consumidores, o processo de intermediação produtiva e distribuição nos mercados atacadistas de alimentos é fundamental para articular as demandas e os interesses de um sistema agroalimentar de grandes dimensões como o brasileiro. No entanto, as Centrais de Abastecimento (CEASAs) não conseguem sensibilizar a opinião pública e os agentes governamentais sobre a sua importância. A face mais visível do sistema de abastecimento atacadista nacional é a depreciação da infraestrutura de comercialização das CEASAs. Há um descumprimento de regras e normas de funcionamento decorrente de falhas em diretrizes e na gestão. Somente a modernização da infraestrutura logística para promover maior eficiência econômica das atividades de abastecimento não é suficiente.

Os agentes e os dirigentes dos mercados atacadistas precisam mostrar à sociedade o papel estratégico e fundamental que exercem.

O Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável (GTPS) celebra o seu oitavo caderno em parceria com a Agroanalysis. O objetivo é conscientizar o setor sobre a importância da implementação de critérios de sustentabilidade para o desenvolvimento econômico, com entrevistas e artigos sobre importantes temas para a pecuária. O manejo das pastagens e os movimentos de articulação e transparência da cadeia produtiva são alguns deles. A preocupação com a origem dos produtos cresce e motiva empresas e setores inteiros a reverem seus modelos e processos de produção.

Na entrevista do mês, o foco é a mudança de paradigma no processo de produção da pecuária brasileira. O novo modelo baseia-se na sustentabilidade e no acréscimo da produtividade. Em paralelo, a emissão de gases do efeito estufa (GEE) diminui e as legislações trabalhista e ambiental são respeitadas. Esta é a opinião do entrevistado Caio Penido, presidente do GTPS, com larga experiência e tradição no setor, que comenta, também, sobre a complexidade e a insegurança existentes na regularização ambiental e fundiária. Se houvesse uma formulação mais simples e fosse atingível para a grande maioria dos pecuaristas, haveria estímulo para o avanço da tecnologia no campo.

Outubro 2018

EDIÇÃO 2018, 10 de outubro de 2018

Tema: Ainda andamos para frente!

No momento da leitura deste Editorial, os dois candidatos que irão concorrer ao segundo turno da eleição presidencial já são conhecidos. Infelizmente para o País, poucas vezes enxergamos uma divisão tão raivosa de forças. É preciso que o vencedor do segundo turno tenha postura e competência para unificar o País, cumprir estritamente a lei e recolocar a economia nos eixos. O ajuste fiscal e a reforma da previdência não podem esperar mais. Não será tarefa fácil.

Mais uma vez, o setor agropecuário é o menos incerto. Os preços poderão ter maior flutuação, mas a demanda é garantida. A inflação e os juros não devem explodir. Mais uma vez, reforçamos o cuidado ao lidar com a nova realidade de inflação: na casa dos 4%. Juros estes que, antes, eram considerados baixos (por exemplo, 12% ao ano, agora, são altíssimos). E o dólar pode até chegar ao nível de R$ 4,50, mas tende a cair durante o início do próximo ano. Portanto, todos os produtores devem fazer seu planejamento levando em conta uma nova realidade.

Nesse contexto, o setor agropecuário também sofreu menos com a crise econômica brasileira nos últimos anos. Os dados do Produto Interno Bruto (PIB) confirmam isso: de 2014 a 2017, enquanto a economia nacional encolheu, em média, 1,38% ao ano; a agropecuária cresceu 3,75%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Neste momento, o cenário externo está complicado, com preços de combustíveis mais elevados, dólar valorizado e embate nas relações comerciais como entre China e Estados Unidos. Com tudo isso, neste ano, o Brasil deverá fechar novamente com um excelente balanço comercial no agronegócio, além de inflação sob controle e PIB positivo.

Ao longo desta edição da Agroanalysis, os articulistas apresentam suas preocupações e observações pertinentes a um período pré-eleitoral da maior importância para o Brasil. As colocações são diversas: apontam o caso do glifosato, que teve o seu uso suspenso e, depois, liberado um mês antes do plantio da soja; discutem o longo tempo para registrar uma molécula no Brasil (três vezes maior do que em países com agricultura relevante); e citam o fato de que todos os candidatos falam bem do agro, mas o extremismo (o “nós contra eles”) pode aumentar e trazer riscos para todos os setores da economia.

O destaque de capa evidencia pontos polêmicos do Projeto de Lei (PL) dos defensivos que tramita na Câmara dos Deputados. Uma questão muito importante refere-se à proposta de mudança na coordenação do processo de avaliação e aprovação de novas moléculas – que tem demorado, em média, oito anos no Brasil (há casos de onze anos de espera!). A ideia do novo PL é dar ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) o papel de coordenar o processo, com definição de metas, sem excluir os poderes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de negar ou aprovar o registro de uma nova molécula. Esse ponto precisa ser definitivamente entendido e esclarecido.

A morosidade do processo de aprovação de novos defensivos provoca a perda de competitividade da agricultura brasileira. Segundo simulações, perdas de 5% a 10% de produtividade nas principais culturas do agronegócio brasileiro provocariam efeitos enormes para o setor e a economia nacional, com prejuízos na margem dos produtores, nas exportações, na geração de empregos, no PIB, entre outros fatores.

No setor de laticínios, depois de sete altas consecutivas no preço do leite para o produtor (de fevereiro a agosto de 2018), a expectativa é de virada no mercado, com a maioria dos laticínios apontando para queda no preço do leite, principalmente no Sul do País, onde a produção aumentou com mais força nos últimos meses. Pensando em 2019, para o primeiro semestre, espera-se um quadro mais ajustado entre a oferta e a demanda, fator positivo para as valorizações do leite no mercado brasileiro. A expectativa é de crescimento da demanda interna, porém o consumo ainda deverá ficar em níveis anteriores à crise econômica. A maior oferta de grãos, no Brasil e entre os principais produtores internacionais, deverá pressionar para baixo o custo da alimentação. No Brasil, as cotações em reais dependerão do câmbio!

Na entrevista do mês, Juca Andrade, vice-presidente da B3 (originada da fusão da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo – BM&FBOVESPA – com a Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos – Cetip), comenta a importância do agronegócio para o mercado financeiro e fala do esforço da empresa para estimular o lançamento de títulos para financiar os produtores e rentabilizar as carteiras dos investidores. Há espaço para a difusão das melhores práticas e a criação de produtos e políticas que, por exemplo, diferenciem produtores e empresas que utilizam instrumentos de hedge para gestão de risco.

Pela sexta vez, a Agroanalysis traz como Caderno Especial uma matéria da Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio), que representa uma área de prioridade para os órgãos federais de sanidade vegetal. A maior prova disso está no número de produtos biológicos aprovados pelo MAPA em anos recentes. Esta tendência deve continuar de forma mais intensa. A entidade apresenta a primeira pesquisa para mensuração do negócio no Brasil. O levantamento buscou, também, captar a percepção do nosso produtor sobre o uso de produtos biológicos no processo de produção das suas culturas.

Setembro 2018

EDIÇÃO 2018, 10 de setembro de 2018

Tema: Agro brasileiro mais concentrado e produtivo!

As revisões para baixo nas projeções do Produto Interno Bruto (PIB) e as oscilações do preço do dólar mostram que o cenário, ao menos no curto e no médio prazos, é completamente incerto. Nem mesmo a redução da taxa básica de juros, somada à redução dos depósitos compulsórios dos bancos (que aumentou a quantidade de dinheiro para empréstimos), foi suficiente para aquecer de forma mais acentuada a economia.

Até a definição do cenário eleitoral, a volatilidade da economia deve continuar. O prazo para a economia retomar o seu crescimento de forma mais intensa é uma incógnita. Para o produtor rural, repetimos o alerta para ficar atento ao movimento do dólar, comprando insumos e vendendo a produção aos poucos para garantir um bom preço médio.

No mês passado, foram divulgados os dados preliminares do Censo Agropecuário 2017, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esta pesquisa revelou mudanças importantes no agro brasileiro nos últimos onze anos (o último Censo tinha sido em 2006). De modo resumido, o agro: (i) ficou mais concentrado (menor número de estabelecimentos) e, também, mais produtivo, com a incorporação de mais tecnologia; (ii) ficou mais profissionalizado e mais feminino, porém mais envelhecido; e (iii) houve um avanço das lavouras temporárias, das pastagens plantadas e das matas naturais sobre as pastagens naturais e as lavouras permanentes.

Quando se toma o período de 2010 a 2017, a análise da infraestrutura do ponto de vista do agronegócio revela pontos interessantes, principalmente nesses tempos próximos das eleições gerais no País. A participação das exportações pelo Arco Norte passou de 15,1% para 26,2%, enquanto a produção nacional de grãos aumentou perto de 70%. Já a capacidade de armazenagem ficou com pouco mais da metade da produção, enquanto as exportações de grãos triplicaram. A frota rodoviária no País aumentou por volta de 26,9%. Os investimentos em ferrovias cresceram 22,1%, mas reduziram 45% e 1,8% em hidrovias e rodovias respectivamente.

No gerenciamento das cadeias de suprimentos, tem-se a necessidade de se minimizarem as perdas e o desperdício de produtos, tanto nas etapas de colheita e processamento, quanto nas de transporte, armazenagem e consumo. Um uso mais eficiente dos recursos naturais e uma maior segurança alimentar são os principais fatores relacionados a essa demanda, além de impactos na lucratividade dos agentes da cadeia. Estima-se que 1 bilhão de pessoas poderia ter acesso a alimentos caso as perdas e o desperdício destes produtos fossem reduzidos pela metade. A Agroanalysis traz um artigo que estima o percentual de perdas e desperdícios ao longo da cadeia de suprimentos de soja brasileira.

O setor leiteiro brasileiro precisa superar grandes desafios para aumentar a competitividade frente ao mercado internacional. O primeiro ponto refere-se à grande fragmentação da indústria. As cinco maiores empresas respondem por apenas 28% da captação formal de leite. Além disso: existe um grande número de empresas na informalidade, sem fiscalização oficial; falta escala operacional para o processamento das fábricas e os caminhões transportarem maiores volumes da matéria-prima; e os laticínios possuem baixo poder de mercado na venda de produtos e no relacionamento com os grandes varejistas. Para almejar maior inserção no mercado internacional, essas questões estratégicas precisam ser revistas.

Um novo conceito vem difundindo-se de forma expressiva nas economias mais desenvolvidas: a bioeconomia. A FGV Projetos realizou um estudo para identificar a situação atual da bioeconomia no Brasil, os marcos regulatórios, as políticas públicas e os programas específicos existentes. O trabalho apresenta os desafios e as oportunidades para avançar na implementação de projetos específicos nesse campo, com o mapeamento das áreas potenciais de cooperação entre sócios nacionais e estrangeiros. Com a abundância e a diversidade dos recursos naturais, a posição brasileira é privilegiada nesse novo mercado.

Na entrevista do mês, o secretário da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SPA/MAPA), Wilson Vaz de Araújo, traz uma reflexão sobre as mudanças ocorridas no mapa da distribuição geográfica da produção agropecuária. Se a baixa inflação e a taxa de referência Selic continuarem a taxas baixas por cinco anos, o sistema de crédito rural será voltado mais para os pequenos e os médios produtores. Isso já está acontecendo. Os grandes produtores buscarão recursos no mercado de capitais, com operações envolvendo os títulos do agronegócio. Parte dos subsídios deverá ser voltada para o suporte ao seguro rural e a gestão de risco.

Em Caderno Especial deste mês, discorre-se sobre a cadeia produtiva de cacau. As lavouras da Bahia começam a superar o trauma deixado pela doença da vassoura-de-bruxa. Esse processo foi adiado por causa da longa estiagem que provocou violenta queda na produção nas safras de 2016 e 2017. Enquanto isso, o estado do Pará vive uma década de expressivo crescimento na cacauicultura. Esse processo promissor deverá prosseguir nos próximos anos. A Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), junto a outros atores, lidera um movimento para a produção nacional chegar a 400 mil toneladas em 2028.

Agosto 2018

EDIÇÃO 2018, 10 de agosto de 2018

Tema: Ciclo de baixa da borracha!

Em poucos meses, o Brasil vivenciará mais um processo eleitoral, em que serão definidos os principais cargos dos poderes Executivo e Legislativo em âmbito federal e estadual: presidente da República, governadores, senadores e deputados federais e estaduais. O novo ciclo que se iniciará no Brasil a partir do início do ano que vem será um dos mais desafiadores desde o processo de redemocratização.

A herança que o próximo presidente receberá no campo econômico, em 2019, não será das melhores. Além disso, haverá pouco tempo de trégua antes de ele ser cobrado pela população acerca de uma solução efetiva para os problemas econômicos. Para o seu sucesso, contarão muito a sua capacidade de articulação junto ao Legislativo e a sua capacidade de promover reformas.

No setor produtivo, a indústria brasileira de borracha passa por um momento delicado. O mercado sofreu uma mudança radical quando em comparação ao cenário do começo da década. Com o aumento das plantações de seringueira, acima do previsto, por alguns países asiáticos, há uma superoferta do produto no mercado mundial, o que provoca a queda nos preços. Em São Paulo, maior estado produtor, o preço do coágulo não cobre os custos de produção. Para os produtores que empregam alta tecnologia, a tendência é uma volta mais rápida ao equilíbrio; para os demais, pode ser difícil continuar na atividade.

O biogás, produzido pela digestão anaeróbica controlada de material orgânico, é uma das melhores alternativas para a produção de energia renovável: contribui significativamente para a redução da emissão de gases do efeito estufa, além de gerar energia elétrica e produzir biofertilizantes. Com algum tratamento, pode transformar-se em biometano, praticamente indistinguível de gás natural. Desta forma, o biogás permite a transformação de um passivo ambiental em um ativo energético relevante. Segundo a Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás), somente o setor sucroenergético teria o potencial de produzir 56 milhões de metros cúbicos de biometano por dia – o equivalente a metade do consumo de óleo diesel do setor agropecuário – ou adicionar uma capacidade de geração elétrica de mais de 10.500 megawatts, o que é quase 80% da capacidade da usina de Itaipu.

Sobre o mercado de combustíveis, a discussão do momento é sobre a venda direta de etanol, sem passar pelas distribuidoras, como uma possível maneira de reduzir o preço ao consumidor. O tema é regulado pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que determina a obrigatoriedade de comercialização em todos os elos: produtor-distribuidor-revenda. A venda direta pode ter impactos dos pontos de vista empresarial e de políticas públicas que precisam ser entendidos e debatidos.

Atento à atual dinâmica dos negócios realizados entre produtores rurais, agentes intermediários e instituições financeiras, o Banco Central do Brasil (BACEN) baixou a Resolução nº 4.631, em 22 de fevereiro de 2018. A norma permite a contratação de agente como intermediário no fluxo de negócios e no cadastramento de produtores nas operações definidas pelo Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR). Esse procedimento indica o início de uma revolução no ambiente da distribuição de insumos, pois existem mais de 1.500 distribuidores de insumos em condições de prestar serviço no setor bancário, o que ampliará as assistências técnica e financeira nas modalidades de crédito rural e seguros. O setor, antes voltado apenas para mediar vendas, muitas vezes com margens apertadas, reinventa-se de forma gradual.

Ainda sobre crédito para o agro, o SNCR estabelece as regras para os agentes financeiros suprirem a agricultura de recursos nas operações de custeio, investimento, comercialização e industrialização. Com a queda na taxa básica de juros (Selic), outras linhas de crédito mais flexíveis, como os Créditos Diretos ao Consumidor (CDC), concorrem com o crédito rural. Presente em todos as unidades federativas, o Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob), com 4,1 milhões de cooperados, possui significativa participação nacional e grande capilaridade.

O nitrogênio é uma das tecnologias vitais para a produção agrícola. Apesar da possibilidade de aplicação de fertilizantes nitrogenados, a Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN), que utiliza simbiose entre planta e microrganismos, tornou-se a principal fonte de nitrogênio das leguminosas. Esta é a tecnologia mais rentável para o agricultor, com uma relação custo-benefício única no cenário agrícola. Estima-se que a dispensa do uso de fertilizantes nitrogenados na cultura de soja, via a aplicação de inoculantes (insumo fornecedor da bactéria para a FBN), gera uma diminuição da importação de nitrogenados da ordem de US$ 7 bilhões a US$ 10 bilhões, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Com todo o conhecimento e a experiência adquiridos na carreira diplomática junto ao Itamaraty, Rubens Barbosa participa da entrevista do mês. O ex-embaixador nos Estados Unidos e no Reino Unido oferece uma visão atualizada sobre a geopolítica global. A decisão do governo brasileiro de acessar a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) obrigará o País a ajustar-se a alguns dos cerca de 240 acordos, códigos e regulamentos em vigor. Na sua perspectiva, educação, tecnologia e inovação devem estar no topo da lista de prioridades do Governo e do setor privado.

A Caderno Especial da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo) na Agroanalysis completa a sua décima edição. Ao longo desse tempo, foram trazidas informações de qualidade para os públicos ligados direta e indiretamente à cadeia de nutrição vegetal; mensagens para trazer competitividade ao produtor, às empresas associadas e ao agronegócio nacional. A entidade comemora o décimo quinto aniversário. A cada ano, os seus levantamentos e as suas pesquisas captam dados para construir um histórico de conhecimento sobre o setor. São informações preciosas para a formulação de cenários e a elaboração de planejamentos estratégicos.

A respeito do debate sobre o Projeto de Lei dos defensivos, a próxima edição da Agroanalysis trará um novo ponto de vista – dessa vez, contrário ao projeto –, a fim de enriquecer as discussões.

Julho 2018

EDIÇÃO 2018, 10 de julho de 2018

Tema: Inovação e tecnologia no agro!

A greve dos caminhoneiros mostrou claramente a falta de pulso do governo atual. Mostrou-se um verdadeiro absurdo a forma como todo o processo foi conduzido. A Agroanalysis irá acompanhar cuidadosamente todos os desdobramentos do aumento do frete. O problema ainda está muito longe de uma solução.

O artigo “Um tributo regulador para o mercado” eixa claro que, se a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) fosse utilizada com a finalidade para a qual foi criada, a crise poderia ser evitada. Se, por um lado, o caminhoneiro tem que poder calcular exatamente o custo do seu frete; por outro lado, a Petrobras tem compromisso com os seus acionistas e não pode ser utilizada para fazer política pública mantendo artificialmente baixos os preços dos combustíveis. Para isso, a CIDE deveria funcionar absorvendo choques em momentos negativos e criando liquidez em tempos melhores. Esta é a solução para o problema: deixar a CIDE cumprir o seu papel, deixando os preços dos combustíveis menos voláteis sem prejudicar o caixa da Petrobras. Mais um ponto importante seria montar leilões eficazes dos contratos públicos, em vez de tabelar fretes.

Para apimentar ainda mais o cenário, a política do Federal Reserve (Fed) – banco central dos Estados Unidos – e a expectativa das eleições por aqui contribuem para manter o cenário de volatilidade. Nessa hora, passarinho que muda de galho e macaco que pula muito levam chumbo. O produtor rural deve ficar atento ao movimento do dólar, que vai flutuar até o quadro eleitoral se definir. Para não errar, a solução salomônica é sempre bem-vinda: comprar e/ou vender aos poucos para garantir um bom custo/preço médio. Mas, no quadro geral, o setor agropecuário é o que menos sofre com a crise.

O Plano Agrícola e Pecuário (PAP) para a safra 2018/19, de julho deste ano a junho de 2019, foi o segundo depois da aprovação da Proposta de Emenda Constitucional nº 95/16, a PEC do Teto dos Gastos. Os recursos para o crédito rural foram praticamente mantidos nos mesmos níveis da temporada anterior. As taxas de juros foram reduzidas, na esteira da queda ocorrida nos últimos meses na taxa de referência da economia, a Selic. No entanto, temos ressaltado, nas últimas edições, a importância de se ficar atento aos juros. Com a queda da Selic, e da inflação, os juros que antes eram apetitosos ao produtor podem ser mau negócio agora. Por exemplo, se a inflação for 4%, uma taxa nominal de 8% anunciada pelo Governo representa uma taxa real de 4%, o que é muito alto. Toda atenção e contas bem-feitas são fundamentais.

Outro assunto em evidência no País é a mudança na lei dos defensivos agrícolas. As opiniões são divergentes, contudo importantes formadores de opinião do agronegócio brasileiro são favoráveis à mudança. Fontes internacionais de informação apontam para o papel crescente da produção agropecuária na segurança alimentar do mundo e no uso de combustíveis limpos e renováveis. A inovação, a sustentabilidade e a qualidade passam a ser traçadas como sinônimos na aplicação das tecnologias. Não pode haver déficit entre a convergência científica e a regulatória. O País colhe safras cheias, beneficiadas, por exemplo, pelo uso de sementes com organismos geneticamente modificados. Nessa mesma linha, deve seguir a legislação de defensivos agrícolas quanto ao uso de moléculas modernas com maior produtividade para as lavouras e menor impacto ambiental. O 2º Fórum Inovação, promovido pela Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), discutiu esse tema do ponto de vista da Ciência e da Pesquisa. A Agroanalysis continua aberta ao debate.

O Brasil é o quarto maior consumidor de fertilizantes do mundo, atrás apenas da China, da Índia e dos EUA, com um consumo da ordem de 34 milhões de toneladas em 2016. Com alta dependência internacional, cerca de 72% do consumo doméstico são de produtos importados. Esse retrato enfatiza a importância da gestão logística para abastecer de fertilizantes as misturadoras e as indústrias no interior do País. Um bom planejamento da logística de fertilizantes envolve reduzir custos para entregar um produto mais competitivo ao agricultor.

Na entrevista do mês, há a participação de João Martins da Silva Junior, presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Pontos importantes foram tratados pela instituição, como a organização e a imagem de uma atividade tão abrangente e heterogênea como a agropecuária. A CNA criou o Conselho do Agro, com a participação de importantes entidades ligadas às suas cadeias produtivas. A programação de reuniões mensais força o entrosamento e uma visão mais consensual dos problemas enfrentados por elas no cotidiano. Isso contribui para pressionar a continuidade das reformas para melhorar o funcionamento do Estado brasileiro.

Pelo nono ano consecutivo, a Agroanalysis apresenta o Caderno Especial da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja). Algumas das suas iniciativas merecem destaque. A entidade acaba de lançar, oficialmente, o projeto Guardião das Águas, com o objetivo de identificar as nascentes dentro das propriedades rurais e classificá-las conforme seu grau de conservação. No programa Soja Plus, criado em 2011, estão inseridas 1.033 propriedades, com 1,7 milhão de hectares cultivados de soja. A meta é dobrar o número de propriedades até 2020. Outro esforço é o programa Armazena MT, para o agricultor comercializar a safra com mais poder de barganha. Já o Movimento Pró-Logística (MPL), promove o apoio para finalizar a pavimentação da BR-163 no trecho entre Sinop (MT) e Miritituba (PA) em 2019.

Junho 2018

EDIÇÃO 2018, 10 de junho de 2018

Tema: Bandeira do SomosCoop!

Pelo menos três assuntos merecem destaque especial nesta edição da Agroanalysis. Em maio, algumas variáveis do nosso cenário macroeconômico ficaram mais claras: a inflação será baixa, mesmo com o dólar e os combustíveis pressionando; o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) será pequeno; e o dólar ficará mais volátil. Neste último caso, que é o de maior interesse imediato para os nossos leitores, as causas são a política de elevação de juros do banco central norte-americano e as incertezas quanto às eleições de novembro. Até as eleições, o dólar vai flutuar mais. Não é impossível que a moeda encoste nos R$ 4, dependendo do que as pesquisas de intensão de voto mostrarem. Por isso, quem está comprando ou vendendo em dólares precisa estar atento. Como o produtor não é um especulador, uma boa regra é comprar ou vender um pouco de cada vez. Desta forma, o valor médio atenua o movimento. Uma eventual perda, ou redução de ganho, tem menor chance de ocorrer. Por exemplo, é recomendável colher o café agora e sair vendendo aos poucos, em vez de estocar ou vender tudo; e também ir comprando adubo aos poucos.

Após as eleições, mesmo que um candidato “antimercado” vença, a moeda norte-americana deverá se comportar melhor, porque várias medidas já tomadas e leis promulgadas dificultam muito aventuras populistas. Naturalmente, um candidato comprometido com as reformas necessárias facilita tudo. Se já como for, o setor do agronegócio continuará a sua trajetória de crescimento.

O segundo assunto, tema de capa, é a força do cooperativismo no Brasil. A entrevista com o presidente da Confederação Nacional das Cooperativas (CNCoop), Márcio Lopes de Freitas, ilustra bem o assunto. Aqui, vale a pena fazer um alerta: a equipe da Agroanalysis tem notado, em suas peregrinações pelo Brasil, que muitas cooperativas, ou por falta de atenção, ou por alguma outra razão não positiva, estão cobrando de seus cooperados juros de 1,0% ao mês, ou 12,7% ao ano. Enquanto a taxa Selic está em 6,5% ao ano, os juros para o crédito rural estão entre 7,0% e 8,0% ao ano (e talvez sejam reduzidos ainda mais). Já na última safra, a maior parte dos juros para o setor não superava 8,0%. Cobrar 12,7% prejudica o “dono” da cooperativa, ou seja, o cooperado. E não se diga que as sobras são distribuídas, pois elas não compensam. As perdas, principalmente dos pequenos, com estes juros são grandes. Aguardamos comentários das cooperativas que estão praticando essas taxas.

O terceiro assunto em destaque é a nova lei dos defensivos. Nesta edição, apresentamos dois artigos cujos autores defendem a nova lei. Desde já, a Agroanalysis está aberta para este debate tão importante. É preciso conhecer bem antes de defender ou atacar. Não está tão distante no tempo a enorme discussão sobre as sementes transgênicas, hoje assunto bem menos controverso.

As projeções da Canaplan apontam queda na produtividade, em toneladas por hectare, com envelhecimento dos canaviais. As plantas ficam mais sensíveis aos impactos de clima, pragas e doenças. Desde a crise global da safra 2008/09, a oferta de cana mostra variações ligadas às mudanças no clima nas regiões produtoras, com altos e baixos. Há excedentes globais no mercado de açúcar, em função das ofertas maiores da Índia, do Paquistão e da Tailândia, com preços em limite de baixa. Esse quadro implica uma mudança-chave na produção brasileira pró-etanol.

Na área internacional, surpreende o recente impedimento de embarques de carne de frango de empresas brasileiras aplicado pela União Europeia. Trata-se de um parceiro comercial conhecedor das regras sanitárias. O motivo alegado pelo bloco não tem base científica. No comércio de produtos de origem animal, o Acordo sobre a Aplicação de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias (AMSF), da Organização Mundial do Comércio (OMC), somente considera as exigências sanitárias com o objetivo de proteger a vida e a saúde dos animais e das pessoas. O Brasil acionará o painel de controvérsias na OMC.

A ANUFOOD Brazil, que traz para o Brasil a expertise da Anuga – maior feira mundial de alimentos, realizada na Alemanha –, abrirá um importante espaço para produtos orgânicos. O grande desafio da produção orgânica é ganhar escala para atender os crescentes mercados interno e externo, além de desenvolver uma logística de transporte e armazenagem.

O destaque especial fica para o documento que será entregue aos candidatos à presidência da República com as propostas de longo prazo do agro. Representantes das quinze entidades integrantes do Conselho do Agro analisaram a versão prévia do trabalho em fase de elaboração na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Até o início de julho próximo, o conteúdo estará em estágio avançado de definição. A partir de cenários e projeções, as propostas contemplarão um plano de governo para 2030. Na seção Frases & Comentários, é possível conferir a opinião de algumas personalidades do agronegócio.

Em junho, a homenagem ao meio ambiente justifica, mais uma vez, a publicação na Agroanalysis do Caderno Especial do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV). Este é o núcleo de inteligência do programa brasileiro de logística reversa de embalagens vazias de defensivos agrícolas. No Brasil, cerca de 94% das embalagens plásticas primárias e 80% do total de embalagens vazias de defensivos agrícolas comercializadas possuem destinação ambientalmente correta – um dado que serve de referência aos estudos sobre a prática da sustentabilidade do campo.

Maio 2018

EDIÇÃO 2018, 10 de Maio de 2018

Tema: Contexto para o Plano Safra plurianual!

A economia brasileira tem navegado, ao longo dos últimos meses, em mares tranquilos. Os indicadores econômicos têm mostrado resultados positivos, ainda que não o suficiente para mudar significativamente a percepção de curto prazo em relação ao desemprego e à queda da renda verificada nos anos anteriores. A inflação surpreende de forma positiva, com destaque para a queda dos preços dos alimentos.

Já a atividade econômica dá sinais de que a retomada em 2018 será muito mais moderada em comparação à prevista inicialmente. O Banco Central (BACEN) mostra preocupação e abaixa a taxa referencial de juros. Na questão estrutural do desajuste das contas públicas, ainda permanece particularmente a questão previdenciária. O quadro econômico poderá sofrer mudança abrupta apenas a partir do segundo semestre, com o resultado das eleições de outubro.

A baixa inflação e a queda na taxa de juros colocam em xeque a política nacional do crédito rural, com maior competição das taxas de juros livres de mercado em comparação às controladas. Também ganham espaço, no aporte de recursos oriundos do mercado de capitais, as operações com os títulos do agronegócio. Às vésperas de ser anunciado, o Plano Safra 2018/2019 certamente trará novidades nessa área. Poderemos estar a caminho de um modelo plurianual, como o Farm Bill, nos Estados Unidos, e a Política Agrícola Comum (PAC), na União Europeia (UE).

Um estudo sobre o mercado de trabalho no agronegócio mostra uma queda na população ocupada de 2012 a 2017. A contração foi de 8,4% no período. Se, de um lado, a incorporação de tecnologias mais intensivas em capital e poupadoras de mão de obra explica a redução; de outro, trouxe para o setor aumentos expressivos na produtividade e na renda. Nas localidades onde o agronegócio é a atividade econômica principal, o setor de serviços expandiu e absorveu uma quantidade de mão de obra superior à liberada pelo agro.

As políticas públicas brasileiras, mesmo as mais relevantes, costumam não avaliar qual será o seu custo social. No final de 2017, o Instituto Escolhas lançou o estudo “Qual o impacto do desmatamento zero no Brasil?”, que procurou mostrar o efeito do desmatamento zero sobre as parcelas economicamente vulneráveis das regiões que mais terão que contribuir para eliminar o desmatamento. Os resultados mostraram que haveria um impacto muito pequeno no Produto Interno Bruto (PIB) nacional (redução de apenas 0,62% no acumulado entre 2016 e 2030 se todo o desmatamento cessasse imediatamente). No entanto, o impacto não é uniforme nem regionalmente nem entre as classes sociais, recaindo mais sobre as famílias de baixa renda. Ao ser constatado algum tipo de prejuízo, alguma medida compensatória deve ser considerada.

Na conjuntura de mercado das commodities agrícolas, desperta atenção a reversão ocorrida com a soja em grão. As projeções eram temerosas com relação à temporada 2017/18, com especulações na direção de dificuldades para os produtores fecharem as suas contas. Os Estados Unidos derramaram no comércio internacional uma produção recorde, mas a forte seca que afligiu as principais regiões produtoras da Argentina provocou uma mudança de cenário. Ao mesmo tempo, a guerra comercial entre Estados Unidos e China é favorável ao Brasil, do ponto de vista comercial.

No mercado de milho, a elevação dos preços surpreendeu no primeiro quadrimestre deste ano. Nem mesmo os estoques recorde de passagem do cereal foram suficientes para impedir a alta de preços do cereal. Este movimento era até previsto, mas não na intensidade verificada. Para o pecuarista que precisará de milho para o confinamento no segundo semestre, a recomendação é aguardar o início da colheita e a pressão de baixa em função da maior oferta.

O consumo de biodiesel em 2018 deve ser de aproximadamente 5,3 bilhões de litros. As matérias-primas mais utilizadas para a sua produção são a soja e o sebo bovino, representando em torno de 70% e 14% respectivamente. O Brasil possui o segundo maior rebanho bovino do mundo, sendo o maior exportador de carne bovina, com estimativa de crescimento de 2,15% ao ano, até 2020, nas vendas externas. Essa situação desperta o interesse do pecuarista, do frigorífico e da indústria de biodiesel, pela possibilidade de aproveitamento de um subproduto que, até pouco tempo atrás, era pouco utilizado, quando não descartado.

Na seção Abre Aspas, a participação de Fábio de Salles Meirelles Filho, presidente do Instituto Pensar Agropecuária (IPA), braço de cooperação técnica da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Para o entrevistado, o impacto da reforma trabalhista trouxe mudanças positivas para modernizar a relação entre proprietários rurais e trabalhadores. Também positiva, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de ratificar a constitucionalidade do Código Florestal, segundo ele, defendeu o patrimônio ambiental brasileiro e contribuiu para a sustentabilidade dos 4 milhões de pequenos agricultores. Os temas que continuam em aberto são: a demarcação de terras indígenas e a aquisição de terras por estrangeiros.

O Caderno Especial deste mês traz material da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA). Dentre os assuntos tratados, o destaque fica com a Política Nacional de Biocombustíveis, denominada RenovaBio, aprovada ao final de 2017, depois de um ano de discussões entre o Governo e os agentes da cadeia de combustíveis.

Abril 2018

EDIÇÃO 2018, 10 de abril de 2018

Tema: Mais mulheres no agro!

O ano anda sem surpresas no campo econômico: juros em queda, inflação comportada e dólar entre R$ 3,20 e R$ 3,30.

Contudo, muita atenção deve ser dada aos juros da Selic baixos. Operações que antes eram consideradas boas ficaram ruins. Basta lembrar que várias empresas estão quitando antecipadamente operações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) porque ficaram caras! Há grande movimento para reduzir os juros do Moderfrota (veja na seção Agrodrops). Várias cooperativas oferecem juros de 1% ao mês, antes razoáveis. Hoje, estes juros podem complicar o produtor, quando a inflação não passa de 3,5% ao ano.

Atenção deve ser dada, também, ao comportamento do dólar. Não há razão econômica objetiva para grandes mexidas, mas politicamente é muito provável que um candidato mais à esquerda (por exemplo, Ciro Gomes) passe para o segundo turno. Se isso ocorrer, o dólar vai subir, podendo chegar aos R$ 4,00; se o candidato vencer, a taxa permanecerá volátil. Mas, se um candidato mais ao centro vencer as eleições, o dólar voltará aos patamares de hoje. É importante tomar as decisões corretas de compra e venda de insumos e de produtos com esse quadro em mente.

No mês de março, quando é celebrado o Dia Internacional da Mulher, diversos veículos trataram da participação das mulheres no mercado de trabalho brasileiro. Mas, como as mulheres estão inseridas no mercado de trabalho das atividades do universo agro brasileiro? Uma pesquisa recente do Centro de Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (GV Agro) gerou números inéditos sobre esse tema. A participação das mulheres no mercado de trabalho do agronegócio é menor do que na média da economia brasileira; no entanto, o diferencial de remuneração entre homens e mulheres é menor no agro. Além disso, a remuneração das mulheres no agro tem crescido em um ritmo mais intenso do que a dos homens desde 2012.

A produção de etanol de milho no Brasil já é uma realidade. Cerca de 85% a 90% do custo do etanol de milho são advindos do preço do grão. Assim, a questão da competitividade do etanol de milho, frente ao etanol de cana e à gasolina, depende do preço do milho. Um ponto muito positivo é a disponibilidade da matéria-prima no mercado, ou seja, o produtor de etanol de milho não precisa obrigatoriamente preocupar-se com a produção ou em criar uma rede de fornecedores em torno da usina. Além disso, no mercado futuro é possível travar o preço de compra do milho, reduzindo o risco da atividade.

Na soja, o clima adverso na safra 2017/18 no Brasil e na Argentina pressionou, nos últimos meses, as cotações da commodity no mercado internacional. As chuvas em meados de março na Argentina diminuíram, em parte, essa pressão sobre os preços, mas o total das perdas ainda não foi contabilizado. No Brasil, a colheita de soja avançou melhor em março, o que pode trazer um alívio às cotações no médio prazo. Avaliando o nível atual dos preços, para o produtor que ainda não travou os preços de venda, o momento é favorável para fechar negócio e garantir um bom retorno. Em Rondonópolis-MT, o lucro para a safra atual está estimado em R$ 525,23 por hectare.

Na entrevista do mês, tem-se João Carlos Marchesan, diretor da Marchesan Implementos e Máquinas Agrícolas TATU S. A. e presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ). Desde 2013, quando o setor entrou em recessão, o faturamento somado das empresas caiu pela metade e o número de empregos diminuiu em um quarto. O agro contribuiu para aquecer a produção no setor de máquinas, mas, nos demais segmentos, a produção está estagnada, com utilização de 70% da capacidade instalada. A idade média das máquinas na indústria de transformação brasileira é de dezessete anos, enquanto, nos países desenvolvidos, é um terço disto.

No Especial, tem-se a evolução tecnológica da indústria de inoculantes. Há uma tendência mundial de maior uso de produtos biológicos na agricultura. As pesquisas apontam para grandes novidades no campo do consórcio de microrganismos. O agro brasileiro poderá beneficiar-se de produtos sustentáveis que aumentem o retorno da atividade.

Dentro de um ano, terá início a versão nacional da maior feira de alimentos do mundo, a ANUFOOD Brazil, que ocorrerá de 12 a 14 de março de 2019, no São Paulo Expo. Nos moldes da Anuga, realizada na Alemanha, o evento inédito será o único no País com total enfoque na expansão dos mercados nacional e internacional de produtores e fabricantes brasileiros de alimentos e bebidas. A FGV Projetos é parceira na organização.

Março 2018

EDIÇÃO 2018, 10 de março de 2018

Tema: ANUFOOD – apresentação do produto para o mundo!

O problema do déficit da previdência faz parte de uma realidade dura. No ano passado, totalizou R$ 182,4 bilhões. A dinâmica das contas do sistema previdenciário é insustentável, pois compromete uma parcela cada vez maior dos gastos do Governo. Fatores como o envelhecimento da população e aumentos reais dados ao salário-mínimo impactam diretamente o piso dos benefícios previdenciários. A reforma da previdência é apenas o primeiro passo no contexto mais amplo das reformas essenciais para o País avançar no século XXI. O setor público brasileiro mostra extrema ineficiência em inúmeras áreas. A carga de impostos sobre o cidadão deveria ter como contrapartida melhores serviços públicos na saúde, na educação, na segurança, entre outras esferas. A base institucional sobre a qual se assenta o serviço brasileiro impede iniciativas de modernização e de aumento de eficiência.

O aumento no consumo de alimentos proteicos, ocasionado pelo crescimento dos centros urbanos, tem feito com que pequenos e médios produtores invistam na profissionalização da atividade, a fim de atender essa demanda do mercado. Se, por um lado, esse movimento tem elevado a renda do produtor; por outro lado, a ausência de um sistema de certificação impede que os pequenos e os médios agricultores exportem os seus produtos para países ricos. Uma feira como a ANUFOOD Brazil – que ocorrerá entre os dias 12 a 14 de março de 2019, no São Paulo Expo – será uma excelente oportunidade para os produtores (especialmente os médios e os pequenos) apresentarem os seus produtos diretamente para clientes de outros países. Já os grandes, tradicionais frequentadores de feiras, terão a oportunidade de realizar novas vendas a um custo muito menor do que a participação em feiras de outros países.

No exercício de 2017, a análise da rentabilidade média das atividades agropecuárias e de outras opções de investimento de capital mostra que o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo apresentou, de longe, o melhor desempenho (28,2%), seguido pelas aplicações em ouro (11,8%) e pelo Certificado de Depósito Interbancário (CDI) (9,9%). Depois, aparecem as atividades agropecuárias, mais uma vez com a liderança da cana, com os arrendamentos de canaviais (7,9%) e a produção e o fornecimento de cana-de-açúcar (7,8%). As explorações de baixa tecnologia, seja na pecuária de leite ou de corte, registraram os piores comportamentos. O artigo que traz esses resultados analisa, ainda, outras atividades do campo.

Na questão ambiental, tem-se o compromisso internacional assumido de forma voluntária pelo Brasil de reduzir as emissões por meio do Plano ABC (Agricultura de Baixo Carbono), em 2016, na COP-21, em Paris. Os instrumentos para monitorar e contabilizar a mitigação das emissões de Gases do Efeito Estufa (GEEs) geradas pela agropecuária precisam ser mobilizados de forma sistemática e com metodologia aceita internacionalmente. Os números apresentados pela Plataforma ABC com base no uso da integração lavoura-pecuária-floresta (iLPF) entre 2010 e 2015 mostram que as metas para 2020 já foram alcançadas – um resultado excelente.

Na entrevista do mês, temos a participação de Antonio Henrique Botelho Lima, presidente da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (ANDAV). Na conversa, abordou-se o desafio de levar até os agricultores os produtos e os serviços necessários para gerar tecnologia competitiva e rentável. A agropecuária brasileira segue em crescimento junto com as demandas do campo. São 5.339 distribuidores espalhados por todo o País. Em 2016, os mercados nacionais de fertilizantes, defensivos, sementes, nutrição animal e medicamentos veterinários movimentaram R$ 109,7 bilhões.

O sistema nacional de crédito rural está sendo colocado em xeque. Entidades do setor debatem como financiar o custeio, o investimento e a comercialização da produção agropecuária brasileira. As fontes de recursos tradicionais, baseadas nos depósitos à vista dos agentes financeiros e na Poupança Rural, deixaram de atender com suficiência a necessidade do setor. Tradings, indústria, distribuidores e cooperativas, entre outros, junto com os recursos dos próprios agricultores, cada vez mais, irrigam de dinheiro o setor. O mercado de capitais, com os títulos do agronegócio, fazem parte dessa nova realidade. Vivemos uma transição.

Enquanto o agronegócio em geral caminha de maneira favorável, a cadeia produtiva de cacau teve problema em 2016 e 2017. Uma longa e intensa estiagem afligiu a lavoura, com enorme quebra na produção. A indústria teve de recorrer a importações de Gana, na África, para atender os seus contratos comerciais e não interromper a produção por falta de matéria-prima. A situação deve melhorar neste ano, com a retomada da normalidade da safra e a demanda firme com o Produto Interno Bruto  (PIB) em ascensão. Para outubro, tem-se a previsão de um grande evento com a realização da 17ª reunião da World Cocoa Foundation.

Apesar de o cenário de turbulência na política e na economia nacionais ter afetado os negócios com a pecuária em 2017, a Associação Brasileira de Indústrias de Suplementos Minerais (ASBRAM) comemora as vendas e os faturamentos conquistados no último ano. A entidade, que agrega em seu quadro associativo empresas com participação de 67% do mercado, apresenta o seu Caderno Especial pela nona vez na Agroanalysis. Uma nova diretoria assume a sua gestão para o biênio 2018-2019, com a manutenção da linha traçada nos últimos anos e vigor para novas realizações.

Fevereiro 2018

EDIÇÃO 2018, 10 de fevereiro de 2018

Tema: Valorizar a Ciência!

Veio à tona, nas últimas semanas, um instigante debate sobre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), tratando de temas delicados, desde o “envelhecimento” da importante instituição até a falta de recursos financeiros para que ela cumpra a contento a sua nobre missão de conferir competitividade aos produtores rurais brasileiros por meio de inovações tecnológicas calcadas em sustentabilidade no seu conceito mais abrangente.

Ninguém tem a menor dúvida da extraordinária contribuição dada pela Embrapa para os avanços do nosso setor rural. Nos últimos 45 anos, desde a sua criação, o Brasil passou de importador de alimentos a um dos maiores exportadores do mundo, com um claro benefício para os nossos consumidores, que foi a redução do custo da alimentação. Só este resultado justifica a fama internacional de que goza a Embrapa, e seus pesquisadores e funcionários merecem a máxima gratidão de todos os brasileiros, e não apenas dos produtores rurais.

Por outro lado, também é evidente que os novos patamares de produtividade alcançados – somados às mudanças de comportamento de consumidores do mundo todo quanto à qualidade da alimentação e às espetaculares inovações tecnológicas que vêm surgindo e que afetarão profundamente os sistemas de produção rural integrada, inclusive quanto  à gestão – exigem o revigoramento dos esforços da Embrapa, bem como de todo o aparato institucional gerador e difusor de tecnologias, público e privado, nos âmbitos federal, estadual e, até mesmo, municipal.

Até porque, se há dúvidas quanto à eficiência daquela renomada empresa, muito mais inquietante é o estado de outros organismos similares e muito mais antigos que também prestaram contribuição historicamente fundamental para o sucesso do nosso agro. Que dizer do mais do que centenário Instituto Agronômico (IAC), do Instituto Biológico (IB), do Instituto de Pesca (IP), do Instituto Florestal (IF), do Instituto de Zootecnia (IZ) e do Instituto de Economia Agrícola (IEA)? Todos estes mais as universidades de Ciências Agrárias deram a sua significativa parcela para os saltos que hoje celebramos. E todos estão em situação tão difícil, senão pior, quanto à da Embrapa. As três universidades estaduais paulistas gastaram com folha de pagamento, de janeiro a novembro do ano passado, mais de 97% dos recursos que receberam de repasse do estado. Isso é bem mais do que os 90% que a Embrapa gastou do seu orçamento com a folha! Portanto, o problema real está no descaso dos governos com a ciência e a tecnologia.

É claro que sempre se pode fazer ajustes que reduzam despesas administrativas para que sobre mais para a pesquisa e o desenvolvimento. E em todas as instituições. A Embrapa ou qualquer outra poderia simplificar processos para reduzir a burocracia, desconcentrar a gestão, dando mais autonomia para as unidades descentralizadas em função das prioridades de cada uma; os projetos de pesquisa seriam aprovados por seu mérito, seria criado um mecanismo permanente de aproximação com a sociedade rural e os produtores. Também se deveria definir quais áreas seriam prioritárias para pesquisa pública, considerando o que o setor privado já faz. Enfim, sempre se pode melhorar. Mas, nem sempre quem está jogando o jogo, por mais craque que seja, consegue enxergar todo o estádio. E, por isso, poderia ser bem-vinda uma avaliação contemporânea da estrutura, da estratégia e dos métodos da instituição, feita por consultoria independente e externa. Isso poderia ser feito na Embrapa e nos demais institutos todos, e sempre com a missão de inovar para garantir a competitividade dos produtores com sustentabilidade.

Mas, é claro que o problema não está na Embrapa apenas, ou em qualquer outra entidade. O que falta mesmo é visão aos governos. Falta a convicção de que nenhum país consegue evoluir sem ciência, sem inovação, sem tecnologia, sem adaptação aos tempos que trazem mudanças profundas todos os dias. É só olhar o mundo ao redor: quem cresceu com firmeza e consistentemente? Quem investiu em educação e, por conseguinte, em pesquisa e desenvolvimento (P&D)?

Quando será que nossos governantes compreenderão isso? Este é um ano de eleições. Devemos enfiar na cabeça de todos os candidatos que o único legado que deixarão para a eternidade, se eleitos, será um povo mais educado, com maior espírito cívico, com mais compromisso com a nação, e isso se traduzirá em valorização da Ciência e dos nossos organismos de P&D. Para o agro e, também, os demais setores.

Janeiro 2018

EDIÇÃO 2018, 10 de janeiro de 2018

Tema: Economia em trajetória de recuperação!

O ano de 2017 ficará marcado pelo fim da mais longa e profunda recessão brasileira desde a Segunda Guerra Mundial. O maior problema reside, atualmente, no déficit do sistema previdenciário, que, além de elevado, é crescente no tempo. Com as denúncias envolvendo o presidente da República, o governo perdeu força junto ao Congresso Nacional para promover a reforma no âmbito necessário para o País. A votação de uma versão mais branda da reforma foi deixada para fevereiro próximo. Vamos esperar que a economia brasileira siga na trajetória de recuperação e ajuste neste ano de 2018.

Embora os temas domésticos demandem grande atenção, não podemos esquecer que há importantes dilemas se desenrolando no ambiente externo. Um deles é o excesso de endividamento na economia chinesa, de 269% do seu Produto Interno Bruto (PIB), segundo o seu Banco Central. Os mercados enxergam o Brasil e, principalmente, o nosso agronegócio fortemente ligados à economia chinesa. Um problema lá, certamente, pode ter fortes impactos aqui.

A falta de resultados concretos nas negociações e o adiamento do acordo entre o Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) e a União Europeia (UE) frustraram as expectativas sobre a 11a Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC). Do ponto de vista comercial, um acordo entre o MERCOSUL e a UE seria interessante para o agronegócio brasileiro. Haveria abertura para novos mercados nos 28 países da UE, com 500 milhões de consumidores. As exportações agrícolas seriam facilitadas com tarifas eliminadas e reduzidas e barreiras técnicas reformadas.

Um fato cada vez mais presente nas avaliações de fluxos de comércio é que, por trás de cada tonelada transacionada, está embutido um determinado conteúdo de recursos naturais do país produtor. No caso das commodities agrícolas, há um elevado conteúdo de água e de emissões de gases do efeito estufa por trás de cada tonelada exportada. A produção de 1 tonelada de soja, por exemplo, requer aproximadamente 2.200 metros cúbicos de água. A soja importada pela China em 2017 equivale a 2,55 vezes a vazão do rio Amarelo, o segundo mais extenso do país.

Na agenda de eventos, estamos a quase um ano da realização do ANUFOOFD Brazil. Os preparativos seguem de maneira intensa, com a combinação do know-how alemão e da criatividade brasileira. Trata-se de um enorme esforço para oferecer uma feira de negócios que possa conectar da forma mais abrangente possível demanda e oferta para o mercado nacional e o MERCOSUL. Será uma oportunidade única para promover os produtos brasileiros ao mundo.

Chama a atenção o trabalho para reformulação do Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Etanol do Estado de São Paulo (Consecana-SP). Neste momento, a discussão está centrada na metodologia de cálculo da remuneração da matéria-prima. A cada cinco anos, esse embate vem normalmente à tona. Nas duas pontas extremas, estão a Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (ORPLANA), representante dos produtores da matéria-prima, e a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), na defesa dos direitos da indústria.

Nos negócios com boi gordo, o maior abate de animais na próxima safra deverá pressionar as cotações, principalmente entre abril e maio. Em um ano de incertezas como o de 2018, é fundamental buscar opções de venda ou ferramentas para a trava de preços da arroba.

Na soja, os inoculantes fixadores de nitrogênio garantem uma vantagem biológica à planta. Este fenômeno diminui de forma substancial o consumo de fertilizantes nitrogenados e viabiliza economicamente a cultura nos quatro cantos do País. No esforço para elaborar o seu planejamento estratégico, a Associação Nacional dos Produtores e Importadores de Inoculantes (ANPII) organiza-se para montar um banco de dados e de informações. Uma pesquisa de mercado aponta uma taxa nacional na adoção de nutrientes ao redor de 70%, mas a variação entre as diversas regiões do País é imensa. Essa constitui uma das distorções a serem corrigidas.

Na seção Abre Aspas, apresenta-se a entrevista com o empresário Mario Sergio Cutait, executivo experiente da empresa familiar MCassab e diretor do Departamento de Agronegócio (Deagro) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A conversa tratou sobre o quadro de ansiedade na sociedade brasileira com a crise econômica. O ciclo de recuperação veio em 2017 e promete continuar em 2018. O ponto de incerteza está nas eleições presidenciais, de governadores e parlamentares na Câmara dos Deputados e no Senado. Este é o momento correto para o agronegócio cobrar dos candidatos um projeto competente de governo.

O Caderno Especial do mês apresenta o Desafio 2050, uma realização da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Na agenda de trabalho, tem-se o desafio de aumentar a produção alimentar para atender o consumo de uma população crescente. A perspectiva é que o Brasil ocupe um espaço de liderança e protagonismo em escala mundial.

Dezembro 2017

EDIÇÃO 2017, 10 de dezembro de 2017

Tema: Melhor 2018!

Nesta última edição da Agroanalysis de 2017, vale ressaltar que os prognósticos feitos para os principais números da economia brasileira estiveram sempre na linha correta: a taxa básica de juros (Selic) terminará o ano na casa dos 7%; a inflação caiu para baixo da meta de 4,5%; e o dólar vai terminar dezembro valendo cerca de R$ 3,30. Os produtores rurais não tiveram maiores sustos, e os preços não foram ruins considerando o tamanho da safra.

Se o clima ajudar e o mundo continuar razoavelmente bem-comportado – equilíbrio interno dos Estados Unidos em face das ações do presidente Trump, manutenção da taxa de juros norte-americana e ausência de conflitos armados de grandes proporções –, 2018 será um ano ainda melhor. Claro está que as eleições de outubro podem trazer um cisne negro, mas não é o que o mercado financeiro está lendo neste momento. Mesmo que um candidato populista, ou um outsider, ganhe as eleições, haverá pouco espaço para aventuras fiscais e populistas. E, quanto melhor formulada for a política econômica, maior a chance de a retomada econômica não ser um voo de galinha.

Neste momento, o nó da economia brasileira permanece no campo fiscal, com um déficit público expressivo e um crescimento da dívida acentuado. Há uma ausência de medidas mais efetivas de ajuste fiscal. O governo demonstra não ter mais forças políticas para promover grandes mudanças. Isso significa que apenas um novo governo, imbuído de força política após um processo eleitoral, terá condições de promover maiores alterações. Em outras palavras, medidas palpáveis para promover um redirecionamento da trajetória insustentável das contas públicas só ocorrerão em 2019.

A fim de avaliar a safra 2017/18 de cana-de-açúcar, a Canaplan realizou seu 2º encontro do ano. Do ponto de vista da evolução da produtividade, medida em toneladas de ATR por hectare, houve uma importante redução do seu patamar médio quando se compara o período de 2011/12 a 2017/18 com o período de 2005/06 a 2010/11. A renovação do canavial segue abaixo do necessário. A realidade econômica e financeira do setor sucroenergético mostra alto endividamento. Há ,neste governo de transição, uma esperança de implantação do RenovaBio, elaborado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pelo setor privado.

Na produção de leite, a demanda fraca na ponta final da cadeia produtiva e o aumento da produção pressionaram para baixo os preços do leite no Brasil em 2017. O resultado só não foi pior para o pecuarista porque a redução dos custos foi maior do que a queda nos preços. Portanto, o resultado da produção depende da eficiência do gasto com insumos.

Ao longo deste mês, dois encontros internacionais, que acontecem na vizinha Argentina, merecem acompanhamento pelo público do agro. O primeiro refere-se às negociações entre os países do Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) e a União Europeia (UE), paralisadas há dezessete anos. Espera-se que o acordo de livre-comércio entre os dois blocos comece em janeiro de 2019, mas as ofertas de abertura de mercado para o etanol pela UE decepcionaram os sul-americanos. O segundo é a 11ª Reunião Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), com pontos de vista discordantes no capítulo sobre regras de comércio do algodão.

Na seção Abre Aspas, tem-se a entrevista com André Guimarães, diretor executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM). Apesar da queda registrada no desmatamento da Amazônia de agosto de 2016 a julho de 2017, no seu entendimento não há real motivo para celebração, pois o nível desta ação continua alto. O ritmo está mais lento, mas o processo prossegue. Sobre a 23ª Conferência das Partes (COP-23) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês), realizada em Bonn, na Alemanha, em novembro – na qual esteve presente –, considera que os resultados obtidos ficaram aquém do esperado.

Para finalizar, tem-se o Caderno Especial sobre a cadeia produtiva de café. Esta é a 12ª edição da parceria entre a Agroanalysis e o Conselho Nacional do Café (CNC) e outras entidades do setor – como a Comissão Nacional do Café da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (CECAFÉ), a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (ABICS) e a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC). O setor está de olho na safra 2018/19, de bianualidade positiva, com maior colheita, depois de uma florada cercada de temperatura elevada e estiagem.

Outubro 2017

EDIÇÃO 2017, 10 de outubro de 2017

Tema: O pior ficou para trás!

Os indicadores apontam que a economia brasileira retorna vagarosamente aos eixos, com crescimento econômico nos próximos trimestres. No entanto, diferentemente do verificado em ciclos anteriores – em que a recuperação era rápida e robusta –, a retomada da trajetória ascendente no Brasil será lenta. Desta forma, para 2018, é razoável supor o registro de uma variação positiva no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, a demonstrar que o pior, de fato, ficou para trás. E, para o agronegócio, vale lembrar que a Selic deve ficar abaixo de 7% e o câmbio abaixo do valor de 2017. Poderá haver instabilidades quando se aproximar a eleição.

No agronegócio brasileiro, é comum a crítica da sua expansão na produção de commodities em vez de haver avanços sobre a produção de alimentos de maior valor agregado. Embora isso deva ser um objetivo do setor, os desafios não são triviais e é necessário cuidado para avaliar se o investimento realmente proporciona um retorno. A intensificação dos esforços nas etapas associadas à produção do alimento para o consumidor final envolve um modelo de negócio distinto, com maior imobilização de capital e exigência de maior coordenação entre os elos da cadeia produtiva.

A propósito, desperta atenção o Índice de Participação na Exportação do Produtor (IPEP), calculado e publicado, nos últimos doze anos, pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (CECAFÉ). O seu objetivo é estimar a participação do produtor de café Arábica no valor da mercadoria desembaraçada para exportação. Nesse período, o IPEP manteve-se próximo de 85%. Isso é uma demonstração de eficiência e competitividade do setor exportador de café verde brasileiro. Comparado com os outros países produtores de café, o Brasil é o país que transfere a maior parte do valor da exportação para os preços internos recebidos pelo produtor.

No mercado de soja, a expectativa de maior estoque na safra 2017/18, diante do aumento da produção nos Estados Unidos e do crescimento da área semeada no Brasil, aponta para mais um ano de pressão de baixa sobre os preços da soja. Mesmo assim, a queda nos custos de produção pode garantir um lucro de R$ 429,55 por hectare na safra 2017/18, na região de Rondonópolis-MT. Este valor é 32,6% superior ao resultado médio de 2016/17.

Neste momento, a agropecuária depara-se com a judicialização de questões contraditórias, o que traz insegurança jurídica e atrapalha o desenvolvimento das suas atividades. Dois casos podem ser citados como exemplos neste momento. O primeiro diz respeito à constitucionalidade da cobrança do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (FUNRURAL): o Projeto de Resolução do Senado nº 13/17 aprovou a medida, enquanto a Advocacia-Geral da União (AGU) é contrária, de acordo com o parecer do Supremo Tribunal Federal (STF). O segundo caso constitui-se nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) movidas contra artigos do Código Florestal, com a interrupção do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e do Programa de Regularização Ambiental (PRA).

Com prejuízos para a expansão e o fortalecimento do seguro rural no Brasil, assiste-se ao contingenciamento sistemático do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Para 2017, a Lei Orçamentária Anual (LOA) autorizou a aplicação de R$ 400 milhões para custear as despesas do PSR. Isso possibilitaria subvencionar em torno de 75 mil apólices, considerando os percentuais de subvenção definidos por modalidade de seguro rural. Mas, com o corte de 50% no orçamento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), em março último, foram contingenciados R$ 310 milhões (77,5%) dos recursos do PSR. Assim, o Comitê Gestor Interministerial do Seguro Rural (CGSR), colegiado responsável pela gestão do Programa, aprovou a distribuição do orçamento do PSR (R$ 90 milhões) para o primeiro semestre de 2017 para as culturas de milho 2ª safra, trigo e outros grãos de inverno, café, cana-de-açúcar, olerícolas, seguro pecuário, seguro de florestas e seguro aquícola.

Nos combustíveis, tem-se o debate sobre a convergência dos objetivos das políticas energética, ambiental, industrial e de desenvolvimento econômico em torno de um único projeto. O Brasil será beneficiado com a otimização dos motores a combustão interna por meio da introdução do híbrido flex e da célula a combustível movida a etanol. O programa de revitalização do setor de biocombustíveis, RenovaBio, e o novo Inovar-Auto, batizado de Rota 2030, podem levar o Brasil a um grande protagonismo internacional ao elegerem uma solução que atende simultaneamente objetivos nas áreas de energia, meio ambiente e desenvolvimento econômico.

Nesta edição, a Agroanalysis apresenta uma entrevista de Sarah Theurich, diretora associada para a América Latina da GeoEconomica. Em análise, está a sensibilidade sobre a dimensão da geopolítica e os riscos geopolíticos diante da inserção internacional do agronegócio brasileiro. Com a globalização, o Brasil tornou-se, de forma rápida, uma potência mundial em alimentos, fibras e biomassa, com liderança na produção e na exportação em diversas cadeias produtivas. Como faz parte do circuito dos investimentos estrangeiros diretos para infraestrutura e logística, o País precisa tirar proveito dessa posição vantajosa.

O Caderno Especial da Agroanalysis apresenta apurados registros do 1º Fórum Brasileiro de Defensivos, organizado pela Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio). Entre 2015 e 2016, a quantidade de produtos biológicos registrados no MAPA passou de 139 para 277. O seu uso na agricultura brasileira está alicerçado no tripé composto pela disseminação do conhecimento para assistência técnica no campo, pela boa prática de produção para assegurar qualidade e pela logística eficiente para o produto chegar com condições adequadas à aplicação nas lavouras. Os biológicos fazem parte do manejo integrado de pragas na agropecuária nacional.

Setembro 2017

EDIÇÃO 2017, 10 de setembro de 2017

Tema: Brasil sediará versão da maior feira de alimentos do mundo!

Neste mês, a Agroanalysis entrevista Gerald Böse, presidente e diretor executivo da Koelnmesse GmbH, que acaba de anunciar oficialmente a realização da ANUFOOD Brazil, nova feira de negócios, que acontecerá entre os dias 12 e 14 de março de 2019, no São Paulo Expo. O evento, inédito no Brasil, será totalmente dedicado ao setor de alimentos e bebidas em geral e terá como base a tradição e o modelo bem-sucedido da Anuga, a maior feira de alimentos do mundo, realizada em Colônia, na Alemanha. A ANUFOOD será realizada em parceria com a FGV Projetos, unidade de assessoria técnica da Fundação Getulio Vargas.

Na economia brasileira, após a correção de rumo gerada na política monetária por parte do Banco Central, a inflação cedeu. A sinalização é de um resultado no ano inferior ao centro da meta estabelecido de 4,5%. Tudo indica que o cenário favorável de inflação prevalecerá em 2018. Do lado da atividade econômica, os indicadores apontam crescentemente uma acomodação. Assim, a retração no Produto Interno Bruto (PIB) verificada nos últimos anos não deverá repetir-se em 2017. Uma possível retomada, ainda que em bases moderadas, pode ser esperada para o ano que vem.

A grande questão enfrentada pelo governo Temer reside no campo fiscal. O resultado das contas públicas no curto prazo segue ruim. Após a aprovação das emendas de desvinculação das receitas da União e do teto dos gastos públicos e as mudanças na área trabalhista, o governo movia-se na direção de promover uma reforma tributária e uma previdenciária. As denúncias, com o envolvimento direto do presidente da República, enfraqueceram as ações do governo para levar adiate esse processo.

Apesar de todas as turbulências pelas quais a economia brasileira passa neste momento, o risco-país caiu para o nível de janeiro de 2015, o dólar opera em um patamar considerado baixo – entre R$ 3,10 e R$ 3,20 –, e as cotações das commodities (com exceção das agrícolas) têm operado em um nível bem acima daquele observado, por exemplo, nesses mesmos meses do ano passado. Por trás desse cenário, não há exatamente um otimismo com relação à economia mundial, mas um conjunto mais limitado de opções que oferecem boa rentabilidade aos investidores: além de um excesso de dólar no mercado internacional, os ativos financeiros mais tradicionais (em especial os títulos públicos de economias avançadas) estão oferecendo um retorno muito baixo. Essa conjuntura “força” os investidores que buscam uma rentabilidade maior a aceitarem riscos maiores. Sem dúvida alguma, essa conjuntura é favorável à economia brasileira. Todavia, esse cenário é passageiro, e rapidamente a conjuntura pode se reverter.

Há um consenso de que o Estado é importante e pode ser determinante para o bom ou o mau desempenho setorial. A divisão de opiniões é quanto ao seu papel, à sua forma de participação e aos seus limites. Com foco na agropecuária, um trabalho da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) mostra que há necessidade de uma rediscussão sobre o Programa Agropecuária Sustentável (PAS). Nos últimos três anos, os recursos empregados na formação e na operação dos estoques públicos não apenas foram menores do que o gasto na estrutura para executar essa política agrícola, mas também as trajetórias foram diferentes: enquanto o gasto com formação de estoques reduziu, o de operação aumentou 439%.

De qualquer forma, na safra 2016/17 observamos o avanço sem precedentes da produção de soja e milho no Brasil. Com um recorde absoluto, a produção, pela primeira vez na história, chega a 211 milhões de toneladas. Os dados são da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Com isso, os embarques destes dois produtos deverão ficar à beira de 95 milhões de toneladas. Nesse contexto, a maior participação dos portos do Arco Norte passa a ser fundamental para desobstruir o fluxo de transporte rodoviário do cereal das áreas de produção às zonas de embarque. O grande gargalo continua a ser a BR-163, segundo o que aponta a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC). No milho, por exemplo, o deslanche das exportações será decisivo para a recuperação e a sustentação de seus preços no mercado interno neste segundo semestre.

Em dezembro próximo, ocorrerá a 11ª reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Buenos Aires, na Argentina. A expectativa é a de avançarmos nos temas a favor da abertura comercial. A participação do Brasil, como líder na produção e na exportação, é essencial em qualquer negociação comercial agrícola.

O Caderno Especial da Agroanalysis apresenta a cadeia produtiva de cacau, que mostra recuperação neste ano tanto na produção da matéria-prima, como no esmagamento industrial. Em 2016, a lavoura teve uma dramática queda, em decorrência de uma longa estiagem no estado da Bahia, o maior produtor nacional. Normalmente, o Brasil importa um quarto do seu consumo. Para reverter esse quadro deficitário, a Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), junto com o Governo, entidades coirmãs e organizações não governamentais, promove uma série de inciativas para o Brasil voltar a ser autossuficiente no produto.

Agosto 2017

EDIÇÃO 2017, 10 de agosto de 2017

Tema: Impostos comprometem o crescimento econômico!

A queda da inflação abriu espaço para a flexibilização da política monetária nos últimos meses. Com isso, a tendência da taxa básica de juros (Selic) é de novas quedas até o final do ano, com expectativa de fechar 2017 em um dígito. Do ponto de vista das contas externas, a posição brasileira é confortável ante o saldo comercial positivo e o volume de reservas internacionais. Apesar da grave crise política, não se verificou, até o momento, uma fuga de capitais, fato constante nas crises da segunda metade da década de 1990 e do início da década passada. A maior fragilidade do governo federal está no desajuste das contas públicas.

Quando apresentou o orçamento de 2017, o Governo comprometeu-se com um déficit primário de R$ 139 bilhões. Infelizmente, no decorrer do primeiro semestre do ano, ficou claro que o Governo não conseguiria cumprir a meta fiscal prometida. Esse, então, passou a ser o maior desafio para o governo Temer na área econômica.

Assim, com a revisão de um Produto Interno Bruto (PIB) mais fraco em 2017 e a dificuldade de fazer a reforma previdenciária, as autoridades optaram pela saída de aumento de tributos. Com o peso do ajuste tendo recaído sobre o setor privado, os efeitos são negativos para a retomada da economia, pois se tem uma redução da renda disponível, que poderia ser canalizada para consumo ou investimento.

Foi anunciada, então, uma elevação na alíquota do PIS/COFINS sobre o litro da gasolina (R$ 0,41), o do óleo diesel (R$ 0,21) e o do etanol junto ao produtor (R$ 0,01) e ao distribuidor (R$ 0,20). A partir deste aumento de tributos, a expectativa oficial é arrecadar, ainda em 2017, pouco mais de R$ 10 bilhões e, no próximo ano, um montante superior a R$ 20 bilhões. Se, por um lado, essa é uma estratégia rápida e eficaz para inflar as receitas; por outro lado, a medida possui algum impacto inflacionário. Mesmo assim, no final de julho, novos cortes no orçamento foram anunciados para que a meta de déficit primário de R$ 139 bilhões seja mantida.

O aumento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE), que incide sobre a gasolina e o óleo diesel, seria outra saída para aumentar a arrecadação e, ao mesmo tempo, favorecer o setor sucroalcooleiro. De acordo com estudo do Centro de Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (GV Agro), a cada aumento de R$ 0,10 da CIDE sobre a gasolina, o consumo de etanol pode aumentar até 11,6%. No entanto, enquanto o aumento do PIS/COFINS é imediato, a CIDE apenas entraria em vigor noventa dias após a decisão do Governo.

Em 2010, o governo brasileiro criou o Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC) como uma linha de crédito para conduzir o Brasil a um modelo de produção mais sustentável. Passados sete anos, um estudo produzido para o Observatório ABC, do GV Agro, procurou entender por que esta iniciativa ainda não deu os resultados esperados.  Em linhas gerais, o trabalho apontou que não há um acompanhamento da implantação do Programa ABC nas áreas definidas como prioritárias, nem um arranjo institucional que coordene as ações e as políticas públicas relacionadas à inteligência territorial. Por isso, é preciso remodelar esse conceito, incorporando critérios econômicos à definição das áreas prioritárias.

Na entrevista do mês, Rodrigo Justus de Brito, presidente da Comissão Nacional de Meio Ambiente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNMA/CNA), comenta sobre as inscrições ocorridas no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e os benefícios do Programa de Regularização Ambiental (PRA). Na sua visão, poucos estados avançaram neste trabalho. Em São Paulo, por exemplo, o CAR ainda não está sendo analisado, em função de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) contra a Lei estadual do PRA. Em Minas Gerais, diversas ações judiciais reconheceram a inconstitucionalidade incidental dos artigos e de outros dispositivos do novo Código Florestal.

Na pecuária leiteira, no final do primeiro semestre, o mercado registrou queda nos preços do leite ao produtor, invertendo o movimento de alta iniciado no começo do ano. Ainda assim, a expectativa é de um lucro nos sistemas de média, alta e baixa tecnologias em 2017: estima-se um lucro de R$ 0,119 por litro de leite nos sistemas de média a alta tecnologia e de R$ 0,096 por litro nos sistemas de baixa tecnologia.

Desde meados do século passado, a soja foi a lavoura de maior expansão no mundo. A sua riqueza em proteína e óleo justificou esse movimento em grande escala de produção, com custo de produção altamente competitivo. A Associação Nacional dos Produtores e Importadores de Inoculantes (ANPII) mostra o avanço e a contribuição desta indústria para a produção rentável da sojicultura.

No Fórum Inovação para Sustentabilidade na Defesa Vegetal, organizado pela Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), debateu-se o tema da inovação para sustentabilidade na defesa vegetal. A entidade criou a área de Inovação e Sustentabilidade para estimular ações sustentáveis e aplicações da ciência na defesa vegetal. Isso auxiliará na criação de uma agenda estratégica de combate às pragas e às doenças, com soluções antecipadas à ocorrência de problemas, de forma coordenada entre órgãos governamentais e a sociedade.

O Caderno Especial da Agroanalysis deste mês apresenta conteúdo sobre a Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo). Tal entidade reúne associados empreendedores, considerados pelo ex-ministro da Agricultura Alysson Paolinelli como “start-ups que deram certo” no agronegócio. Levantamento da entidade aponta o ritmo de crescimento do setor e o elevado grau de investimento em pesquisa e desenvolvimento das empresas. A próxima iniciativa é a parceria com o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV) em um projeto piloto para iniciar a coleta e a destinação apropriada das embalagens de fertilizantes especiais produzidos e distribuídos na cadeia de nutrição vegetal.

Julho 2017

EDIÇÃO 2017, 10 de julho de 2017

Tema: País segue, apesar da confusão política!

Do ponto de vista econômico, a questão central passou a ser qual é o real impacto sobre a recuperação da atividade econômica oriundo do caos político instalado em Brasília. Sem sombra de dúvida, a percepção de risco sobre a economia brasileira aumentou a partir do surgimento das denúncias recentes. Isso decorre do fato de que a efetivação da aprovação das reformas ficou mais difícil. Obviamente, o cenário para a retomada de investimentos também ficou um pouco mais comprometido a partir das incertezas no campo político.

No entanto, os agentes parecem ter descolado relativamente o ambiente econômico do cenário político turbulento, até mesmo porque as diretrizes de política econômica foram preservadas mesmo em meio ao caos em Brasília.

Os mais entendidos apontam o final de setembro como decisivo para saber se o presidente Temer fica ou sai. De qualquer modo, na opinião da Agroanalysis, se o presidente sair, seu sucessor, escolhido por via indireta, manterá a equipe econômica. As reformas serão muito desidratadas, mas devem passar. Assim, o crescimento será muito pequeno, mas inflação e dólar ficarão comportados. A grande decisão virá apenas com as eleições de 2018.

Apesar das grandes contribuições prestadas para a economia brasileira, sozinho, o setor agro não conseguirá tirar o País do atoleiro. A economia só voltará a crescer realmente quando, de um lado, a indústria se recuperar e, de outro, quando for possível ver esta recuperação do lado do consumo das famílias. Infelizmente, a forte contração dos investimentos ainda observada ao longo do primeiro trimestre de 2017 sugere que temos um longo caminho pela frente.

A maior feira do setor de alimentos e bebidas do mundo, a Anuga, é realizada a cada dois anos na cidade de Colônia, na Alemanha. Devido à riqueza cultural e à reconhecida importância da América da Sul na produção de gêneros alimentícios, em uma parceria com a Koelnmesse – empresa realizadora da Anuga –, a FGV Projetos organizará uma versão da famosa feira em São Paulo, em 2019. A ANUFOOD Brazil, como será chamada, será a primeira grande feira do País focada em todos os segmentos da indústria de alimentos e bebidas. O evento contará, também, com a realização de conferências e seminários, que abordarão inovações em produtos, discussões estratégicas para o desenvolvimento da indústria, tendências de consumo, segurança alimentar, entre outros temas. Será um marco para o setor no Brasil e nos demais países da América do Sul, propiciando visibilidade global e oportunidades de abertura de novos mercados estratégicos para a indústria.

O Plano Agrícola e Pecuário (PAP) da safra 2017/18 – que entrou em vigor em 1º de julho e se estenderá até 30 de junho de 2018 –, como era de se esperar, não trouxe novidades para a produção. Houve uma pequena queda na taxa de juros e uma disponibilidade de recursos para o crédito rural que não acompanhou a taxa de inflação registrada a partir da safra 2016/17. A safra recorde de grãos colhida nesta temporada promove um grande salto no Produto Interno Bruto (PIB) do setor.

Com a chegada da estação de inverno e da seca, o mercado de carne bovina fica agitado na expectativa do cenário para o confinamento neste ano. Apesar de o preço do boi magro e da alimentação (elementos que correspondem a aproximadamente 90% do custo total) estar mais baixo na comparação com o ano passado, as recentes quedas nos preços da arroba do boi gordo achataram as margens da atividade. Em muitos casos, o resultado está negativo, aumentando a incerteza do confinador. A expectativa de prejuízo poderá afetar a quantidade de cabeças confinadas em 2017, em especial no segundo ciclo do confinamento. Uma melhoria dos resultados econômicos estaria atrelada a uma reação dos preços futuros da arroba do boi gordo.

Na cadeia sucroalcooleira, o destaque fica para o trabalho da Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (ORPLANA) na valorização deste importante elo da cadeia produtiva. São 33 associações na busca de uma linguagem comum para uma atuação mais sinérgica. O impacto da longa crise vivida pelo setor nesta década deixou enormes sequelas negativas. O momento é de superação e retomada do crescimento, com inovação e produtividade.

Na entrevista do mês, o presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Roberto Olinto Ramos, fala sobre a realização do Censo Agropecuário de 2017 a partir de outubro próximo até fevereiro de 2018. Cerca de 5,3 milhões de imóveis receberão em suas sedes as visitas dos recenseadores para a realização das entrevistas. A mobilização de pessoal e logística é enorme. Para o próximo exercício, o Instituto planeja realizar um novo levantamento anual, nos moldes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), uma espécie de PNAD Agropecuária.

Pelo nono ano consecutivo, a Agroanalysis publica o Caderno Especial da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), com a apresentação das principais ações desenvolvidas. Com doze anos de existência, a entidade soma, hoje, 4.743 associados ativos, com 24 núcleos de associados e doze municípios agregados.

Para encerrar, tem-se o registro especial da celebração, em 1 de julho, do Dia Internacional do Cooperativismo, cujo sistema engrandece o agronegócio brasileiro.

Junho 2017

EDIÇÃO 2017, 10 de junho de 2017

Cenário totalmente incerto no curto prazo!

No momento de fechamento desta edição, o Brasil assiste perplexo ao resultado da delação dos donos da JBS. A delação saiu muito barata, até o momento, para os irmãos Batista, considerando o que fizeram. A situação deles ainda deve mudar. A podridão dos políticos brasileiros é ainda maior do que se pensava. Mesmo passando por muita turbulência de curto prazo, ao final o Brasil sairá mais forte e limpo.

As incertezas são muitas: o presidente Temer resistirá? Se não, quem assumirá a presidência? As eleições diretas serão antecipadas? Ninguém sabe! A Agroanalysis acredita que, se o presidente Temer não resistir, haverá eleição indireta, com assunção de um nome que consiga levar o País até as eleições de 2018. Nesse caso, a equipe econômica será mantida e continuará a turbulência de curto prazo (os mercados dão algum sinal de redução de volatilidade), mas as reformas necessárias serão aprovadas, com algum atraso.

A articulação do governo Temer apresentou-se muito produtiva no campo legislativo, aprovando temas sensíveis e essenciais à economia nacional nos últimos meses. A pauta de reformas para 2017 também se mostrava fundamental para a modernização da nossa economia e da sustentabilidade das contas públicas. Nesse contexto, tanto a reforma trabalhista quanto a previdenciária são fundamentais.

Para os produtores rurais, o sofrimento será menor. A safra é excelente, e a maioria dos preços garante algum lucro. O dólar fica um pouco mais alto, mas abaixo de R$ 3,40. Com certeza, os juros da safra não serão subsidiados para a maioria dos produtores. Os rumos da economia brasileira serão ditados fundamentalmente pelos desdobramentos políticos em Brasília.

Nesta edição da Agroanalysis, apresentamos uma seção chamada “Oportunidades”, que aparecerá sempre que houver conteúdo pertinente. O primeiro artigo analisa a cultura de noz-macadâmia. Sua produção exige um investimento inicial alto, o que representa uma importante barreira à entrada neste mercado, com retorno entre o nono e o décimo primeiro ano. No entanto, a taxa de retorno é muito elevada, com estimativa de lucro de R$ 35.000 por hectare/ano, considerando as condições atuais do mercado.

Na cana-de-açúcar, a área cultivada mostra estagnação desde 2013, sendo fundamental buscar a recuperação dos índices de renovação dos canaviais. Para manter a oferta de matéria-prima, é preciso que haja ganhos efetivos de produtividade ou expansão da área. Muitas unidades estão em recuperação judicial, com alto endividamento e problemas para acesso ao crédito. Se os efeitos dos investimentos ou dos desinvestimentos são lentos, a recuperação, no entanto, é mais lenta ainda.

Em 2010, entidades vinculadas à atividade agropecuária conseguiram liminares para o não recolhimento dos 2,3%, do empregador rural pessoa física, para o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (FUNRURAL). Agora, a decisão a favor da cobrança do FUNRURAL significará a redução do lucro dos empreendimentos agropecuários ao produzir um passivo referente aos recolhimentos não realizados desde 2011. Ainda, a estimativa é de que o valor do FUNRURAL, que passará a ser de 1,5% da receita bruta a partir de 2018, represente entre 7,5% e 15,0% do lucro da pecuária.

O comércio exterior do agro brasileiro tem papel importante na economia. O País mostra, cada vez mais, uma capacidade de aumentar a competitividade da produção agropecuária em relação aos demais mercados. Para contribuir com as análises e os estudos sobre o comércio exterior do agronegócio brasileiro, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), por meio do Agropensa (Sistema de Inteligência Estratégica), disponibilizou um sistema de painel interativo com dados estatísticos das exportações e das importações brasileiras.

Neste mês, em que a Organização das Nações Unidas comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente, o destaque fica com a integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF), que, em 2015, ocupou uma área de 11,5 milhões de hectares, contra 1,8 milhão em 2005. Essa é a terceira revolução tecnológica do hemisfério tropical. Na década de 1970, tivemos a introdução do sistema de plantio direto na palha. Passamos para os anos 90 com a realização de duas safras durante o ano: uma tradicional de verão e outra de inverno. Hoje, a produção de milho 2ª safra (inverno) é bem superior à de milho 1ª safra (verão).

Na seção Abre Aspas, a entrevista com Fabio Scarano, diretor executivo da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), trata da implantação do novo Código Florestal (Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012). Incentivada pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), a motivação da FBDS era de gerar e analisar dados para estimular os proprietários rurais a fazerem o Cadastro Ambiental Rural (CAR), como manda o Código. Entretanto, a realização do CAR foi muito veloz, tendo alcançado mais de 95% da área produtiva no País. O próximo desafio é o Programa de Regularização Ambiental (PRA).

Para terminar, a conferência “Café Brasileiro: Sustentabilidade e Qualidade” homenageou a Cooxupé pelos seus sessenta anos de atividade voltados ao café e pelos 85 anos de cooperativismo regional. O evento foi feito em parceria com a BASF, a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) e o Sistema Ocesp (Fescoop/Ocesp/Sescoop), no auditório da Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo (Ocesp). Participaram convidados de entidades ligadas à cadeia produtiva de café, jornalistas estrangeiros – que estiveram no País exclusivamente para conhecerem a produção brasileira de café – e a imprensa nacional.

Maio 2017

EDIÇÃO 2017, 10 de Maio de 2017

Tema: Novas regras do crédito agrícola!

Apesar de os sinais da economia ainda não apontarem para uma mudança mais forte do quadro econômico – a geração de empregos está abaixo do esperado e as projeções do Produto Interno Bruto (PIB) estão abaixo de 0,5% –, a espectativa é de que o cenário se torne mais positivo a partir do último trimestre de 2017. A inflação do ano deverá ficar abaixo do centro da meta, e o dólar continua sob controle. O saldo das transações correntes acumuladas em doze meses, até abril, está no menor nível em muitos anos: US$ 20 bilhões negativo. Os investimentos diretos estrangeiros acumularam, no mesmo período, US$ 65 bilhões. Com as reservas externas acima de US$ 300 bilhões, o Brasil fortalece-se muito como um devedor externo de baixo risco. E isso vai ajudar em todos os sentidos.

Na última semana de abril, a reforma trabalhista foi aprovada na Câmara dos Deputados. Resta, agora, a reforma da previdência. A marcha é lenta, mas a direção continua positiva.

A recessão atual da economia brasileira está muito associada ao fim de um ciclo de expansão do crédito, com elevado grau de endividamento dos agentes privados (empresas e famílias). Em circunstâncias normais, o contraponto deste processo seria a expansão da demanda do setor público, com aumento temporário dos gastos do Governo. Mas, a redução de impostos para estimular o consumo das famílias, nesse contexto de déficit público, inviabiliza o uso desse instrumento. Sem muito a ser feito, o crucial para o futuro é o ajuste fiscal.

O crédito agrícola brasileiro pode sofrer uma importante mudança já no próximo Plano Safra: a taxa de juros a ser cobrada nos empréstimos tomados pelo produtor poderá ser uma fração da taxa Selic. Embora diversos aspectos dessa nova regra ainda não estejam claros, esta alteração pode trazer diversas vantagens para o sistema de crédito nacional (maior incentivo para o setor privado ofertar crédito agrícola) e a política fiscal (menores gastos com subsídios). Ao que tudo indica, o crédito poderá ficar mais caro para o agronegócio, mas não na próxima safra.

É muito importante que o produtor saiba fazer a conta da taxa de juros real (taxa de juros cobrada descontando a inflação) embutida em seu financiamento. A inflação de cada produtor depende especificamente de seus custos e do preço do seu produto. Por exemplo, se o juro real médio do mercado for 8%, mas o preço do produto vendido subir mais do que este valor, o produtor terá “juros negativos”.

Na colheita recorde de grãos prevista para a safra 2016/17, que encerra no próximo mês, há uma grande contribuição do milho. Os preços cedem no mercado interno, enquanto os Estados Unidos, também com enorme colheita, disputam espaço para o seu cereal no comércio internacional. Novamente, os problemas aparecem no tocante à armazenagem e ao transporte da grande quantidade do grão. O baixo ritmo na comercialização de soja aponta para o agravamento da situação, devido à falta de armazéns para estocar o milho a ser colhido na segunda safra. A pressão de venda poderá aumentar ainda mais, derrubando as cotações.

Na seção Abre Aspas, tem-se a entrevista com Horacio Caballero, coordenador do Grupo de Países Produtores do Sul (GPS), criado por entidades privadas de quatro nações sul-americanas – Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. No conjunto, estes países são os principais exportadores líquidos de alimentos no âmbito mundial, com 32% do comércio. O desafio a ser superado pelo Grupo está relacionado ao alinhamento de seus interesses comuns, o que não é uma tarefa simples, por se tratar de uma região onde, durante décadas, predominaram rivalidades comerciais, falta de diálogo e fraca coordenação.

A presença da cadeia produtiva de cacauicultura nas páginas da Agroanalysis é sempre marcante, pois traz de volta à memória o seu papel histórico no ciclo das produções e das riquezas geradas pela agropecuária nacional. Entretanto, no final da década de 1980, a atividade foi afetada por uma grave crise estrutural e conjuntural com o aparecimento e a propagação da doença vassoura de bruxa. Frente às projeções de escassez da oferta de matéria-prima para a produção de chocolate, entidades públicas e privadas da cadeia produtiva mobilizam-se para recuperar e expandir o setor – uma verdadeira fase de renascimento.

No conteúdo especial deste mês, tem-se matérias que tratam da cadeia produtiva sucroalcooleira. O Acordo de Paris, celebrado na 21ª Conferência das Partes (COP-21) da Organização das Nações Unidas, e a iniciativa do Ministério de Minas e Energia (MME) de estabelecer um sofisticado plano de descarbonização, unificado no programa conhecido como RenovaBio, abrem boas perspectivas para o setor. É importante a construção de um planejamento estratégico para avaliar as oportunidades que se desenham no horizonte. Não se pode perder tempo e desperdiçar mais uma chance de avanço no campo energético.

Abril 2017

EDIÇÃO 2017, 10 de abril de 2017

Tema: A carne brasileira é segura!

O Brasil inteiro foi sacudido pela notícia da operação Carne Fraca, levada a cabo pela Polícia Federal (PF) para punir pessoas e frigoríficos envolvidos em atos de corrupção e práticas de produção inadequadas. O prejuízo imediato para uma cadeia produtiva que investiu muito para conquistar a competitividade e o reconhecimento atuais, exporta US$ 13,6 bilhões por ano e emprega 6 milhões de pessoas foi enorme. No momento do fechamento desta edição da Agroanalysis, vários países importadores estão suspendendo suas compras.

A corrupção deve ser combatida e as más empresas, punidas. Porém, a forma como a PF conduziu o assunto pareceu inadequada. Houve uma amplificação exagerada dos fatos, com erros de análise técnica (por exemplo, afirmando-se que havia papelão nos embutidos e que cabeça de porco não poderia ser utilizada) e a sugestão de que todo o setor estaria comprometido.

Agora, o Brasil terá muito trabalho para retomar as exportações e contornar os problemas ocasionados na cadeia de proteína animal. Nossa matéria de capa mostra a necessidade urgente da criação de uma agência para defesa sanitária para os produtos agropecuários.

O quadro conjuntural continua o mesmo: inflação em queda, sinal de crescimento econômico em 2017 e dólar comportado. O contexto político é incerto, com a própria base do governo Temer sendo alvo recorrente de denúncias de corrupção. Ao mesmo tempo, o espaço de manobras para aprovar as reformas é relativamente limitado, dados o horizonte finito deste governo e a ausência de uma convergência plena da sociedade com os temas envolvidos. O maior risco não está na própria economia, mas no universo político.

De forma geral, o mercado olha para 2017 com mais otimismo. De acordo com a pesquisa Focus do Banco Central, a expectativa sobre a economia é de um crescimento de 0,48% neste ano.

Os números oficiais indicam que a safra 2016/17 será grande. Esta notícia é boa, mas há alguns fatores que podem contrair a renda final obtida pelo agro: (i) com a valorização do real nos últimos meses, a produção pode ser vendida a um dólar mais baixo do que aquele considerado na compra dos insumos no início do plantio; (ii) com a queda do dólar e a safra volumosa, os preços de diversos produtos agropecuários têm registrado contração; e, (iii) mais uma vez, os problemas de infraestrutura prejudicam o escoamento e a armazenagem da safra, com impacto na rentabilidade efetiva da safra.

O cenário é favorável para o setor sucroalcooleiro. A expectativa para a safra 2017/18 é de preços firmes para o açúcar no mercado internacional, o que deverá dar suporte aos negócios internos. A preocupação novamente é com o câmbio. A recente queda na cotação do dólar em relação ao real pode diminuir a competitividade brasileira. Desde meados de 2014, a crise enfrentada pelo setor levou à seleção dos produtores e das usinas com melhor saúde financeira, o que traz maior segurança à cadeia produtiva sucroalcooleira. Essa conjuntura é boa para o arrendamento de terras à usina e, também, para quem produz e fornece cana.

A tecnologia digital chega ao campo como uma ferramenta promissora. Com GPS embarcado em máquinas e sensores espalhados nas áreas de produção, em tempo real, são captados dados sobre as condições microclimáticas, a capacidade nutricional dos solos e o estado sanitário das plantas. A profusão de dados gerados e espalhados em gigantescos bancos de dados cresce em volume exponencial. O desafio, agora, consiste em administrar os big data por meio de sistemas inteligentes que tragam ainda mais eficiência à agropecuária.

Na entrevista do mês, Adélia Franceschini comenta a pesquisa apresentada no 1º Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio sobre o perfil da mulher do agronegócio. O agronegócio, efetivamente, não se diferencia de outros tantos mercados. A constatação geral é de que a mulher alcança atividades impensáveis décadas atrás.

Nosso Caderno Especial do mês trata do agronegócio do estado de São Paulo, com uma visão das cadeias produtivas e dos esforços para a agregação de valor.

Março 2017

EDIÇÃO 2017, 10 de março de 2017

Tema: Para onde vai o dólar?

Os primeiros sinais de 2017 se mostram promissores. Continuam as tendências de queda da inflação e mercado financeiro mais animado. Do lado da economia real, no momento, apenas o setor agropecuário – em toda a sua cadeia – já está sentindo alguma reação. Para os demais setores, a reação será mais lenta e desigual. O emprego deverá voltar somente no segundo semestre.

Deve-se dar atenção à valorização do real, pois ela é conjuntural. Talvez, alguns produtos comercializados em dólar possam ser estocados, aguardando o melhor momento para a venda.

A perspectiva de que a apreciação do real não é estrutural fica clara ao se observar a evolução das projeções para a taxa de câmbio da pesquisa Focus do Banco Central do Brasil. Por mais que a moeda brasileira tenha apreciado nas últimas semanas, a projeção de um real mais desvalorizado sempre permanece. Em outras palavras, embora o valor da taxa de câmbio para o final do ano seja sempre revisado para baixo, a trajetória de desvalorização está sempre presente, sugerindo que o enfraquecimento do dólar talvez seja um fenômeno temporário.

O agronegócio deverá contribuir mais positivamente com o Produto Interno Bruto (PIB) nacional neste ano. Os resultados das feiras e das exposições deste primeiro semestre prometem faturamento superior ao do ano passado. A produção na safra 2015/16, de 186,1 milhões de toneladas, teve quebras devido a uma forte estiagem. Somente em soja e milho, as perdas somaram em torno de R$ 16 bilhões. Para a safra 2016/17, a colheita será maior, de 215,3 milhões de toneladas. Há preocupações em relação às exportações, em função de uma valorização do real frente ao dólar.

Como em todo início de ano, comparamos as rentabilidades médias das atividades agropecuárias com as de outras opções de investimento de capital. As atividades agropecuárias com o melhor resultado foram a soja e o milho, atrás do Ibovespa, do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) e da poupança. O arrendamento de cana também apareceu em boa posição, lembrando que, neste caso, o proprietário da terra não assume riscos – apesar de muitas usinas apresentarem alto nível de endividamento. Em posição oposta, entre as produções analisadas, o pior resultado foi obtido com a produção de leite de baixo emprego de tecnologia. Ainda que tenha apresentado resultado negativo, foi melhor do que o ouro e o dólar.

Na área de Comunicação, tem-se o desafio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na divulgação do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA). O número de alimentos analisados ainda é limitado, diante da dimensão do País e da variedade da dieta brasileira. Como em outros países, no Brasil, a maior parte das irregularidades está relacionada ao uso de pesticida em cultura não registrada. A presença de resíduos de pesticidas em um alimento não significa necessariamente risco para a saúde. A sociedade precisa estar mais bem informada para não ficar à mercê de especulações. Ninguém deve deixar de comer frutas e verduras por estas terem sido tratadas com pesticidas no campo, pois os benefícios do consumo destes alimentos são muito maiores do que os potenciais riscos relacionados à presença de resíduos de pesticidas.

Estudo da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Sistema Farsul) construiu projeções de produção e consumo de um grupo de produções agropecuárias para o período entre 2016 e 2026. Espera-se que os resultados permitam a elaboração de políticas públicas em três frentes: (i) nortear as escolhas dos acordos comerciais, com a utilização de critérios objetivos para mapear seu potencial; (ii) conferir se a política agrícola está calibrada para os cenários futuros; e (iii) avaliar se a infraestrutura está adequada para os níveis de produção atuais e futuros.

Na seção Abre Aspas, entrevistamos o deputado federal Nilson Leitão (PSDB-MT), empossado no mês passado como presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). A pauta de trabalho é densa e envolve a implantação de uma nova legislação nas leis ambientais e trabalhista rural, bem como a finalização da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A esse rol cabe, ainda, ser incluída a Lei de Proteção de Cultivares e a solicitação antiga de desoneração fiscal dos insumos agropecuários.

Por fim, o Conteúdo Especial da Associação Brasileira de Indústrias de Suplementos Minerais (ASBRAM) apresenta como tema a “Aposta na tecnologia e produtividade”. A entidade comemora o vigésimo aniversário e realiza o 10º Simpósio Nacional da Indústria de Suplementos Minerais neste ano. Nos últimos anos, o rebanho bovino brasileiro tem mostrado uma estabilidade no seu tamanho e as áreas de pastagens têm diminuído. Como a saída está montada na estratégia dos ganhos de produtividade, a suplementação mineral dos animais é uma prática indispensável, apesar de ocorrer em apenas um terço do rebanho.

Fevereiro 2017

EDIÇÃO 2017, 10 de fevereiro de 2017

Tema: Devagar, mas melhorando!

O ritmo de melhora na economia brasileira está muito mais lento do que o desejado. Mas, até este momento, a tendência de melhora tem se mantido.

Num primeiro momento, após a saída da presidente Dilma Rousseff, as expectativas tornaram-se mais positivas. Estas expectativas poderiam ser ou não confirmadas pelas ações tomadas. A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) dos gastos, o envio da reforma da previdência, a queda mais acentuada da Selic e uma agenda microeconômica para destravamento da economia confirmaram as expectativas e sugerem que 2017 será melhor do que 2016.

Inflação convergindo para o centro da meta, dólar entre R$ 3,20 e R$ 3,40 na maior parte do ano e Produto Interno Bruto (PIB) crescendo mais de 1%, tudo ainda muito tímido para o enorme desemprego existente. Mas, a direção é de retomada, com ajuste fiscal e crescimento empurrado pelos tão necessários investimentos em infraestrutura. E, mais notável, tudo isso em meio à enorme incerteza política, agravada ainda mais pela morte do ministro Teori Zavascki. Os agentes estão interessados no comando econômico, imaginando que este será mantido por quem quer que assuma o comando político.

Para o agronegócio, tudo indica que realmente 2017 será melhor, com boa safra e preços razoáveis para boa parte dos produtos – sempre vale a pena olhar os mercados futuros e o valor do dólar. O agro certamente terá uma contribuição muito favorável para o crescimento do PIB, recuperando a quebra de aproximadamente 15 milhões de toneladas na produção de grãos de 2016. A safra do ciclo 2016/17 será recorde, próxima de 215 milhões de toneladas. Na parte das exportações, há uma expectativa de geração de grandes saldos comerciais, a exemplo de exercícios anteriores. Para isso, tem ajudado muito o enorme esforço empreendido para valorizar a imagem dos produtos das cadeias produtivas do agronegócio nacional.

No mercado de borracha, a partir de 2015 houve uma melhora nos preços do látex, mas a situação ainda está complicada para o produtor. O quilo do coágulo está com valor abaixo dos custos de produção, estimados entre R$ 2,00 e R$ 2,50 em São Paulo. Para o produtor que consegue garantir um custo mais baixo, por volta de R$ 2,00, a elevação do dólar para R$ 3,35 pode ser suficiente para igualar o preço no mercado interno brasileiro ao custo de produção.

No mercado externo, o agronegócio deve ficar atento ao esforço do governo chinês para evitar a desvalorização da sua moeda (yuan) frente ao dólar. Conforme se recupera, a economia dos Estados Unidos volta a atrair capitais, impulsionada ainda mais pela elevação da taxa de juros pelo Banco Central americano. Além disso, ainda não está claro qual será a reação da China caso Trump cumpra a promessa de elevar as tarifas de importação para os produtos chineses. Como os chineses compram do Brasil bens em que eles não conseguem ser autossuficientes, mesmo que eventualmente os produtos brasileiros fiquem mais caros, não deve haver contração no volume exportado. Vamos acompanhar o desdobramento desse quadro.

Na Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), tem-se o balanço de um trabalho profícuo junto ao Congresso Nacional, com propostas e acompanhamento dos Projetos de Lei relacionados ao universo do agro. O deputado Marcos Montes (PSD-MG), que passa a Presidência da entidade para Nilson Leitão (PSDB-MT) neste mês, relata as conquistas realizadas ao longo dos últimos dois anos. Na pauta dos trabalhos futuros, tem-se a construção de uma agenda prospectiva com destaque para a desoneração de insumos, a regularização fundiária e a demarcação de terras indígenas.

Na Argentina, ao celebrar um ano de gestão, o presidente Mauricio Macri enfrenta uma economia combalida com alto desemprego, estimativa de PIB negativo e inflação anual acima de 40%. Apesar disso, para o presente exercício, é esperada uma grande virada nesse quadro incômodo, com colheitas mais fartas para as safras 2016/17 e 2017/18. A economia sentirá o efeito positivo das medidas tomadas no início do governo para reduzir a malha de controles dos preços e dos impostos elevados dos governos Kirchner de 2003 a 2014. São medidas mais liberais para estimular a produção via mercado.

Na entrevista da seção Abre Aspas, Edivaldo Velini, presidente da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), fala sobre as diversas técnicas de engenharia genética já disponíveis, algumas delas com potencial ainda a ser descoberto. A era do ‘pós-transgênico’ abarca os produtos que tenham seus DNAs editados sem possuírem um gene de outra espécie. Um dos grandes desafios da atualidade é, ao mesmo tempo, garantir a biossegurança e assegurar que esses produtos cheguem rapidamente ao mercado.

Para finalizar, o Caderno Especial da Agroanalysis apresenta conteúdo desenvolvido com o Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), em sua oitava versão. Felizmente, o Brasil abriu as portas para a sua agropecuária seguir na conquista de maior produtividade ao desfrutar dos constantes avanços proporcionados por esta formidável área que é a Biotecnologia. O marco regulatório nacional acompanha com competência e atualização toda essa evolução. Entramos, agora, em uma nova fronteira de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) na área de Engenharia Genética de precisão.

Janeiro 2017

EDIÇÃO 2017, 10 de janeiro de 2017

Tema: O agronegócio é sensível à PEC do Teto dos Gastos!

As delações dos executivos da Construtora Odebrecht aumentaram bastante a tensão política e a volatilidade na economia brasileira. O fato de o presidente Temer ter sido mencionado na delação coloca em risco sua permanência no cargo, quando do julgamento, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), da chapa Dilma-Temer. De acordo com o ministro Gilmar Mendes, presidente do TSE, o julgamento será concluído em algum momento de 2017, talvez apenas no segundo semestre. Curiosamente, o mercado financeiro não reagiu como se poderia esperar, com o real se desvalorizando (também influenciado pelo anúncio recente da elevação dos juros norte-americanos) e a bolsa despencando.

O dólar continua estacionado em torno de R$ 3,35, e a bolsa caiu muito pouco. E mais, os analistas apontam para alta desta em 2017. A conclusão que pode ser tirada desses movimentos é que, para os agentes econômicos, os nomes no comando político importam muito menos do que os nomes no comando econômico. E, nesse aspecto, a permanência do ministro Henrique Meirelles e de sua equipe parece garantida, independentemente de quem venha a ser presidente da República no próximo ano. A aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do Teto dos Gastos e o envio de uma profunda reforma da previdência para o Congresso, além do anúncio de algumas medidas microeconômicas, apontam com firmeza para uma agenda positiva para a economia.

Mesmo assim, a economia está demorando mais do que o esperado para reagir, fazendo com que as previsões para 2017 fiquem mais pessimistas. A Agroanalysis continua acreditando em crescimento em 2017, ainda que pequeno, com a Selic chegando próximo de 10% ao final do ano, a inflação no centro da meta e o dólar flutuando entre R$ 3,30 e R$ 3,70. O drive de retomada será dado principalmente pelos investimentos em infraestrutura. A economia deverá voltar a se aquecer no segundo semestre do próximo ano. 2018, apesar de ano eleitoral, deverá ser melhor.

As políticas voltadas diretamente para o agronegócio representam uma fração pequena dos gastos públicos, e, no entanto, infelizmente este poderá ser um dos setores mais atingidos pela PEC do Teto dos Gastos. A PEC estabelece que um conjunto de gastos do Governo em um determinado ano não poderá crescer acima da inflação do ano anterior. Porém, como diversas despesas contam com indexadores e outras têm um piso determinado por lei (como saúde e educação), a adequação do volume dos gastos públicos ao teto estabelecido pode comprometer as despesas que não contam com qualquer regra de proteção. Entre estas despesas, estão justamente todos os instrumentos de política agrícola.

Em outubro do último ano, o Comitê de Segurança Alimentar Mundial das Nações Unidas (CFS/ONU) aprovou uma política inédita de recomendações relacionadas ao bem-estar dos animais. A preocupação dos consumidores a respeito de como são tratados os animais para o consumo tem ganhado força, principalmente na Europa. À medida que a sociedade passa a reconhecer a produção animal ética como um fator relevante, pode-se inferir ao bem-estar animal um valor econômico. O Brasil precisa modernizar seus processos de produção e abate para não perder mercado.

Ainda na área internacional, a emergência do comércio justo, tradução da expressão “fair trade”, ganha espaço no Brasil. Trata-se de uma das modalidades de certificação bastante difundidas nos países desenvolvidos. O termo fair trade nasceu na década de 1940 na Europa e nos Estados Unidos, com o objetivo de tornar o comércio internacional uma fonte de recursos e inclusão social para sociedades empobrecidas de países em desenvolvimento por meio da aquisição de produção de pequenos produtores localizados nos países do hemisfério Sul.

No mercado interno de milho, o momento atual é oportuno para o produtor fechar negócios com a produção de 2016/17. A expectativa futura é de preços menores, com o aumento da disponibilidade interna, a partir do início da colheita brasileira. Preste atenção no câmbio, pois ele pode, pontualmente, mexer com as exportações brasileiras e oferecer oportunidades de comercialização da produção.

Na área ambiental, o desmatamento da Amazônia mostrou crescimento entre agosto de 2015 e julho de 2016, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Houve um aumento de 7.989 km² na remoção total da cobertura da floresta por corte raso, o que significa a eliminação de toda a vegetação existente. A expansão corresponde a um incremento de 29%. O País não atingia a marca de 7 mil km² desmatados desde 2010.

Outra novidade vem da 22ª Conferência das Partes (COP-22) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês), realizada em Marrakech, no Marrocos, em novembro do ano passado. Com a antecipação do Acordo de Paris, em 4 de novembro de 2016, o prazo para o fórum responsável concluir o calendário de temas sobre a regulamentação da transparência, da fiscalização e do financiamento do acordo foi reduzido de 2020 para 2018. É a metade do tempo que teve o Protocolo de Kyoto.

Na seção Abre Aspas, o ministro do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Blairo Maggi, apresenta a pauta de trabalho desenvolvida para construir a imagem positiva de um agro brasileiro sustentável. Um grande esforço é dispendido em ações com este foco, como nas missões de visitas aos países, na Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), no G-20, no Conselho Agropecuário do Sul (CAS), no BRICS, nas Conferências das Partes da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas e Biodiversidade, entre outros. A intenção é provar em números que a produção agropecuária brasileira se baseia na preservação ambiental e no uso de tecnologia, sem subsídios que distorcem o comércio internacional.

Para finalizar, o Caderno Especial da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (ABRASEM) trata da semente, o insumo básico e vital em qualquer sistema de produção agrícola. Ela é fundamental para garantir uma produção de alimentos sustentável. O investimento na sua aquisição, a cada safra, compensa, pois resulta em segurança fitossanitária, produtividade e retorno financeiro. O estabelecimento e o aprimoramento de um marco regulatório para o setor, alinhado com os acordos e tratados de comércio internacional, significam a abertura de portas para o exterior. Por isso, Governo, legisladores, obtentores, produtores de sementes e agricultores devem trabalhar juntos.